Inteligência Relacional: o que é?

Inteligência Relacional vem ganhando as bancas de revistas, livrarias e não demora muito para aparecer os ditos especialistas no assunto

Inteligência Relacional vem ganhando as bancas de revistas, livrarias e não demora muito para aparecer os ditos especialistas no assunto.

Mas afinal de contas o que realmente é? Será mais uma invenção para vender livros e consultorias ou realmente transformador?

Antes de adentrarmos nesse assunto é importante compreendermos o que é inteligência, para não fazermos julgamentos equivocados achando que é apenas mais um termo para se vender no mercado.

Conceito de Inteligência Antigo

Na minha época de aluno escolar o que se entendia por inteligência era apenas a capacidade de tirar boas notas nas matérias aplicadas pelas escolas.

A única classificação em minha época para avaliar uma pessoa sobre sua inteligência, estava relacionada às notas que poderia tirar com base nas matérias aplicadas.

Se você não tivesse um bom desempenho emportuguês, matemática, ciências biológicas, história e geografia, certamente sua classificação era de burro. Eu entrei nessa classificação por diversas vezes.

Naquela época você ser bom em outras coisas além das matérias ensinadas, não era sinônimo de algo sério. Na verdade, praticar esportes ou qualquer outra atividade diferente do que era ensinado dentro de uma sala de aula era visto como diversão.
Mas será que avaliar uma pessoa apenas pela nota escolar pode ser fator para o sucesso dela?

A resposta viria mais tarde quando uma nova geração começasse a fazer na prática, onde muitos não saíam da teoria.

A teoria das Inteligências Múltiplas

No ano de 1980, uma equipe de psicólogos da universidade de Harvard liderada pelo psicólogo Howard Gardner, buscando analisar e descrever melhor o conceito de inteligência, afirmou que a psicometria não era suficiente para avaliar se uma pessoa
era ou não inteligente.

Howard Gardner, classificou as inteligências utilizando critérios de acordo com cada área estudada, que mais tarde ele classificou em sete tipos de inteligências existentes e
mais à frente duas outras foram acrescentadas à lista.

  • Lógico-matemática
  • Linguística
  • Musical
  • Espacial
  • Corporal-cinestésica
  • Intrapessoal
  • Interpessoal
  • Naturalista e Existencial (adicionadas posteriormente)


Gardner quis mostrar que o fato de uma criança ser genial para fazer cálculos matemáticos desde cedo, não necessariamente ela será mais inteligente que uma outra
que goste de escrever livros, dançar, compor músicas, praticar esportes etc…

Basta olhar dentro do seu contexto social e você notará pessoas que talvez não tenham habilidades com alguma área, mas possuem sucesso no que fazem, enquanto outras que possuem tanto conhecimento em suas áreas não conseguem sequer sair do
lugar.

As inteligências não podem ser classificadas com grau de significância mais relevante umas das outras. Todas elas tem sua importância, o que acontece é que pessoas com um tipode inteligência querem fazer algo completamente diferente de suas habilidades nativas.

Ao invés de potencializar o que tem de melhor, optam por desenvolver habilidades que julgam ser melhores que as suas porque outras pessoas “são mais bem sucedidas” nessas áreas.

Quem nunca foi comparado pelo professor com o colega de classe que só tirava 10 ou ao irmão, primo ou filho do vizinho?
A “junção” + “simplificação”= “evolução” das inteligências

No ano de 1986, o pHD da universidade de Harvard considerado o pai da inteligência emocional, o psicólogo Daniel Goleman, apresenta ao mundo sua teoria em forma de livro: Inteligência Emocional.

Goleman nos ensina que as emoções são elementos essenciais para o desenvolvimento da inteligência em um indivíduo. Suas pesquisas revelam que genética
perfeita ou sorte, está associada a uma inteligência emocional bem desenvolvida. Ou seja, a inteligência emocional é o maior responsável pelo sucesso de uma pessoa.

Segundo a definição de Daniel Goleman, Inteligência Emocional é a “capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos.” Seguindo a linha de raciocínio de Daniel Goleman, não importa no que você é bom, mas o quão sabe lidar com suas emoções no que você faz. Sua capacidade de se auto-desenvolver deve ser maior doque as dificuldades encontradas.

Para Goleman, a inteligência emocional pode ser categorizada em cinco habilidades que podem ser desenvolvidas.

