Identidade pública

Passados alguns meses e distantes do calor que atacou o enfraquecido instinto patriótico do brasileiro, agora temos a oportunidade de refletir sobre as manifestações populares de ruas em meados deste ano

Walber de Oliveira,

Dizia uma das palavras de ordem que a meu ver sintetizam bem todo esse contexto: “Vocês não nos representam!”. Primeiro, uma breve análise: Findo os primeiros seis meses dos atuais governos municipais, estaria esta frase demonstrando um descontentamento geral com os recém-empossados políticos? Se já detinham, com pouco tempo de gestão, parte da preferência negativa da população a quem mais se destinava tais interpretações?

Aos governos estaduais e suas respectivas assembléias legislativas, coube uma significativa renovação dos seus quadros há pouco mais de dois anos e meio. Teria sido esta renovação insuficiente para atender aos anseios da população? Em quanto caberia ao governo, deputados federais e senadores uma parcela desta insatisfação tão relevante e de súbito furor?

Já dizia um antigo conhecido “uma coisa é ganhar a política, outra coisa é administrar...” Talvez isto explique em parte, a súbita mudança de humores da população em relação aos seus representantes. E também seja a confirmação que o comportamento dos políticos difere numa e noutra situação. O fato é que em nosso modo característico de desenvolver política referendamos esse procedimento ao admitir que, na prática, há uma relativa troca de favores. Tipo: “...eu lhe dou o voto e você atende aos meus interesses pessoais!”

É fato também que não há nenhuma garantia que nossos representantes cumprirão seus programas de governo antes promovidos em campanha. Não havendo um compromisso tácito por parte deles e isto não sendo objeto de apreço e nem de curiosidade por parte da população durante o mandato, advém uma decepção natural.

Constatamos ainda que não há uma preocupação clara da população em analisar propostas políticas, pois que elas são exaustivas e complexas para uma grande parte de indivíduos. E não serão passíveis de realização em sua maioria, por manterem no seu cerne contradições de ordem prática e até impropriedades jurídicas. Ou seja, “... são apenas promessas!”

Mas se “cada povo tem o governo que merece” e “melhoras não ocorrem da noite para o dia”, o que fazer então? Aprender com nossos erros é o primeiro ensinamento. Depois, interpretar entre as pessoas que se arvoram a nos representar, se elas têm competência para uma qualidade que chamo de identidade pública.

Segundo, MACEDO, Roberto Gondo e CASTILHO, Alessandra de “As conjunturas contemporâneas relacionadas ao desenvolvimento econômico, social e regional estão diretamente relacionadas em como que o poder público conduz políticas estratégicas de gestão e comunicação para fomentar a construção de uma identidade pública com a sociedade. Essa interação propicia o fortalecimento da credibilidade intrínseca com os atores políticos envolvidos no processo.”

Ela vem fazendo falta para aqueles que assumiram certos postos públicos atualmente, por encontrarem a partir daí, uma dificuldade em converter suas promessas de mandato em realizações de fato. E por não encontrarem na rotina da gestão administrativa e do poder os meios flexíveis que existem comumente nas relações interpessoais. Empossado, o gestor público tem que atender ao rigor de Programas Fiscais e Planos Plurianuais de Governo além de ter que administrar déficits orçamentários remanescentes de gestões anteriores ou atuais. O que demanda competência e capacidade de empatia com o público.

Então faço minhas também as propostas dos autores acima citados, para começar a solucionar nossas questões de identidade política, segundo a qual é necessário “construção de laços com a comunidade via ações de comunicação, permitindo maior dinamismo e estruturação política”.

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