Gerenciamento de crises - a priorização da vida

As tragédias se repetem, em muitos casos por motivos similares, a falta de preparo e de planejamento de ações para enfrentar situações de crise.

As tragédias se repetem, em muitos casos por motivos similares, a falta de preparo e de planejamento de ações para enfrentar situações de crise. A busca por uma lucratividade maior, desrespeitando a legislação, seja pelo excesso de pessoas, seja pela falta de estrutura do local, do preparo das pessoas que deveriam cuidar da segurança dos clientes e funcionários, etc. Imagino a quantidade de famílias que foram afetadas de maneira inequívoca, pelo resto de suas vidas com a perda de um filho, irmão, parentes e amigos em tragédias, como a da boate Kiss, em Santa Maria. Pessoas que jamais terão suas rotinas de volta. Todos nós compartilhamos da tristeza desses familiares e lamentamos que fatos como esse se repitam, ceifando vidas de jovens.
Quando tomamos conhecimento de uma trágica notícia, nos lembramos de outras, infelizmente bastante parecidas que ocorrem em diversos lugares e foram notícias.

Algumas dessas tragédias foram amplamente divulgadas e muito parecidas com a da boate Kiss.

Alguns exemplos:

Em 2001, num show de samba em Minas Gerais morreram seis pessoas devido ao uso de fogos de artifício e a falta de saídas de emergência.

Em 2002 morreram cerca de 50 pessoas no incêndio de uma boate na Venezuela.

Em Buenos Aires, na Argentina, em 2004 um incêndio numa boate matou 194 pessoas, e também teve início pelo uso de fogos de artifício.

Ainda em 2004 um incêndio ocorrido num supermercado de três andares no Paraguai teve as portas fechadas por decisão dos donos e gerente para evitar que as pessoas saíssem sem pagar.

A decisão tomada durante a emergência (incêndio) causou a morte de 374 pessoas, nove ficaram desaparecidas e outras 500 pessoas ficaram feridas.

A falta de prevenção acabou com a vida de muitas pessoas, não só daquelas que morreram, mas também dos parentes e amigos que sobreviveram.

Outro exemplo da falta de visão em prevenção são os desastres naturais.

Na edição nº 1034 da revista Exame (06/02/2013) mostra que o Brasil é o 14º colocado num ranking de 2000 a 2011 sobre o total de pessoas atingidas em desastres naturais, de furacões a secas. Também mostra que estamos em 29º no ranking de mortos na mesma pesquisa. É interessante observar que os Estados Unidos aprecem em 1º lugar, seguido pelo Japão em número de perdas materiais. Talvez porque lá eles não tranquem as portas de saída e invistam mais em prevenção. Na conclusão da pesquisa mostra que gastamos mais na reação do que na prevenção.

Em outras oportunidades comentei que os planos, sejam eles quais forem, de segurança, emergência ou de continuidade do negócio deve seguir uma sequência basilar para todos os profissionais de segurança, a qual é:

1º - VIDA;
2º PATRIMÔNIO;
3º CONTINUIDADE DO NEGÓCIO.

Todas as vezes que se alterou esta sequência os resultados foram desastrosos.

Como escreveu Maquiavel “... mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela..”

A segurança é necessária em qualquer tipo de negócio e tem alguns princípios, como: dar condições para que as empresas produzam, que prestem serviços, diminuindo seus custos internos a partir da mitigação dos riscos e das perdas do negócio. E isso não vai mudar!

Porém, é necessário entender o papel da segurança empresarial que é, a partir desses princípios, manter ou melhorar o nível de segurança da empresa e isso tem custo. E isso não vai mudar!

É interessante perceber como nas empresas somos cobrados para reduzirmos os investimentos em segurança e cortarmos gastos e quando acontece alguma tragédia como a de Santa Maria, todos são unânimes em criticar a falta de segurança. A falta de investimento em segurança.

Mas será que ela só serve para as empresas e locais onde nós frequentamos e exigimos segurança, (mas na nossa empresa é diferente).

É preciso entender que a segurança é um diferencial que sempre teve valor e hoje mais ainda.

Um pequeno exemplo: Quando nós procuramos um imóvel, observamos as condições de segurança, a localização, se há enchentes naquela rua ou em suas proximidades, os níveis de criminalidade, etc. Tudo isso faz parte da segurança e se encontramos um local adequado ele será mais caro do outro que não tenha as condições ideais. E isso não vai mudar!

Precisamos desenvolver uma cultura de segurança, onde todos reconheçam as necessidades e seus valores e não só exigirmos isso dos outros.

Sei que não é tarefa fácil, mas é uma luta da sociedade e não só de um segmento.
Precisamos - urgentemente, diminuir nossas perdas humanas.

Não são apenas leis que precisam ser atualizadas, é necessária uma mudança de postura do cidadão. Se isso não ocorrer as demais mudanças não ocorrerão.

Julgo poder ser verdadeiro o fato de a sorte ser árbitro de metade das nossas ações, mas que, mesmo assim, ela permite-nos governar a outra metade ou parte dela. (Niccolo Maquiavel).



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Tags: crise patrimônio planejamento vida

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