Tanque cheio por menos de R$ 0,01 no país com a maior reserva de petróleo do mundo

Barril de 159 litros de gasolina sai por cerca de R$ 0,03 na Venezuela. País tem quase 25% do petróleo do mundo, diz Opep. Mesmo assim, sabão, comida e vida faltam no dia a dia.

Reprodução/Pixabay

O que leva um país que é dono das maiores de reservas de petróleo comprovadas do mundo a afundar em crises políticas e econômicas que fazem faltar comida e até sabão nas prateleiras? Por outro lado, o valor de um pacote com 47 fraldas pode comprar 33 mil litros de gasolina quase pura - o que nem de longe é a que temos disponível no Brasil.

De acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a Venezuela é dona de quase 25% do petróleo mundial, à frente da Arábia Saudita (21,9%), Emirados Árabes (8%) e também tem mais petróleo que o país sede da copa do mundo de futebol de 2022, o Catar (2,1%).

Tudo bem, pode parecer injusto comparar o Catar, um país 76 vezes menor que a Venezuela - em território - e com uma população 15 vezes menor. Por outro lado, é preciso ressaltar que a reserva de petróleo do país latino é mais de 10 vezes maior que o árabe e, ainda assim, o segundo domina o posto de maior PIB per capita do planeta: US$ 144,426.

Não tenho informações do valor da gasolina no Catar, já na Venezuela o valor é quase inexistente. Segundo levantamento da Folha de S. Paulo, um barril do combustível com 159 litros custa um centavo de dólar (ou cerca de R$ 0,03).

Do outro lado da fronteira, as notícias são das mais absurdas em quaisquer termos. O preço da gasolina que é praticamente gratuita é apenas um mote para se debater as notícias venezuelanas. Os alimentos são escassos e o salário mínimo não passa de R$ 50, convertendo-se a moeda.

O questionamento que fica é o seguinte: como tanto potencial pode ser desperdiçado? Com tanto poder em recursos naturais, o próprio petróleo poderia ser o subsídio para alavancar o projeto bolivariano, mas cadê? O caso se iguala ao do chefe que, com medo de ser ultrapassado, mantém um funcionário capacitado e proativo em função de auxiliar.

Ideologia, é preciso uma pra viver

No campo ideológico, há defensores do Presidente Nicolás Maduro que defende suas ações. "Ele precisa agir dessa forma porque ele está sendo ameaçado", disse uma amiga minha quando debatíamos sobre a nova assembleia constituinte da Venezuela que foi votada em 31 de julho deste ano.

Reproduzo aqui um questionamento que a fiz e foi endossado por outros companheiros de redação: realmente vale tudo para se manter no poder? Acabar com o país, fazer a população passar fome, aplicar golpe sobre golpe e romper com os princípios ideológicos para se manter no poder de um governo falido e sem apoio popular nem internacional?

Nem mesmo o Mercosul quer saber de Nicolás no poder; menos ainda podemos falar da figura controversa e fanática de Donald Trump, que governa um dos países mais poderosos do mundo.

Mesmo os Estados Unidos comprando mais de 700 mil barris de petróleo por dia da Venezuela e ameaçando o próprio mercado consumidor, sanções têm sido aplicadas (o país latino produz cerca de 2 milhões de barris por dia). A China aparece no cenário venezuelano como um fôlego, um dos derradeiros suspiros em cenários de leito de UTI.

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