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Concepção de aprendizagem, avaliação e prática educativa

Ao versarmos sobre a aprendizagem, seja formal ou não, devemos tratar da principal capacidade humana que é o pensar. É por meio do intelecto que o ser humano tem a capacidade de compreender e interagir com a realidade.

Valdec Romero,
Concepção de aprendizagem, avaliação e prática educativa


São Bernardo do Campo, 2008


CONCEPÇÃO DE APRENDIZAGEM


Planejar, facilitar e avaliar a aprendizagem


Ao versarmos sobre a aprendizagem, seja formal ou não, devemos tratar da principal capacidade humana que é o pensar. É por meio do intelecto que o ser humano tem a capacidade de compreender e interagir com a realidade, criar significados para fatos, acontecimentos, e a partir daí, ser capaz de dar um significado à sua vida.


A aprendizagem pode ser entendida como processo de desenvolvimento da aptidão física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social. Transpor o senso comum à consciência filosófica denota passar de uma concepção fragmentária, incoerente e desarticulada a uma concepção unitária, coerente e ativa. Portanto, senso comum e consciência filosófica foram caracterizados por conceitos mutuamente contrapostos, de modo que seja capaz de dispor os seguintes pares antinômicos: fragmentário e unitário; incoerente e coerente; desarticulado e articulado; implícito e explícito; degradado e original; mecânico e intencional; passivo e ativo; simplista e cultivado. (SAVIANI, 1986, p. 10).


Para que a construção de uma nova proposta pedagógica nas instituições de ensino seja uma realidade fica claro a necessidade do comprometimento de todos aqueles que estão ligados ao processo de ensino-aprendizagem, a fim de garantir a formação do aluno de modo a contribuir para a sua transformação como ser humano.


A atuação do professor em relação à aprendizagem pode ser resumida em três competências básicas: planejar a aprendizagem, facilitar a aprendizagem e avaliar a aprendizagem.


Planejar a aprendizagem:


Manter-se atualizado e em sintonia com as tendências didáticas pedagógicas;Estabelecer objetivos realistas e precisos;Correlacionar conteúdos às necessidades e a realidade;Organizar seqüencialmente os conteúdos às necessidades e à realidade da empresa;Propor ações coerentes aos objetivos e aos conteúdos;Dimensionar recursos adequados às atividades propostas;Definir estratégias de avaliação;Registrar esquematicamente sua proposta educativa, abrindo espaço para ajustes.


Facilitar a aprendizagem:


Manter o foco de sua ação no colaborador (em suas características e necessidades) e na aprendizagem;Observar as ações dos profissionais;Identificar as melhores ações para viabilizar a aprendizagem;Estimular o trabalho independente dos profissionais e valoriza iniciativas;Conduzir o processo estimulando a auto-aprendizagem;Fazer parte de situações-problema que sejam concretas, visando à facilitação da aprendizagem;Usar situações do cotidiano do grupo para possibilitar a (re)construção do conhecimento;Associar teoria, prática e vivência empresarial;Criar estratégias da ação adequada ao assunto, às características e aos interesses dos profissionais;Fornecer informações práticas;Discutir soluções apresentadas pelos profissionais;Rever suas ações; orientar a elaboração de análise e sínteses;Observar e analisa criticamente resultados em todas as etapas do processo;Comunicar-se e interagir com os funcionários, objetivando a efetiva construção do conhecimento;Falar com desenvoltura e clareza; ouvir com atenção; agir como mediador nas discussões, exercendo liderança nos momentos de impasse e/ou dispersão;Manter o foco de atenção no tema;Estimular a interação entre todos os participantes do processo educativo;Estimular o pensamento crítico, a argumentação coerente e a tomada de decisão em grupos;Explorar adequadamente materiais didáticos e recursos audiovisuais;Seleciona o(s) recurso(s) audiovisual(is) de acordo com a atividade a ser desenvolvida.


