Há uma nova forma de economia se configurando na sociedade atual

No início, éramos todos artesãos. Havia o sapateiro que fazia sapatos, a costureira que fazia roupas. E vendíamos para a comunidade do entorno, ou quando ficávamos famosos, até reis e princesas mandavam buscar uma roupa, um móvel, um sapato. Depois o mundo organizou-se na sociedade industrial. Começamos a ter as fábricas que faziam calçados, com vários empregados, e esse processo, por ser mais barato, foi matando o trabalho artesanal que não se diferenciava de alguma forma.

Com o tempo, a tecnologia auxiliou na automação dos processos fabris e as máquinas ocuparam o lugar das pessoas. Esta automação ainda está em curso, em função das possibilidades da tecnologia, que traz novidades a cada minuto. Esse excedente de profissionais antes agrupados nas fábricas, foi procurar o seu sustento de outras formas.

Há 3 fatores influindo na organização da sociedade de uma outra forma no mundo atual:
- Esse excedente de pessoas que, agora, em época de crise, precisa encontrar uma forma de ganhar dinheiro;

- A tecnologia que, com novos sites, nos permite encontrar o que queremos na hora que queremos;

- A questão do prazo, que hoje em dia é fundamental. Não quero ficar procurando um caricaturista por horas na Internet. Quero um site que me diga onde encontro e contrato vários caricaturistas. Não temos tempo a perder. O Google nos ajuda a encontrar o que queremos, mas o trabalho de garimpar ainda é nosso.

É desta forma que a revista The Economist, em 3 de janeiro deste ano, prevê a nova organização do mercado de trabalho. Sabemos que a tecnologia já permitiu que pudéssemos encontrar um táxi usando um aplicativo, como por exemplo, o 99taxi ou o Easytaxi, mudando completamente a forma como as organizações se aglutinam.

Provavelmente hoje, ha menos pontos de táxi (ou táxis parados no ponto) ou cooperativas de taxi, porque a tecnologia veio permitir que encontremos o serviço facilmente por algum dos aplicativos. A modernidade também permitiu que o público em geral pudesse alugar um quarto de um hotel pequenino, que não teria como fazer seu marketing, a partir da inclusão de sites como o Trip Advisor, o Booking.com, o hotel.com e outros sites semelhantes, inclusive com opiniões de usuários, que qualificam o hotel/hostel/pousada dando notas em relação a vários quesitos.

Mas estamos vendo um movimento diferente no mercado! A tendência é que cada um seja a sua própria empresa, retornando assim, ao ciclo de artesãos. Como isso se dá? Peguemos , por exemplo, o site www.airbnb.com ou o site www.wimdu.com.br . A partir deles, você pode alugar um quarto na casa de alguém por um período definido e “sentir-se hospedado na casa de uma tia”, com um custo muito menor do que o custo de uma estadia num hotel. O site Airbnb registrou um crescimento de 5.000 de faturamento para mais de 90.000 em um ano, segundo reportagem da Veja, de 5 de agosto de 2012.

No artigo de 8 de janeiro, de Paulo Guimarães no Jornal do Commercio, a Airbnb encerra 2013 esbanjando um crescimento vertiginoso. No ano, foram adicionados mais de 250 mil anúncios no seu site, totalizando cerca de 550 mil ofertas de acomodações em todo o mundo. Também em 2013, a companhia atingiu o marco de 10 milhões de pessoas hospedadas por meio da plataforma, desde o seu lançamento em 2008. Estão listados espaços em cerca de 34 mil cidades, de mais de 190 países. Somente no município de Nova York são cerca de 25 mil acomodações disponíveis, disputando a liderança de ofertas com Paris, em patamar semelhante. Na China, onde a companhia sequer possui escritório, o site já é o principal intermediário de aluguéis para temporadas.

Pelo site www.uber.com você, pessoa física, com seu próprio carro, pode servir de táxi ou de carona para alguém que vai à mesma direção que você. Também pelo site www.freelancer.com contratar o serviço de profissionais que estão disponíveis “on demand”.

Nos Estados Unidos já existem sites que reúnem médicos e advogados “on demand”, que, sem serem funcionários de uma empresa específica, podem resolver os problemas do público em geral provavelmente com um custo mais baixo, por não investirem em aluguel, marketing ou leis trabalhistas.

Clay Shirky, consultor sobre efeitos sociais e econômicos em função da Internet, já tinha escrito, em 2008, o livro “Here Comes Everybody”, em português publicado com o título “La Vem todo mundo”, o poder de organizar sem organizações. Clay Shirky já dizia que novas tecnologias permitem novas formações de grupos. Quando mudamos a forma pela qual nos comunicamos, mudamos a sociedade. Como no caso das abelhas, a colmeia é um dispositivo social, uma peça da tecnologia da informação das abelhas que fornece uma plataforma para comunicação e coordenação que tornam a colônia viável. E a tecnologia nos permite criar ferramentas que propiciam maneiras simples de criar grupos novos, e mais tipos de grupos.

Segundo o artigo do The Economist, o número de investimentos na economia “on demand” vem aumentando significativamente nos Estados Unidos e no resto do mundo. Esta não é uma moda que vai passar. Esta é uma tendência de mercado.

De que maneira esta tendência mexe com as instituições já estabelecidas? Os grandes hotéis deixam de existir em função de todos alugarem seus quartos? E os táxis? E as consultorias de advogados, de economistas? O que será dos cursos de idiomas se em algum site você puder achar diretamente professores particulares de idiomas, via internet ou perto da sua casa? Como o governo vai cobrar impostos desses serviços? Com os smartphones assumindo importância cada vez maior no mundo hiperconectado, até onde irão essas novas formas de organização?

Sabemos que a extinção de empregos do modelo da sociedade industrial não será um problema. A sociedade se reorganiza e cria novas funções, novas possibilidades na sociedade on demand. E as empresas se reestruturarão, com certeza, em função das novas possibilidades, buscando outras formas de inovar.

O importante é encarar a mudança com naturalidade, como parte integrante da nossa vida. Tudo o que sabemos é que o mundo inovará sempre e que as premissas do passado não são válidas no mundo futuro. O importante é detectar essas mudanças que surgem e sermos parte dela, como agente de transformação, antevendo as barreiras e oportunidade que surgem nesse contexto.

Gosto de estudar o futuro porque é lá que vou passar o resto da minha vida, eu disse em 2009, no meu post. Esta frase, mais do que nunca, continua tremendamente importante.

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