O criminoso não é todo feio

A prática de se criar estigmas em relação a pessoas, indivíduos ou quaisquer outras segmentações da sociedade tende a singrar para o campo da hostilidade, da imbecilidade ou do preconceito.

A teoria lambrosiana, que diz ser um criminoso nato dotado de características físicas peculiares, foi defendida efusivamente no século passado, por Cesare Lombroso (1835-1909). Daí o nome.
Lombroso defendeu a absurda ideia de que criminosos natos possuíam crânios diminutos, mandíbulas anormais e faces assimétricas.
Não obstante a eventuais contribuições que porventura algumas outras teses do renomado médico tenham sido assertivas, no campo em que enveredou, convenhamos: hoje a teoria principal é preconceituosa e retrograda.
A prática de se criar estigmas em relação a pessoas, indivíduos ou quaisquer outras segmentações da sociedade tende a singrar para o campo da hostilidade, da imbecilidade ou do preconceito.
O bandido dos tempos remotos, nem tampouco da época em que vivenciamos pode ser descrito pelas suas características físicas. Ele transcende a um rosto disforme, uma cabeça pequena ou quaisquer outros biótipos que culminem em criar um liame, entre praticar delitos e ser demasiado feio.
Se Cesar Lombroso tivesse caracterizado o criminoso de sua época como o individuo que possui alto poder de persuasão, livre trânsito nos corredores dos poderes, extrema desenvoltura ao tratar de assuntos de seu interesse e, acima de tudo sempre se autoproclamar o salvador da pátria, dos fracos e dos oprimidos teria acertado em cheio. Estaria em voga até hoje.

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