Paralelo: casamento e trabalho

Não admiramos a ideia de que toleramos tudo por dinheiro. Tenho visto isso desde que iniciei a carreira no mercado de trabalho, aos 18 anos; muitos anos depois, o que observo, ouço e a convivência confirma é que dinheiro é a felicidade do momento, mas dura pouco. Traço um paralelo entre a vida profissional e a conjugal, e como ambas podem ser bem ajustadas se a motivação for correta e os meios para o êxito, procurados.

Não é de se admirar que o empenho e o desempenho das pessoas, no século XXI, sejam mais focados no trabalho do que à família.

Somos bombardeados, desde crianças, pela ideia de que dinheiro é fundamental e, para consegui-lo com dignidade, é necessário muito esforço... muitos estudos, muitos noites de sono perdido.

A fase adulta chega e, pela falta de modelos de vida familiar, os jovens percebem que é mais fácil tolerar qualquer tipo de absurdo por dinheiro a ficar sem ele. Mas, as necessidades do homem, embutidas no seu gene, informam-no de que ele não pode ficar sozinho; então, ele parte em busca do par ideal. Chega o casamento e, com ele, vêm os problemas. E como os resolver? 007, missão impossível: faltou esta e outras bagagens no caminho. A relação é levada da forma como se pode ("empurra-se com a barriga"), sem perceber que há alternativas. Todavia, não se sabe onde e como as buscar, pelo fato de a profissionalização não referenciar ou abordar sequer esses tipos de assuntos. E, quando se percebe, já não é mais possível conviver junto à pessoa com que tínhamos afinidades.

Porém, em cada lado da moeda, profissional e familiar, sempre haverá esforços para que ambos sejam efetivos e completem-nos como homo sapiens. Tudo dependerá de como visualizamos essas questões. O dinheiro é um motivador fascinante pelas possibilidades que lhe proporciona; a família, pelas experiências pessoais e pela abdicação de suas vontades pessoais pela alheia. Quanto mais você se esvazia, mais ha o sentimento de realização, de que uma lacuna foi plenamente completada com muita satisfação. A alegria de sua esposa e de seus filhos não serão pagas por qualquer dinheiro deste mundo quando você percebe que eles sentem-se felizes por sua dedicação a eles. O trabalho proporciona o sentido material da vida; a família, o sentido existêncial. E ambos, sintonizados, completam a vida como todo.

Sua chefia pode ofendê-lo ou pressioná-lo, até as últimas consequências, por você ser pago para dar resultados. Algumas chefias ainda dizem, nas entrelinhas, que você é insignificante. A família pode pressioná-lo a melhorar suas ações e seu caráter a fim de torná-lo bem-sucedido emocionalmente, em sua essência.

Os insultos que o trabalho proporciona são suportados por você ter contas a pagar; os insultos de sua mulher ou dos filhos proporcionam a oportunidade de melhorar as pessoas que lhe dão valor, não pelo dinheiro, mas pelo que é. No trabalho, ha que se perceber tudo para não deixar uma lacuna, um buraco sem conserto. E, ainda sim, atentar os espertos que querem trapacear. Em família, não é diferente... O homem deve se notar as lacunas que precisam ser preenchidas (físicas ou emocionais), os buracos que farão alguém se machucar, pois deve evitar dores e sofrimentos desnecessários. Também é preciso atentar aos espertos (pessoas, situações) que poderão tirar a vida ou a atenção àquilo que não faz sentido e causa divisão.

A profissionalização não tem fim! Uma vez no mercado, sempre se está em atualização. Em família, o conceito é o mesmo: atualizações não terão fim, e são elas: o ato de compreender o parceiro e os motivos que o levam a tomar decisões ou ter opiniões quanto a determinados temas ou metas. O homem tende a ser egoísta, por acreditar que os pensamentos femininos são abstratos, surreais, ilógicos e sem graça. Porém, quando essas barreiras saem do caminho, a mulher torna-se completa e feliz, optando por fazer o mesmo para agradar ao par, seu homem.

