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Problemas em grande escala, soluções em micro: a união que faz a diferença

O termo sustentabilidade passou do patamar "modismo" para o de necessidade urgente.

A estimativa da idade do Planeta Terra, onde nós seres humanos vivemos, é de aproxidamente 4,5 bilhões de anos. A comunidade científica produziu uma estimativa com base em registros fósseis do surgimento da vida no planeta Terra como sendo há 3,9 bilhões de anos atrás. Desde então, o planeta passou por grandes mudanças e, paralelamente, a um diversificação de espécies que culminou em uma grande biodiversidade. Acredita-se que existam entre 5 a 100 milhões de espécies na atualidade, das quais, muitas não foram identificadas e descritas.

De grande importância dentro desta grande biodiversidade esta a espécie humana (Homo sapiens). Estudos dos fósseis sobre a evolução dos hominideos que culminou com surgimento da espécie humana, apontam para o surgimento do homem entre 190.000 e 160.000 anos atrás. Desde, então, a população tem crescido. Dados de censos populacionais mostram que população mundial em 2018 é de 7,6 bilhões de pessoas vivendos nos quatro cantos do planeta.

Esta população tão grande de pessoas vivendo, atuando e modificando o planeta, produz dados em uma escala assombrosa e desafios gigantes para o gerenciamento da sobrevivência da nossa espécie. Por exemplo, a geração de energia eletrica em 2014 no mundo foi de 22.670 TWh segundo o Anuário Estatístico de Energia Eletríca 2017. Foram lançados na atmosfera 16 bilhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono (CO2) no ano de 2018 até junho. O CO2 é o principal agente responsável pelo efeito estufa e consequente aumento de temperaturas na superfície do planeta Terra. Em relação aos recursos hidrícos, 17.9 bilhões de litros de água foram consumidas no ano de 2018 até o mês de junho. Aproximadamente 4.2 milhões de toneladas de residuos tóxicos foram despejados no meio ambiente até o mês de junho de 2018. Fonte dos dados disponível em: http://www.worldometers.info/pt/. Vale notar que o Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) informou que, todos os anos, as cidades geram 1,3 bilhão de toneladas de resíduos sólidos. Segundo as estimativas da agência, a quantidade de lixo deve chegar a 2,2 bilhões de toneladas até 2025.

Com base no dados mostrados acima, é importante ressaltar que a nossa espécie esta organizada atualmente em uma sociedade. Resumidamente, em sociologia, uma sociedade (do termo latino societas, que significa "associação amistosa com outros") é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade. É também um grupo de indivíduos que formam um sistema semiaberto, no qual a maior parte das interações é feita com outros indivíduos pertencentes ao mesmo grupo. Uma sociedade é uma rede de relacionamentos entre pessoas. É também uma comunidade interdependente. O significado geral de sociedade refere-se simplesmente a um grupo de pessoas vivendo juntas numa comunidade organizada. Esta convivência em uma rede de interações de um grande número de individuos em uma comunidade reflete-se em desafios a uma escala proporcional a este grande número de pessoas habitando o mesmo planeta e consumindo recursos naturais.

Historicamente, o Paleolítico foi denominado como o período da Pré-História em que as sociedades eram baseadas nas ações de humanos coletores e caçadores. A origem do termo Paleolítico vem do grego “paleo”, que significa velho e “lítico”, o mesmo que pedra. Ou seja, velha idade da pedra. Interessante o fato que, esta parte da Pré-História, domina aproximadamente 99% do tempo em que as sociedades humanas existem. Nela, surgem os primeiros hominídeos e foram feitas as primeiras ferramentas: com utilização de chifres, madeira, entre outros materiais. Quando o alimento acabava, as populações migravam para outras áreas, por isso, eram denominados como nômades; povos que deslocam-se de uma região à outra de acordo com suas necessidades.