Avaliar a aprendizagem:


Estabelecer cooperativamente com os profissionais, critérios para avaliação da aprendizagem;Observa atentamente as ações dos profissionais;Avaliar a aprendizagem dos profissionais de forma constante e variada, sempre sob o enfoque diagnóstico;Comparar os resultados com os objetivos definidos;Analisar os resultados com os profissionais;Propor alternativas para viabilizar a aprendizagem;Criar condições para a auto-avaliação de todos os envolvidos no processo ensino-aprendizagem.


COMO SABER QUE SEU ALUNO ESTÁ APRENDENDO?


Na maioria das instituições de ensino os currículos escolares ainda são organizados em torno de um conjunto de disciplinas visivelmente diferentes e isolados de um contexto, dominadas por um conjunto de regras, protocolos, procedimentos escolares inadequados, cujos conteúdos se organizam a partir de uma estrutura rigidamente estabelecida, descaracterizada das experiências dos alunos e pautada na preparação para a lógica dos pré-requisitos.


No meu entendimento não se trata aqui de abandonar a utilização da técnica na prática docente, mas, com certeza, haverá momentos na sala de aula em que o professor estará em situações conflitantes e ele não deverá pautar-se apenas nos critérios técnicos pré-estabelecidos.


Diante as situações conflitantes que os professores são obrigados a enfrentar exige um profissional competente, acima de tudo a capacidade de autodesenvolvimento reflexivo, sendo assim, a lógica da racionalidade técnica em comparação a prática reflexiva pautada na tutoria opõe-se ao desenvolvimento de uma práxis reflexiva.


O professor reflexivo permite-se ser surpreendido pelo que o aluno faz. A posteriori, reflete sobre esse fato, ou seja, pensa sobre aquilo que o aluno disse ou fez e, simultaneamente, procura compreender a razão por que foi compreendido. Em um terceiro momento, procura reformular o problema gerado pela situação. Considera-se em um quarto momento, a efetivação de uma experiência para testar uma nova tarefa e a hipótese que formulou sobre o modo de pensar do aluno.


Esse processo de reflexão na ação exige maturidade, responsabilidade com o processo e, acima de tudo com o aprendizado do aluno, logo, exige do docente refletir sobre a reflexão na ação.


Para Antonio Nóvoa apud (NEVES, 2007): "A troca de experiências e a partilha de saberes consolidam espaços de formação mútua, nos quais cada professor é chamado a desempenhar, simultaneamente, o papel de formador e de formando."


Essa deve ser a tônica do ensino-aprendizagem nesse século XXI a articulação entre o professor e seus estudantes como atores e autores no desenvolvimento de novos saberes, que possibilitem "os alunos trabalharem os conhecimentos científicos e tecnológicos, desenvolvendo habilidades para operá-los, revê-los e reconstruí-los com sabedoria." (PIMENTA, 2002, p. 81).


O processo ensino-aprendizagem possui um caráter dinâmico que exige de todos os profissionais do ensino ações direcionadas ao aprofundamento e a ampliação dos significados para os alunos, baseadas na visão participativa nas atividades de ensino-aprendizagem.


Nesse contexto o ensino pode ser entendido como um conjunto de atividades com característica sistêmica, cuidadosamente planejada, em torno de conteúdos e formas que se articulam entre si e, nas quais professores e alunos compartilham fragmentos cada vez maiores de significados com relação ao papel exercido pela escola.


O professor, acima de tudo, deve ter uma visão pluralista reconhecendo aspectos particulares de cada aluno e as diversas formas da cognição, reconhece também que as pessoas têm capacidades distintas para adquirir conhecimentos e estilos diferentes de aprendizagem.


O agente de transformação, nesse caso, o professor precisa entender que só a exposição, a cobrança e a recompensa é um processo desassociado da realidade. Logo, a sala de aula deve tornar-se laboratório de idéias, onde o debate e a negociação deve ser uma constante, representando a realidade.


