Motivação para o trabalho: o dilema de Maslow

Artigo discute a questão da motivação para o trabalho utilizando a teoria das necessidades de Maslow.

Na visão de Maslow, o comportamento de uma pessoa no trabalho é determinado por sua necessidade mais premente. Assim, para se entender porque uma pessoa é ou não motivada no trabalho, é preciso entender suas necessidades mais importantes. Em sua teoria, Maslow estabelece uma hierarquia de necessidades humanas, aparecendo as fisiológicas em primeiro plano, seguindo as de segurança, social, estima e finalmente auto realização.  Ora, uma pessoa que esteja com problemas de alimentação, habitação e saúde não tem condições de ser motivada para a realização de um trabalho realmente produtivo ou para ser mais exato: criativo e comprometido. Satisfeitas essas necessidades básicas, incluindo as de segurança, social e autoestima, teremos o trabalhador pronto para ser mais produtivo, criativo, colaborativo e mais alguns adjetivos que constam nos sonhos dos empresários.

É evidente que todos eles imaginam uma sociedade perfeita em que todos trabalham por prazer e se realizam por meio do trabalho. Infelizmente, as coisas não funcionam bem assim e muitas vezes vemos como são frustrantes muitas tentativas de solucionar esse problema. É óbvio que Maslow não estava totalmente errado, mas a regrinha não funciona sempre, de forma mecânica, pois o ser humano pode às vezes ser movido por fatores não controláveis que coloca exaustivas teorias na vala comum dos estudos nunca aplicados ou que não deram certo.

Para não deixar Maslow descansar, poderíamos perguntar ainda: “Por que um pedreiro esfarrapado, morando em péssimas condições, ganhando um salário baixo, ainda consegue realizar um trabalho primoroso”? No caso, ele passa diretamente das necessidades de segurança para a auto realização, dando um, by-pass nos demais estágios da hierarquia das necessidades.

O que motiva o homem afinal? A resposta não é fácil e parodiando Shakespeare “Há mais mistérios entre o homem e o trabalho do que pensa nossa filosofia”. Algumas empresas chegam a acentuar exageradamente o motivo segurança ao implantar programas complexos de vantagens como planos de saúde, seguro de acidentes, seguro de vida, previdência privada etc. Embora essa acentuação de segurança possa fazer com que as pessoas se tornem mais dóceis e previsíveis, não significa que se tornarão mais produtivas. Na realidade, se a criatividade ou a iniciativa são necessárias em seus trabalhos, um foco excessivo na segurança pode prejudicar o comportamento desejado. Nesse caso, o efeito pode ser contrário, tornando o comportamento excessivamente cauteloso e conservador.

De qualquer forma pode-se inferir que satisfazendo as condições básicas de sobrevivência e segurança, em condições de trabalho que possam sugerir alguns princípios básicos de equidade, justiça, respeito pelo ser humano, pode-se com alguma margem de segurança obter dos trabalhadores disposição para o trabalho e identificação com os objetivos organizacionais.

Complementam-se com a implantação de sistemas participativos que realmente expressem a vontade da direção em fazer com que os funcionários participem das decisões minimamente cotidianas. Assim, pode-se obter dos trabalhadores a lealdade, dedicação, criatividade e, sobretudo interesse pelo desenvolvimento da organização. Esses sistemas participativos, não importando o nome atribuído, devem expressar uma filosofia de trabalho, uma vontade clara e transparente do corpo dirigente e não apenas um modismo passageiro com objetivos de curto prazo. Aliás, implementar um sistema de gestão participativa visando, sobretudo resultados de curto prazo como redução de custos, de pessoas, de matéria-prima pode levar programas bem estruturados ao fracasso. Quando se aborda filosofia de trabalho participativo deve-se entender como uma gama de valores que expressam mudanças de atitudes de forma permanente e não apenas para atingir objetivos imediatos.

Muito se escreveu sobre a mais valia, a exploração do capital sobre o trabalho, a apropriação do excedente pelos capitalistas, a alienação do trabalho etc. No entanto, os modelos socialistas históricos, no caso da União Soviética, países do leste europeu e China, excluíram os capitalistas, mas mantiveram o mesmo sistema de relações de trabalho, aliás, bem ao gosto dos tayloristas do início do século. Afirma-se que Lenin era um admirador, ainda que discreto, dos ensinamentos de Taylor. Enfim, a alienação do trabalho nos regimes inspirados pelo marxismo permaneceu a mesma e em alguns casos, significativamente pior do que nos países capitalistas.

 

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Tags: Maslow motivação pirâmide das necessidades