Mas, com o passar o tempo, as ferramentas foram sendo aprimoradas. A pedra, antes lascada, torna-se polida. Assim a Pré-História entra no período do Neolítico, A Idade da Pedra Polida. Neste período começam a se desenvolver a criação de animais e as primeiras formas de agricultura. Este período, a “nova idade da pedra” foi marcada pela vida sedentária, o que permitiu o desenvolvimento da agricultura e da pecuária, pois os humanos puderam fixar-se por mais tempo nas regiões e estabelecer-se. Com o dominio da agricultura e da pecuária a população teve um crescimento considerável no Neolítico, porém, apesar do desenvolvimento de itens manuais e domínio da natureza, o período também foi marcado por muitas pestes e epidemias. Outras inovações importanes do perído Neolítico foram a criação da cerâmica, tecelagem, metalurgia e construção de muralhas, templos, armazéns para a conservação de alimentos, entre outros. 

A pressão demografica ocasionada pela grande população de seres humanos no planeta Terra no perído Neolítico gerou consequências como: degradação do meio ambiente, poluição de ecossistemas aquáticos e terrestres, poluição do ar, contaminação por residuos radioativos, extinção de espécies com perda da biodiversidade, e até mesmo ameaça de extinção da nossa própria espécie; estes são tópicos recorrentes discutidos como sendo consequências das ações do homem no meio em que vive.


A "International Union for Conservation of Nature" (IUCN) é uma organização fundada em 1948 dedicada a conservação dos recursos naturais do planeta Terra. A Lista Vermelha é uma publicação que recompila as espécies biológicas existentes no mundo. Esta organização indica os estados de conservação na natureza, classificados em três categorias e subcategorias: extinto, ameaçada e baixo risco. Segundo os dados oficiais da IUCN Red List, desde o ano 1500 estão registadas as extinções de 897 espécies, das quais 763 são animais. No Brasil, por exemplo, cerca de 70 animas fazem parte da lista “Criticamente em perigo”. A pressão destas ações antrópicas no meio ambiente são claras, porém, as ações mitigadores que deveriam ser consideradas emergenciais ainda parecem ser uma realidade distante. A razão para tamanha negligência por parte dos cidadãos no nosso planeta em relação aos dados mostrados acima parece iracional, porém, importante lembrar que de acordo com a última edição do relatório da ONU O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2015, 795 milhões de pessoas sofrem com a fome. Este problema grave ainda não resolvido talvez explicaria a razão de ainda a nossa sociedade não avançar na questão do respeito ao meio ambiente.

Uma importante pergunta emerge a partir daí: a solução para estas questões se dá a partir de uma ação a uma escala macro ou uma ação em um escala individual (pessoa a pessoa)? A Organização das Nações Unidas (ONU) estabelecida em 24 de outubro de 1945 após a Segunda Guerra Mundial, deveria criar um comite especial para o gerenciamento de dados em escala global para estabelecer ações para a solução das questões de interesse mundial, ou as ações deveriam partir de uma conscientização ao nível individual  - que mudaria a postura dos 7,6 bilhões de pessoas atráves da conscientização - sobre as questões em escala global que afetam a vida de todos os seres humanos? A resposta para tal questão não é simples, porém, começar a reflexão e discussão do assunto em um nível mais profundo faz-se mais do que necessário e urgente.

Não restam dúvidas que o papel de cada um do 7.6 bilhões de pessoas ao redor do mundo vivendo e interagindo organizados em uma sociedade, atuando e modificando o planeta Terra é importante. Tendo em consideração a diversidade de culturas, modos de vida, ideologias, religiões, crenças, hábitos, escolhas de cada ser humano no planeta, deve ficar bem claro a responsabilidade individual de cada pessoa. As ações de baixo-para-cima (down-top) refletirão, então, ao nível de cima-para-baixo (top-down) promovendo uma mudança importate na forma como vivemos e atuamos no nosso planeta Terra. Colocar o tema da sustentabilidade no nosso cotidiano é mais do que necessário para garantir o futuro da nossa espécie no planeta Terra. Cabendo a cada ser humano fazer a sua parte.

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