O crime de Rodrigo Caio: fazer o que era certo

Jogador avisou árbitro sobre erro contra adversário e acabou execrado pela torcida de seu time e até mesmo companheiros

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

No último domingo, o São Paulo perdeu por 2x0 para o Corinthians, em partida válida pela semifinal do Campeonato Paulista. Mas não foi a derrota o que mais repercutiu daquele jogo, e sim uma atitude do zagueiro são-paulino Rodrigo Caio. O goleiro de seu time se machucou devido a um pisão que recebeu quando estava no chão. O árbitro da partida achou que o responsável pelo incidente tivesse sido o corinthiano Jô e deu um cartão amarelo para ele. Foi Rodrigo, entretanto, que machucou o companheiro, sem querer. E avisou ao árbitro, que corrigiu a injustiça e retirou o cartão de Jô. Bastou isso para que torcedores tricolores e mesmo companheiros se revoltassem com a atitude.

Conheço quem diga que, no futebol, no mercado ou seja onde for, a atitude de Rodrigo foi uma atitude de perdedor, de quem não está disposto a lutar com unhas e dentes, doa a quem doer, pela vitória. Principalmente num momento decisivo, como uma semifinal. Afinal, o erro foi do juiz. Rodrigo só tinha que ignorar e deixar que aquela falha beneficiasse sua equipe. Se você pensa assim, tudo bem. Mas não venha pedir honestidade de ninguém quando lhe for conveniente.

Uma coisa que aprendi muito cedo foi que a vitória só faz sentindo quando podemos sentir que vencemos. É uma colocação meio estranha, mas explico. Vencer não é receber um título, embolsar um prêmio, ostentar reconhecimento público. É ter, no seu íntimo, a convicção de que você conseguiu, batalhando, chegar lá. Quem sempre ganha na base da trapaça nunca saberá, realmente, o que é vencer.

Rodrigo Caio entendeu que é melhor perder com honra do que vencer sem poder se orgulhar disso. E seus companheiros e torcedores deveriam entender também. Nesse caso específico, o cartão talvez nem fizesse diferença para o resultado. Mas deixar passar aquela injustiça, com certeza, faria para a consciência e a reputação do jogador.

Rodrigo Caio, não te conheço, mas já te admiro. Fazer a coisa certa nem sempre é o jeito mais fácil. Mas continua sendo a coisa certa. Doa a quem doer.

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