As salas de aula devem ser entendidas como um espaço de conhecimento compartilhado, os professores e os alunos devem ser vistos como indivíduos capazes de construir, modificar e agregar idéias, interagindo com outras pessoas, deixando claros os objetos e situações que exijam o pensar e reflexão a respeito de procedimentos, instrumentos de aprendizagem e avaliação dos problemas que têm que superar.


É incontestável a importância da intervenção e mediação do professor no conjunto dos papéis relativos ao ensino-aprendizagem, agregando um processo de avaliação que possibilite os alunos realizar e resolver problemas, criando condições para desenvolverem competências e conhecimentos.


O professor deve guiar suas ações e suas avaliações para que o aluno participe de tarefas e atividades que o façam se aproximar cada vez mais das suas experiências e necessidades.


O primeiro passo para a aplicabilidade da aprendizagem transformacional, consiste em estarmos atentos ao desenvolvimento das habilidades. Por exemplo, se os alunos têm dificuldades em relação à interpretação de textos ou não fazem razoáveis conclusões, não sendo capazes de identificar similaridades e diferenças e apresentando conclusões desvinculadas do ponto central. O que fazer? Devemos centrar aí a nossa ação educativa no desenvolvimento dessas habilidades e a partir daí possibilitar a aquisição de novas competências.


A avaliação deve ser entendida enquanto processo, não devendo ser baseada em um único instrumento, nem circunscrito a um único momento, pois somente uma ampla multiplicidade de recursos de avaliação poderá apontar caminhos adequados para a manifestação de múltiplas inteligências, fornecendo condições para que o professor possa analisar e tomar as decisões e providências mais apropriadas a cada um dos alunos.


Desta forma, a investigação, a autocorreção e a metacognição (qual o objetivo da busca do conhecimento) devem estar presentes no dia a dia do professor.

Essa nova postura avaliativa passa a não unicamente do professor, mas a todos os envolvidos no processo, motivando-os a descobrir e a percorrer os procedimentos do pensar e os caminhos do conhecimento.


O professor tem de estabelecer claramente os objetivos ao preparar suas aulas, analisando os conteúdos curriculares propostos se alinham ao projeto pedagógico institucional e verificar se são relevantes para o contexto de seus alunos.


O professor deve, deliberadamente, voltar suas ações para a promoção do ensino-aprendizagem em um ritmo capaz de garantir, a todos, um nível bom de desempenho, para tanto, deve rever periodicamente o currículo, o plano de curso, o planejamento das aulas, as estratégias, os métodos e os saberes pedagógicos e práticos que possibilitem atingir os resultados esperados.


A avaliação é um processo que deve ser construído na sala de aula, pois ela deve ser diagnóstica, formativa, emancipadora, ela deverá necessariamente contribuir para o desenvolvimento do aluno, não se limitando apenas como instrumento para formalizar e legitimar uma nota classificatória.


DÊ EXEMPLOS DA SUA PRÁTICA EDUCATIVA


A minha práxis pedagógica em sala de aula é pautada pela prática pedagógica reflexiva que me desafia a buscar uma coerência entre as finalidades e ações, do mesmo modo que permite uma ação pedagógica mais crítica, num exercício que combine razão e paixão, buscando ser mais justa e ética.


A tarefa não é fácil, pelo contrário, é árdua. E investigar a própria prática, examinar com severidade e coerência a nossa atuação, avaliar nossas percepções, mas é uma tarefa que nos permite levar a cabo não apenas a disciplina prática do que ensinamos, contudo nos permite refletir e pautar todos os momentos do nosso processo de ensino e aprendizagem.


Entendo que a reflexão é um empreendimento colaborativo, buscando compreender os limites, as ações e os resultados de sua prática, das condições aonde trabalha, da elaboração e re-interpretação dos currículos, do processo de ensino e aprendizagem, das relações entre pensamento e ação, individuo e sociedade.


A preocupação primaz da avaliação é o crescimento do aluno em relação as suas próprias expectativas e aos objetivos que são propostos pelo professor.

