Aplicando Psicodrama nas Organizações

Fala-se muito que a melhor maneira de aprender alguma coisa é na prática. Mas como vivenciar a realidade sem que ela esteja realmente acontecendo? A resposta é: através do Psicodrama.

Origem:

Segundo a psicoterapeuta psicodramatista Vitória Pamplona, esse método foi desenvolvido "por Jacob Levy Moreno, psiquiatra romeno que nasceu em 1898, viveu e trabalhou em Viena até 1925 quando emigrou para os Estados Unidos, onde desenvolveu suas teorias e veio a falecer em 1974. Originou-se de experiências de teatro de Moreno, que, além de médico, trabalhava com teatro, porém não como o teatro convencional. Criou um tipo de representação cujo objetivo era estimular a criatividade dos atores e, no qual a peça era criada na hora pelos atores, a partir de algum tema proposto no momento. Tudo era criança em grupo e no exato momento em que estava ocorrendo. Era o Teatro da Espontaneidade. A partir de um caso ocorrido no Teatro da Espontaneidade e que ficou conhecido como "O caso Bárbara", Moreno percebeu o potencial terapêutico do teatro e elaborou sua teoria de psicodrama, como ato terapêutico".

Espontaneidade!

Para Moreno, "o homem possui recursos inatos: a espontaneidade, a criatividade e a sensibilidade. Tais recursos podem ser alterados ou prejudicados pela ação do meio ambiente e dos sistemas e regras sociais. Para ele, suas ideias proporcionariam uma Revolução Criadora através da recuperação da espontaneidade e da criatividade".

E segundo Pereira, "a espontaneidade está ligada a capacidade do individuo ajustar-se a uma nova situação de maneira inédita. Em resumo estabelecer um novo jeito em algo remete ao conceito de criatividade".

Instrumentos:

1 - Diretor: "É o agente terapêutico. Tem várias funções: dirigir e analisar a cena, ampliar e incrementar a cena, focalizando a história do indivíduo ou grupo. Cabe salientar a importância da formação teórica, metodológica e pessoal do Diretor, pois só assim ele poderá instrumentalizar recursos para a execução da cena".

2 - Ego-auxiliar: "A função dele no cenário do psicodrama é ser o ator (coadjuvante) que representa as pessoas ausentes ou mesmo o protagonista, interagindo e executando a ação. Ele é o veículo que compõe o cenário. É importante ter a clareza de suas emoções para que não interfiram na história do protagonista ou na direção".

3 - Protagonista: "É o ator central. Termo de origem Grega que significa aquele que se oferece a ação em primeiro lugar. O protagonista apresenta, “doa” o seu íntimo para o grupo".

4 - Palco/Cenário: "É o lugar da representação do mundo físico e do mundo intersubjetivo".

5 - Plateia: "São os componentes do grupo, beneficiados pela entrega do protagonista. A plateia pode funcionar como caixa de ressonância e consonância. Na metodologia Sócio Educacional e Organizacional o protagonista é a plateia, ou seja, o grupo como um todo é o protagonista".

Etapas:

1 - Aquecimento: "É a primeira etapa de toda sessão de Psicodrama, como também de qualquer outro procedimento da Sociatria: Sociodrama, Jogo dramático, Treinamento de papel, Teatro Espontâneo etc. Warming up é a preparação para sessão e consiste no conjunto de procedimentos que atua para estabelecer os canais de comunicação e maior aproximação entre o diretor e o protagonista. O aquecimento é o agente canalizador das energias para a ação. Possui duas sub-etapas:

Inespecífico: Inicia a sessão. O primeiro momento do encontro. Seu objetivo é diminuir a tensão, propiciar um ambiente de acolhimento.

Específico: Começa no momento da construção da cena, com o aquecimento do personagem, privado ou público".

2 - Dramatização: "É todo o processo da atuação; é o “como se”; a realidade suplementar: a utilização das técnicas em concordância com a matriz do indivíduo ou do grupo".

3 - Compartilhar: "Sharing: trocas do protagonista, plateia e direçãoy; ressonâncias, consonância, do protagonista e da plateia; é uma catarse de integração, a interação dinâmica do corpo com os pensamentos e emoções".

4 - Processamento: "É a análise do processo: o diretor encaminha o grupo ou o indivíduo para a reflexão cognitiva sobre os procedimentos e o prosseguimento para as aquisições de novos papéis. É um momento pedagógico. É importante ouvir as opiniões dos elementos que atuaram na cena, as opiniões dos que assistiram, e fazer uma reflexão sobre a ação e incrementar os encaminhamentos necessários para as ações posteriores".

(Descrições: professora Maria das Graças de Carvalho Campos).

Aplicando nas Organizações!

Para a autora Thelma Teixeira, "o método pode ser aplicado em três estratégias: jogos dramáticos, role-playing e inversão de papéis. O jogo dramático é trabalhado em grupo para diagnosticar ou intervir em situações de conflitos ou de relacionamento. O role-playing, mais conhecido como jogo de papeis, é trabalhado através de interpretações de papéis e personagens distintos. Por último, a inversão de papéis, que traz resultados muito interessantes, pois o profissional assume a posição do outro, sentindo e agindo como ele, fazendo-o entender o outro lado".

Psicodrama x Dinâmica de Grupo:

Segundo a psicóloga Vânia Lúcia Andrade, "as técnicas e a teoria são diferentes. Quanto aos objetivos dessas, podemos utilizar ambos para um mesmo objetivo. Vamos esclarecer: o psicodrama se utiliza da representação de papéis. Por exemplo, um protagonista representa a fala do colaborador motivado e o outro do desmotivado dentro da empresa. Tratamos uma questão problemática ou de conflito vivida pelos protagonistas. O foco é o problema vivido. A dinâmica de grupo também pode trabalhar conflitos, porém, se utiliza de técnicas vivenciais que facilitem este trabalho. Selecionamos previamente técnicas que favoreçam a melhora do desenvolvimento do grupo na questão a ser trabalhada. O foco não é a representação e sim a vivência. Os recursos utilizados podem ser além da fala, o material pedagógico, dentre outros. Ou seja, no psicodrama corresponde a aprender representando e na dinâmica de grupo se aprende vivenciando".

Conclusão:

Praticamente todas as pessoas passam por situações de estresse, conflito ou problemas de comunicação diariamente. E muitas vezes, isso ocorre no ambiente de trabalho, podendo acarretar desgaste mental, crise na relação entre os integrantes da organização, redução da produtividade etc. Objetivando resolver esses problemas ou evitá-los, como em recrutamentos ou seleções, utilizam-se técnicas do Psicodrama.

Através da representação, feita de forma dramatizada, de determinados conflitos ou situações de tomada de decisão, já vividas ou esperadas para o futuro, o Psicodrama é utilizado para facilitar a manifestação das emoções, do comportamento, das ideias e dos dilemas morais.

Entretanto, é importante lembrar que essas técnicas só devem ser aplicadas por profissionais especializados na área.

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