  • Autoconhecimento emocional
  • Controle emocional
  • Automatização
  • Reconhecimento das emoções em outras pessoas
  • Relacionamentos interpessoais


Seja como um engenheiro que ao projetar um prédio ele precisa saber lidar com os imprevistos que poderão acontecer ou como um escritor que ao iniciar sua obra terá dificuldades e falta de criatividade em alguns momentos, ou um atleta que ao ter alguma lesão, precisará enfrentá-la com sabedoria.

E a Inteligência Relacional? Onde ela entra?

Com tantas nomenclaturas e derivações de inteligência, certamente você ficou curioso para saber sobre a Inteligência Relacional, a cereja do bolo.

Por mais que ainda seja algo pouco falado, já é muito presente em nossas vidas assim como as outras inteligências citadas nos tópicos acima. Relacionar-se com as outras pessoas é algo que vem se tornando mais necessário em tempos onde o digital tem forte presença.

Temos a necessidade de saber como as pessoas são, como elas vivem, o que comem, que lugares frequentam, onde passam suas férias, caso contrário, não haveriam redes sociais como Instagram, Facebook e certamente, você não estaria presente em pelo menos uma delas.

Saber se relacionar com os outros à sua volta, é compreender que o mundo não gira em torno de si próprio. A dependência emocional por validação de pessoas, que nem são tão importantes em nossas vidas, tende a servir como uma bússola para nos
nortear, o que é um tremendo erro de nossa parte.

Tendemos a criar grandes expectativas que são na maioria das vezes, responsáveis pelas nossas frustrações.

O filósofo Mário Sérgio Cortella diz que a filosofia tem uma fórmula antiga que serve para calcular a felicidade:

Felicidade = realidade – expectativas

Depositar expectativas em outra pessoa não é desconfiar ou achar que ela não irá fazer absolutamente nada, mas entender que o maior responsável pelos seus resultados não são os outros, mas sim suas próprias atitudes.

Não que criar expectativas seja errado ou algo que você jamais deva fazer, afinal de contas ter esperanças é algo que deve nos mover em direção a algo positivo. O que não podemos fazer é criar expectativa maior do que realmente a outra parte pode nos
proporcionar.

Quando criamos expectativas altíssimas em uma situação ou em uma outra pessoa, transportamos para elas a responsabilidade de nos satisfazer.

Você pode acreditar que merecia uma promoção, cumpria os horários, fazia a hora do almoço sem atrasos. O seu colega de trabalho não cumpria os horários certos, mas entregava resultados maiores que o seu e dos seus colegas.

A filosofia e a psicologia explicam muito sobre nossas falhas. Temos a tendência em culpar as outras pessoas pelos nossos fracassos simplesmente por ser mais confortável do que assumirmos a responsabilidade e reconhecer que grande parte dependia apenas de nós mesmos.

Um exemplo para "testar" sua inteligência relacional é sentar para conversar com uma pessoa que tem posicionamento completamente diferente do seu. Tem se tornado cada vez mais desafiador dialogar com pessoas que tem opiniões distintas das nossas.

Temos nos tornado especialistas das próprias opiniões, acreditando que aquilo que dizemos é o mais correto. Polarizamos e excluímos ou achamos “fora dos padrões” aquele que tem uma opinião diferente, fazendo de nós criadores e apoiadores de verdades que possam nos beneficiar.

Tente conversar sobre política com alguém que tem posicionamento diferente do seu e veja por quanto tempo conseguem dialogar sem exaltar. Ou tente falar com alguém que tenha uma compreensão diferente da sua sobre a diversidade, a qual vem sendo amplamente abordada recentemente nos programas de TV, novelas, filmes etc.

Perceba que sua opinião é sua, já que vivemos um multiuniversos, onde cada ser cria sua realidade, cada qual tem um histórico de vida diferente, experiências distintas e aprendizados mistos.

Estamos passando por uma “era” onde lidar com pessoas tem se tornado cada vez mais desafiador. Se olharmos para o cenário atual, por mais que o mundo torne-se cada vez mais tecnológico e cada um fique mais tempo no seu “quadrado”, mais a opinião divergente da sua, causa desconforto.

Se você quer desenvolver sua inteligência relacional comece hoje a olhar para a opinião diferente como algo que lhe falta para seu conhecimento, não que você precise concordar ou aceitar, mas sim respeitar a opinião e entender que aquela pessoa tem um histórico de vida diferente do seu. No final, o que fica é que ambos podem aprender uns com os outros e a falta de um pode suprir a necessidade do outro.

Ainda que tenhamos evoluído ao longo dos milhares de anos, podemos afirmar que os estudos relacionados a personalidade humana é como uma gota no oceano. Os estudos avançarão, outros cientistas virão, novas descobertas farão grandes reviravoltas e nunca saberemos tudo.

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