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Desafios e oportunidades do Brasil que queremos

Não podemos perder a esperança num país melhor. Afinal de contas, o Brasil é responsabilidade de todos nós.

Com o início do processo eleitoral, muitas expectativas sobre o Brasil que queremos começarão a surgir por parte do eleitorado e muitas promessas serão feitas por parte dos políticos. Em vista disso, um pouco de reflexão e senso crítico não farão mal a ninguém. Caso contrário, correremos o risco de que escolhas erradas nos acompanhem e agravem o já combalido quadro socioeconômico brasileiro nos próximos anos.

Como Administrador, agente público e cidadão que anda pelas ruas e conversa com os mais variados públicos, este que lhes escreve percebe o desinteresse de grande parte da população por assuntos políticos. Em parte, isso tem origem na indignação popular com nossa classe política, fruto dos sucessivos casos de corrupção que têm tomado conta do noticiário nacional. Entretanto, muito desse desinteresse também reside no distanciamento entre os que deveriam nos representar (agentes políticos) e os que não estão sendo devidamente representados (o cidadão).

O debate entre os candidatos a Presidente da República que a Band promoveu na última quinta-feira (09/08/2018) reforçou um pouco do que foi escrito acima: em meio a discussões, frases feitas e jogos de retórica argumentativa, pouco de realmente construtivo para o país se produziu em três horas de debates. Com isso, é bem provável que o cidadão ainda indeciso não se convenceu sobre em quem votar, enquanto o cidadão já decidido, ainda que suas convicções políticas não o permitam dizer, saiu com a sensação de que sua escolha não é o que de melhor há para o país, mas tão somente o “melhor para o momento”.

Apesar disso, não podemos perder a esperança num país melhor. Afinal de contas, o Brasil é responsabilidade de todos nós.

Quando analisamos as falas do debate da última quinta-feira, nota-se o porquê de nosso establishment político estar distanciado da população, numa espécie de conflito de agência que compromete a confiança do principal (a população) em seus agentes (os políticos). Falou-se, por exemplo, em déficit fiscal e em equilíbrio das contas públicas. Porém, a maior parte da população sequer sabe o que é um déficit fiscal. O mesmo vale para a maioria das frases feitas proferidas pelos presidenciáveis.

Somado às constatações acima, ainda vimos nossos políticos oferecerem soluções populistas para desafios que requerem decisões mais estruturadas e com olhar de longo prazo: ao oferecer, por exemplo, a renegociação de dívidas de cerca de 60 milhões de pessoas com o nome inscrito no SPC/SERASA, nota-se que nossa classe política ainda não entendeu que não existe “almoço grátis” e que tal proposta, cedo ou tarde, exigirá mais dos cofres públicos, já afetados pela incompetência de sucessivos governos patrimonialistas e pela corrupção de parte da máquina pública.

Diante do exposto, nota-se que o Brasil que queremos ainda está muito longe do que a atual classe política tem a oferecer. O Brasil não precisa de demagogos. O Brasil precisa de agentes públicos que sejam exemplos pessoais, tenham compromisso com a população e tomem decisões pensando no país a longo prazo, e não em seus projetos de poder de longa data.

Portanto, o que brasileiro de bem deseja é progredir com segurança e sem o peso de um Estado inchado, burocrático e ineficiente. Em outras palavras, o brasileiro de bem quer (e merece) um país onde os serviços públicos de qualidade não sejam mais uma retórica de políticos; onde os agentes públicos estejam a serviço da população ao invés de seus interesses pessoais; em que os direitos humanos não sirvam para proteger direitos e privilégios dos “manos”; e onde os verdadeiros destaques sejam a livre iniciativa e a livre concorrência, e não a elevada carga tributária e os altos salários e regalias da elite do Serviço Público.

Dito isso, este que lhes escreve ficará temporariamente ausente da escrita e publicação de artigos neste site. Um forte abraço a todos, sobretudo à estimada Lizzie, e fiquem com Deus!

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