Feliz dia da mulher: as administradoras tem o que comemorar?

As administradoras merecem seu espaço profissional de maneira igualitária e justa. A crítica ao desequilíbrio de oportunidades entre gêneros deve ser discutida de maneira contínua para reverberar os anseios de uma sociedade em constante mudança.

A hipocrisia marca nossa sociedade nos dias atuais. A mídia divide suas manchetes em mensagens de "Feliz dia da Mulher" com "Companheiro indignado com término do relacionamento espanca ex-mulher por quatro horas". A ambiguidade dessa situação leva à muitos questionamentos e, em relação às profissionais administradoras, um preocupante cenário sobre sua atuação profissional. E mais, há o que comemorar?

A vertente que SIM, defende que comemorar a data é um esforço simbólico, representativo em uma sociedade desigual que precisa fazer constantes reforços à grupos vulneráveis (como se o fato de ser "mulher" fosse vulnerabilidade, mas em nossa sociedade muitas vezes pode representar um perigo real).

A vertente que NÃO, defende que comemorar o espancamento diário de mulheres, o preconceito, as desigualdades profissionais e de ganhos, definitivamente não estimula nenhuma celebração.

Respeitando a temática específica do ambiente profissional, é fato que as administradoras disputam de maneira desigual as chances de mercado. Quanto conseguem seu espaço, a remuneração reflete o preconceito, sempre velado, sempre sinistro, escondido entre a oferta de oportunidades e tratativas "ligeiramente" discrepantes. 

Ainda, no convívio social, a obrigatoriedade das aparências físicas, do manequim, da figura expositiva do corpo e da imagem que pouco condiz com as especificidades do cargo. Homens não precisam garantir vagas intelectuais por aparência. Homens não são cobrados pelo conjunto da obra "roupa/sapato/cabelo". Aliás, qual a relevância desses aspectos nas atividades de gestão, se as funções de planejamento, organização, direção e controle não especificam "aparência e vestuário"?

Claro que esta é a parte mais rasa, mais aparente do problema. Mulheres são tratadas de maneira desigual. Recebem menos benefícios. São menos ouvidas. Suas ideias são menos aplicadas. E, quando conseguem cruzar o crivo machista das decisões, existe um grande risco de ou são redesenhadas ou precisarem do aval de um homem.

Engana-se quem acredite que esse cenário repulsivo ocorre em ambiente menos desenvolvidos, que não há espaço para o preconceito em multinacionais ou mesmo que isso é algo que ocorre em pequenas empresas. Grandes corporações disputam de maneira acirrada as atenções, ambientes aos quais os problemas são muito maiores, já que a exposição e os ganhos também são mais competitivos. O impacto dos grandes negócios tem peso maior nessas questões e, quando ocorre, refletem a realidade de uma prática da sociedade. Nada mais cruel que uma prática: ela ocorre de maneira sistemática, sem que as pessoas percebam, e as desigualdades são perpetuadas de maneira natural, sem que haja questionamento da sociedade.

Ainda bem que as coisas não estão, ao menos, completamente ignoradas. O "Falar sobre o Assunto" contribui para reverberar um desejo da sociedade de mudança. Que as administradoras conquistem seu espaço e sintam-se amparadas pelo fato de muita gente acreditar que o caminho da igualdade não representa o aumento da competitividade e sim um ambiente de cooperação mútua. Que mulheres e homens possam exercer sua plena capacidade intelectual com dignidade e igualdade. Que não se pratique mais a diferença profissional, o desequilíbrio da remuneração, a diminuição da capacidade e o abafamento da opinião.

As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.

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