Donas Reginas, Márcias e Favretos

Encerrada mais uma Copa do Mundo para o Brasil, o momento é de retornarmos à nossa realidade, representada pelas contas a pagar, pelo salário a render até o fim do mês e pelo noticiário político mais tragicômico do que as quedas de Neymar em campo.

Ao passar os olhos pelas notícias mais recentes do nosso cenário político, dois fatos vêm chamando a atenção por um misto de desfaçatez e desonestidade intelectual que nossa estimada Dona Regina jamais admitiria nem mesmo no sofá do programa da Fátima Bernardes. Trata-se da tentativa frustrada de soltura de Lula no último fim de semana pelo desembargador Rogério Favreto e do suposto uso indevido da máquina pública carioca pelo prefeito Marcelo Crivella.

No primeiro caso, Rogério Favreto, desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), tentou soltar Lula durante seu plantão judicial, apesar de o desembargador em questão não ser o magistrado natural do caso e de o recurso contra a prisão do ex-mandatário da nação estar sob análise do Superior Tribunal de Justiça (STJ), instância judicial superior ao TRF4.

Nesse caso, prevaleceram a Lei e o bom senso: tanto o relator do caso quanto o presidente do TRF4 derrubaram a tentativa de soltura de Lula pelo plantonista Rogério Favreto, filiado ao PT de Luiz Inácio durante quase duas décadas e ex-assessor de José Dirceu no Ministério da Casa Civil.

Mais uma vez, PT et caterva demonstraram desleixo pelo Estado democrático de Direito e tentam sistematicamente tumultuar o bom funcionamento das instituições republicanas, seja mediante ofensas e ataques promovidos por sua militância, seja pela atuação perniciosa de seguidores infiltrados nas entranhas do Estado brasileiro. Apesar disso, Sérgio Moro e demais magistrados do TRF4 demonstraram sabedoria e profissionalismo para lidarem com mais uma tentativa de golpe contra o legado da Operação Lava Jato.

No caso envolvendo o suposto uso indevido da máquina pública carioca pelo atual prefeito, trata-se de denúncia veiculada em diversos canais, tendo por base a gravação de uma reunião realizada pelo prefeito Marcelo Crivella com pastores evangélicos. Na gravação, Crivella aparece oferecendo a agilização de uma série de benefícios para os presentes e seus respectivos “rebanhos”, de liberação de cirurgias de catarata até o remanejamento de pontos de ônibus para facilitar o ir e vir de fiéis às igrejas representadas na reunião.

Como consequência das denúncias descritas acima, o Ministério Público fluminense estuda a propositura de uma ação de improbidade administrativa contra Marcelo Crivella, isso sem falar nos pedidos de impeachment do prefeito que vêm sendo formulados a partir dessas denúncias.

A esta altura, cabe-nos o seguinte questionamento: como essas duas notícias afetam as nossas vidas?

Em ambas as situações, fica notória a necessidade de se repensar o aparelho do Estado brasileiro, representado pela máquina pública nos âmbitos federal, estadual, distrital e municipal. E o repensar quer dizer enxugar toda essa máquina, eliminando feudos e benesses de corporações, otimizando resultados e abrindo caminho para que o cidadão brasileiro possa exercer plenamente sua livre iniciativa, com segurança jurídica e num contexto em que as relações sociais se processam de maneira pacífica e harmônica. Os cidadãos de bem, que trabalham, estudam e não cultuam bandidos de estimação, já não suportam o caos econômico-social resultante do uso político e da dilapidação dos recursos de instituições que deveriam se prestar ao interesse público.

No caso do Rio de Janeiro administrado por Marcelo Crivella, enquanto o prefeito passa para pastores e seus rebanhos o telefone da Márcia, a desordem urbana toma conta das ruas daquela que detém o título de Cidade Maravilhosa: as ruas da capital fluminense estão cada vez mais deterioradas, ônibus circulam caindo aos pedaços e vendedores ambulantes sem qualquer tipo de credenciamento perante a Prefeitura atuam livremente em diversos pontos do Rio de Janeiro, oferecendo diversos produtos sem qualquer comprovação de origem, o que vem fomentando cada vez mais a clandestinidade na economia local.

Dessa forma, Crivella não está cuidando das pessoas como prometido em campanha, e sim deixando que a sua incompetência administrativa conduza a capital fluminense à beira do caos. E quem ganha com isso é quem aposta no “quanto melhor, pior”: milicianos, traficantes e caudilhos travestidos de líderes religiosos, ongueiros e intelectuais.

Diante do exposto, ou a sociedade brasileira se mobiliza num esforço de renovação do sistema político-administrativo vigente e passa uma régua na máquina pública, ou as Donas Reginas deste país continuarão lidando com fardo pesado de Favretos e Márcias instalados na máquina pública.

Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!

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