O homem suporta uma chefia, seja ela maleável, seja arrogante, seja irracional, só por dinheiro e pelas contas a pagar. Suportar a esposa deveria ser meta visto que o bom relacionamento conjugal permanece por longos anos. Uma chefia passa e logo se esquece dela. Raramente lembraremos os contatos de trabalho, mas fortes serão as lembranças marcadas pelo amor, pelo carinho e pela dedicação. Esses sempre permanecerão aonde quer que formos.

Quem suporta insultos por ser pago deve também aguentar os insultos por não ser pago; afinal, a família é o seu futuro, aonde quer que vá. Muitos são infelizes em bons empregos, ou com bons salários, mas não possuem pessoas para amarem, corrigirem e serem corrigidos sem ser pelo dinheiro; e, sim, por amor.

O amor completa o sentido do trabalho e da administração financeira. Não o fará guardar rancor do ambiente do trabalho, e ainda o livrará de doenças psicossomáticas. O amor cura; é tolerante, benigno e não age para vangloriar-se ou tirar proveito alheio. O amor não caminha sozinho; requer uma companhia.

“Assim, devem os maridos amar as próprias mulheres, como a seus corpos. Quem ama a sua mulher ama a si mesmo. Porque nunca alguém odiou a própria carne; antes, alimenta-a e sustenta,...” Efésios 5:28-29

Deus deixou ao homem uma ordenança para amar a mulher, e isso se dá pela conciência que seria uma missão difícil para ele, pois labutar para o sustento faz com que viva em ambientes hostis, frios e sem vida (nato na essência/gene). Isso faz do homem um explorador destemido. Quando ele consegue amar sua esposa e aos filhos, todo o ambiente em que vive torna-se melhor e diferente. Deus deu-lhe a facilidade de se desenvolver e de evoluir; a ciência é a melhor forma de visualizar como o homem tem tal essência em seu ser. Amar é um dever que precisa ser aprendido, e ele o achará na mulher e em Deus, por meio do exemplo de Jesus, que sofreu por amor e exemplificou o amor a qualquer pessoa, independentemente da classe social.

A mulher ama por essência; por isso, irrita muitos homens. Estes quererem viver longe do amor, mas um relacionamento feito apenas pelo dinheiro não se sustenta; precisa haver algo a mais. Nenhum objeto, viagem ou estímulos pagará pelos resultados que o amor proporciona.

Gerenciar uma família como explorador destemido só criará amarguras, descontentamentos, frieza e afastamento.

Se é mais fácil tolerar o trabalho devido ao dinheiro, e não suportar a esposa por ela não pagar em notas vivas, há algo errado. Homens, mudem a visão, a rota e seus esforços. Vocês estão focados, essencialmente, no trabalho, no crescimento profissional e no status social; e isso não levarão a lugar algum. Objetivem a família; só assim haverá plena realização, não apenas para vocês, como também em todas as direções, no convívio geral, principalmente no lar.

O trabalho não pode ser “empurrado com a barriga” e, para permanecermos empregados, é preciso fazermos cursos e especializações, adotarmos mudanças de postura etc.. O casamento deve seguir o mesmo modelo; assim, devemos nos esforçar para mantê-lo estruturado, mesmo que precisemos de ajuda profissional de coach, psicólogos ou psiquiatras. Há também palestras sobre família e casamento boas para o crescimento.

O mercado global descobriu formas de manter-nos ocupados para o consumo e com a busca do dinheiro para mais consumo - felicidades temporárias, mantidas com atualizações igualmente temporárias, uma eterna corrida de ratos. A atualização profissional é um dos meios de consumo estabelecidos pelo mercado global; portanto, vida nunca irá parar, até atingirmos a aposentadoria. E, até lá, muito poderá ser perdido e quase nada recuperado.

Sejamos moderados. As famílias construíram as bases deste mundo.

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Tags: conciliar familia e trabalho família motivação paralelos resiliência trabalho

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