Avaliar o aluno somente por meio de provas vem sendo demonstrado ao longo
de anos que esse processo de aprendizagem leva a distorção e a acumulação de conteúdos, pois avaliar não é tarefa simples, mas é um processo que demanda coragem, responsabilidade compromisso, comprometimento e amor à profissão acima de tudo.


Instrumentos de avaliação utilizados:


Aulas expositivas buscando o diálogo e promovendo debates. Utilização de livro texto, artigos de jornais e revistas nacionais e internacionais. Apresentação e discussão de estudo de caso "cases". Apresentação de trabalhos individuais e em grupo com a finalidade de desenvolver no aluno a análise (diagnóstico), planejamento e ação (a tomada de decisão), por meio de:


1. Análise situacional com a apresentação de "estudos de caso" (cases empresariais).


2. Apresentação expositiva do arcabouço teórico:

- Aulas expositivas e dialogadas,

- Textos;

- Apresentações em powerpoint;

- Apostilas;

- Utilização de livro texto (bibliografia básica de acordo com o plano de ensino)


3. Simulação situacional (empresarial, conjuntura econômica nacional e internacional).


4. Discussão em pequenos grupos.


5. Socialização do conteúdo discutido nos grupos (seminários, apresentação individual).


6. Discussão geral entre todos os alunos e mediada pelo professor (após exposições do professor, apresentações individuais e seminários realizados pelos alunos).


7. Leitura, análise de texto relacionado à disciplina e a apresentação por escrito do aluno, quanto ao entendimento e a argumentação sobre o assunto tratado no texto.


8. Avaliações docentes privilegiando questões dissertativas


Principais competências a desenvolver:


1. Entender a importância da percepção na tomada de decisões e como estas são realmente tomadas dentro das organizações.


2. Adquirir os conhecimentos que regem a ligação entre a percepção e a tomada de decisões.


3. Adquirir uma visão crítica sobre a ética no processo decisório.


4. Entender como se desenvolvem as questões das decisões financeiras em condições de risco.


Principais habilidades a desenvolver:


1. Utilizar os conhecimentos teóricos inerentes ao processo da tomada de decisões no âmbito organizacional.


2. Recorrer aos conceitos disponíveis para a gestão das habilidades requeridas no processo de percepção e tomadas de decisão no âmbito institucional, independentemente do segmento de negócio instituído.


3. Discernir e realizar uma tomada de decisão em suas diversas nuanças.


Procedimentos de fixação/avaliação:


A avaliação será contínua e processual observando-se aspectos relacionados à ampliação da capacidade do aluno em estabelecer relações entre as informações apresentadas e, conseqüentemente, o desenvolvimento da sua capacidade em relacionar a sua potencialidade em gerenciar e liderar processos e equipes.


BIBLIOGRAFIA


CASTELO BRANCO, Valdec Romero. Avaliação na Escola: muito mais que um processo para mensurar resultados. Artigo Científico Publicado na Revista CONTEXTO Radial: Faculdades Radial, São Paulo, nº. 9, dezembro de 2007, p. 29-44. ISSN 1806-0579.

______________________________. Aprendizagem organizacional, gestão do conhecimento e universidade corporativa: instrumentos de um mesmo construto. Trabalho de Conclusão de Curso sob a orientação do Prof. Ms. Valderlei Furtado Leite. Pós-Graduação em Didática do Ensino Superior – Faculdade Anchieta, 2008.

PIMENTA, Selma Garrido. Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez, 2002.

NEVES, Lisandra O. R. O professor, sua formação e sua prática. Disponível em <http://www.centrorefeducacional.com.br/profprat.htm.> Acessado em 24/10/2007.

SAVIANI, Demerval. Educação: do Senso Comum à Consciência Filosófica. 8ª edição. São Paulo: Autores Associados, 1986, p.10.

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Tags: Aprendizagem Avaliação Prática Educativa

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