Corrupção, causas e efeitos

Que nossos futuros representantes possam aproveitar os anos que precedem suas eleições para fazer o dever de casa

Todo efeito tem uma causa. Corrupção é efeito. Sua causa: a improvisação.

Por excesso de estudo, obsessão pelo poder e inaptidão para planejar, políticos chegam ao poder sem um plano de governo verdadeiro. Em muitos casos, o documento serve apenas para prestar contas ao TSE.

No filme “O Candidato”, um dos personagens é o assessor do presidente eleito e, assim que sai o resultado de sua eleição, ele pergunta:

- E agora, Presidente, o que faremos?

No íntimo, fatalmente, essa é a pergunta feita aos eleitos ou por eles próprios a si mesmos.

A preparação política vem de cedo.

É preciso conhecer a cidade, andar nela, conversar com pessoas, atuar em grupos sociais, ler sobre história, política, economia, filosofia, urbanismo, religião. Quantos fazem esse dever de casa?

O preço que pagamos: pessoas altamente experientes em práticas suspeitas de captação de votos e pouca experiência de liderança.

E aqui abro parênteses para definir liderança:

Não se trata de chefiar um exército movido pelo dinheiro ou pela promessa de cargos. Liderar é despertar lideranças. É juntar inteligências. É sonhar junto. Enfim: é manter a esperança de um lugar melhor. Interesses individuais não cabem nessas premissas.

Corrupção são as infinitas maneiras encontradas para chegar ou perpetuar-se no poder, com a desculpa de que isso é necessário, pois o corrupto julga ser um salvador; alguém que precisa “jogar o jogo”, já que foi incumbido da responsabilidade. A sutileza dessa ignorância reside no fato de que raros fazem o dever de casa. Daí a necessidade de recorrer à corrupção para manter o status quo. Lembrete: quem salva é a união, não um só.

Logo, corrupção não se adquire: desenvolve-se ou extirpa-se. (E isso é um exercício diário).

Ela começa quando negligenciamos a responsabilidade e colocamos no dinheiro a força motriz de mobilização. Quando é o dinheiro quem dá a liga, o propósito tende a ser a conquista de mais dinheiro. O refinamento disso é a obsessão pelo poder.

Porém, quando assumimos a responsabilidade de estudo, mais atuação cidadã e política, as ideias passam a ser nosso motor de mobilização, o planejamento das ideias passa a ser nosso trabalho diário e a execução delas passa a ser a nossa responsabilidade.

Quatro anos é pouco para planejar e executar. Que nossos futuros representantes possam aproveitar os anos que precedem suas eleições para fazer o dever de casa. Assim teremos mais executores que corruptores.

Cuidar da causa é remediar. Prevenir é cuidar do efeito.

Medidas punitivas mais rígidas e eficazes remediam. Mas, se não tratarmos dos efeitos, será como cortar a cabeça da Hydra: morre uma e nascem três.

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