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Cartéis e corrupção

O cartel funciona como um mecanismo utilizado pelas empresas para controlarem a concorrência e é aí que começa a corrupção dos agentes públicos e privados.

CARTÉIS E CORRUPÇÃO

 

Os cartéis são organizações engendradas por grupos de empresas que visam ganhar concorrências públicas ou privadas mesmo sem terem os melhores preços ou competência técnica.   Os cartéis somente são descobertos quando algum concorrente denuncia a trapaça, caso contrário, nunca chega ao conhecimento público ou da justiça. A punição para os cartéis é de responsabilidade do CADE, órgão responsável pela lisura das concorrências. Quando a concorrência é fraudada, os responsáveis podem ser punidos com até 20% do faturamento, o que representa uma enorme sangria para as empresas, podendo até quebrá-las.

A corrupção dentro de uma empresa (estatal ou privada) ou em um órgão público, visando beneficiar um grupo de concorrentes na obtenção de contratos de fornecimento, é outro problema, como o que vinha ocorrendo na Petrobrás. Nas empresas públicas a questão é mais complexa, pois na partilha de poder, os partidos que compõem a base aliada exigem cargos que manipulam volumosos orçamentos ou contratos. Lamentavelmente, é a forma dos partidos financiarem suas campanhas eleitorais e outros fins.

O conluio de empresas para fraudar a concorrência perfeita é mais comum do que se possa imaginar e existe em todos os setores da economia e em todos os níveis de Estado e é muito difícil eliminá-lo, principalmente em segmentos com poucos concorrentes, o que facilita acertos escusos.

Isso não é privilégio do Brasil, pois é um dos vícios do capitalismo desde as suas origens. Teoricamente as empresas deveriam aperfeiçoar seus sistemas de gestão para terem custos mais baixos, mais eficiência operacional, qualidade, diferenciação e inovação tecnológica para superarem os seus concorrentes. Assim, as empresas que utilizam formas sub-reptícias para ganharem concorrências, prejudicam o livre mercado, a economia e a própria sociedade e por isso devem ser punidas.

Assim, quanto maior é a participação do Estado na economia como acionista em empresas, se ampliam as possibilidades de corrupção com a contaminação do sistema político. A formação de cartéis e corrupção nas empresas privadas é um problema dos seus gestores e acionistas e, consequentemente, da Justiça. Quando envolve o Estado, entram em cena crises políticas e efeitos perversos sobre a sociedade, pois recursos que deveriam ir para a educação, saúde e pesquisa, são desviados. Por isso fica minha dúvida sobre o slogan nacionalista “A Petrobrás é nossa!” Nossa de quem?  Talvez de uns poucos privilegiados que se locupletam à custa da ingenuidade ideológica de um nacionalismo ingênuo.

 

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