O que eu aprendi com o livro Criatividade S.A.

"Se você não se esforçar para descobrir o que está escondido e para compreender sua natureza, não estará preparado para ser líder"

Reprodução/Pixar

Talvez a maioria dos jovens conheçam os filmes Toy Story, Procurando Nemo ou Frozen, e certamente foram tocados pela emoção dessas histórias e os ricos detalhes dos filmes. Ou talvez tenham ouvido falar da Pixar, Disney Animation ou Steve Jobs associados a esses projetos, o que me deixa mais animada ainda.

Acabei de concluir a leitura do livro Criatividade S.A, de Ed Catmull, e gostaria de dividir com vocês alguns aprendizados adquiridos. Enganam-se àqueles que acham que os aprendizados estão associados a desenhos gráficos, 3D, ou o avanço tecnológico relacionado a essa área, estou falando de um dos melhores livros sobre gestão que já li.

O livro fala sobre gestão, cultura organizacional, avaliação de risco, entrega de resultados e paixão . Por alguns capítulos pude me imaginar trabalhando nos studios, desenvolvendo enredos, roteiros, desenhos, ou me preocupei em como resolver problemas junto ao Banco de Cérebros formado por alguns colaboradores. A leitura te envolve do começo ao fim.

A primeira lição esta relacionada a visão do Ed Catmull, um dos fundadores da Pixar, ele relata com tanta precisão qual era a visão que ele tinha sobre animação gráfica. Ele era capaz de ver além do mercado da época, ele via uma demanda que nem mesmo os consumidores sabiam que queriam, de modo que nem as produtoras cinematográficas percebiam tamanho potencial.

Focado, ciente, e fiel as suas crenças, Ed foi um dos precursores da animação gráfica, e foi através de sua visão e paixão que esse ramo se tornou o sucesso que é hoje. Sabemos que a visão não vem do nada, ela precisa estar ligada aos nossos valores, ao nosso propósito de vida. Você precisa acreditar nela com todas as suas forças, se não não funciona. E o Ed, desde os 12 anos de idade, quando assistia ao programa em que o Walt Disney apresentava sobre animação, se encantou e desenvolveu ao longos dos anos subsequentes aquela que seria sua paixão. 

Além da visão, o livro nos convida a viajar por uma cultura organizacional desde sua concepção até a fase de maturação. O processo de criação da identidade da empresa é tão claro que você se permite participar dos debates e reflexões, como se de fato estivesse presente naquelas situações.

Dúvidas relacionadas às estratégias, aos valores, ao direcionamento que deve ser dado em determinadas situações, tudo isso é exposto no livro, e o mais fascinante é que o processo de resolução de cada situação/problema também está exposto. Rapidamente você pode trazer para sua realidade essa reflexão. Criar a identidade de uma empresa não é um processo fácil, porque existem pessoas envolvidas, e com elas emoções, expectativas, frustrações, pressão por resultados, medo do fracasso, medo do medo, enfim existe um universo de sentimentos, e cabe aos líderes conseguir equilibrar esse misto de emoções por parte dos colabores, sempre mostrando quais são os valores em que a empresa está sendo construída.

Além das questões internas temos também fatores externos, como a sociedade ao seu redor que será impactada, o mercado e seu julgamento precoce, e a imprensa que pode te induzir a acreditar que você é algo que ainda não é, para o bem ou para mal. No livro fica claro a importância da atmosfera de confiança entre toda equipe, sinceridade é um fator disseminado na Pixar como ingrediente que faz crescer, a construção da identidade da empresa é mostrada durante todo o livro. Por isso eu admiro os líderes que dividem de maneira tão íntima as falhas e acertos que tiveram ao longo de suas jornadas.

Ainda sobre os pontos mais marcantes, destacaria o alto grau de preocupação com a história. Essa preocupação fica evidente quando Ed nos confidencia, ainda no início da carreira, o episódio em que participou de uma amostra de curta metragem sobre animações gráficas, e após passarem meses trabalhando em cima de curta e desenvolvendo ferramentas especificas, o vídeo não foi concluído a tempo, porém precisava ser apresentado, e foi.

Aflitos, ele e os demais membros da equipe esperavam as avassaladoras críticas após a exibição do filme, mas surpreendentemente os críticos elogiaram o curta pela capacidade de emocionar! Nesta ocasião os animadores haviam recém contratado um profissional especialista em desenvolver e contar histórias, esse profissional trouxe na bagagem a importância de emocionar seu público enquanto você conta uma história. Por isso você já deve ter se emocionado com os filmes de animação da Pixar. 

Poderia concluir esse texto falando das sugestões habituais de lideranças e gestão que o livros dá, como escolha pessoas melhores que você para trabalhar na sua equipe, treine, capacite e desenvolva as pessoas, o complexo desafio de respeitar o orçamento sem deixar de entregar qualidade, mas não farei isso. Acredito que você, leitor, saiba da maioria dessas dicas.

Me permito explanar sobre o que não conseguimos medir, tangibilizar, e mesmo assim precisamos gerenciar: estou falando de encantar. A Pixar todos dias tem uma preocupação elevadíssima de encantar e surpreender através do seu produto. Não é simplesmente uma visão, um clima organizacional, ou como contar histórias, é tudo isso somado à vontade de surpreender você!

Vale (muito) a pena a leitura.

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