Quando o interesse encontra o Genuíno

O que o interesse genuíno pode fazer pelas nossas relações pessoais e profissionais.

Genuíno era um cara comum e ao mesmo tempo raro. Tinha alguns comportamentos que não se vê tão fácil assim no dia a dia. Ele estava próximo dos seus 45 anos de idade, gostava muito de animais e de pessoas e trabalhava há muitos anos em uma indústria têxtil. Um de seus hobbies era ler e estar em contato com a natureza da forma que fosse e ajudar as pessoas. Refletia com frequência sobre como ser um líder e uma pessoa melhor e deixar um legado para a equipe que trabalhava com ele. Era conhecido no bairro em que morava por ser bom ouvinte e sempre prestar apoio em palavras ou da maneira que pudesse as outras pessoas.

Certa vez, Genuíno chegou do trabalho e continuava a ler um livro de suspense que o deixava cada vez mais intrigado até que caiu em sono profundo. Começou a sonhar e se encontrou com um homem que puxou conversa com ele e perguntou mais sobre a vida dele, onde trabalhava e como ganhava a vida. O homem disse: pode me chamar de Interesse. Genuíno perguntou: Este é seu nome mesmo? O que você quer dizer? O outro respondeu: Sim. É assim que sou conhecido. Ganhei esse nome porque estou sempre atento ao que é importante ou vantajoso e às vezes tenho certo apego pelo que pode me trazer alguma vantagem pessoal. Genuíno perguntou: Mas é sempre assim? Interesse respondeu: Nem sempre. Também posso ser benevolente com outras pessoas e dar atenção a elas. Mas, e você Genuíno? O que você tem de interessante? Genuíno respondeu: Bom, dizem que sou verdadeiro, sincero, até puro já ouvi dizer. Interesse começou a gargalhar e Genuíno acordou ofegante e reflexivo.

Ele tinha pavor de pessoas interesseiras, que de alguma maneira tentavam cuidar da vida dele, ou saber demais para se beneficiar de alguma informação ou até lhe passar a perna. Até por ser muito autêntico, já tinha levado inúmeros puxões de tapete em sua carreira. Descobriu muitos amigos que não eram amigos e também muitas pessoas que demonstravam interesse nele, mas na prática era diferente. Alguns exemplos que são comuns de acontecer e com ele não foi diferente:

Alguém chega e diz: Oi, tudo bem? No que o outro responde: Tudo e ... Nem termina a frase e o outro já saiu andando ou continua por ali, mas já está falando outra coisa.

O telefone toca e aquela pessoa que não fala com você há algum tempo, fala sem parar e conta tudo da vida dela dos últimos meses. Quando você começa a falar a pessoa diz: bom falar com você, mas agora eu tenho que ir.

Ou o me ajuda que eu te ajudo. Me dá cobertura nessa que eu te apoio na próxima. Como troca de favores até que vai. Lembra que eu já fiz isso e aquilo para você? Chegou sua vez de devolver.

Mas, pela primeira vez Genuíno começou a pensar sobre o interesse de outra maneira e observou que não era de todo ruim.

Pois imaginem, a combinação de ser benevolente com as outras pessoas e dar atenção a elas, com ser sincero e verdadeiro. Ai ele conectou e começou a entender a relevância do interesse genuíno, assim, os dois juntos, misturados e magnificamente complementares. O livro seguinte que Genuíno comprou e devorou em poucos dias era sobre o que? Bingo! Interesse Genuíno.

No livro, entre outras coisas falava bastante do diferencial de um líder que tem interesse genuíno nos outros e da relação disso com a inteligência emocional. Este tipo de líder consegue criar conexões verdadeiras com as pessoas, gosta de ajudar os outros, adora gente com seu pacote completo, incluindo seus pontos fracos e fortes, é justo, valoriza as ideias do time e dá autonomia.

“Os homens em geral formam as suas opiniões guiando-se antes pela vista do que pelo tato; pois todos sabem ver, mas poucos sabem sentir.” Nicolau Maquiavel

Passou um tempo parado nesta frase do livro, pensando que esse também deveria ser um dos diferenciais das pessoas que tem interesse genuíno pelas outras. Estão mais abertas a ouvir sem julgar e com interesse real em ajudar. Tem empatia. E com isso, tem mais chance de construir relações de confiança e captar além do que está sendo dito.

Outra parte falava só sobre feedback. Sem interesse genuíno, no desenvolvimento da outra pessoa o que sobra? Sobra a vontade de agradar, de dizer somente o que o outro quer ouvir, medo de magoar e aí não tem espaço para o feedback. Precisa de transparência, de exemplo, relação de confiança e claro: interesse genuíno.

“Se você falar com um homem numa linguagem que ele compreende, isso entra na cabeça dele. Se você falar com ele em sua própria linguagem, você atinge seu coração." Nelson Mandela

Como vocês estão agindo nas suas relações? Tem interesse genuíno pelas pessoas? Se não tem, há interesse em desenvolver? Tem que ter uma intenção para desenvolver essa habilidade, além de prática, atenção constante, autoconhecimento, respeito pelo próximo. Estar realmente disposto a ouvir e falar a linguagem da outra pessoa, com empatia e como um ato de amor.

Alguns hábitos de pessoas que já tem esta característica: se colocam nos lugar do outro, reconhecem seus defeitos e não tentam parecer perfeitas, pensam antes de falar, escutam, evitam julgar, tem paciência com os outros, dedicam tempo, não olham só para si mesmas, perguntam e fazem favores ou gentilezas sem esperar nada em troca.

Se você não gosta de gente ou está realmente focado só nos seus objetivos: “Houston, we have a problem”. Em médio prazo pode começar a trazer problemas para suas relações pessoais e profissionais. As pessoas estão cada vez mais atentas e observadoras e percebem as intenções dos outros. Para construir um time forte, seja em casa ou no trabalho é preciso colocar gente na agenda. Cuidado para não ficar só na fila do Interesse e esquecer o Genuíno, transmitindo falta de transparência, egoísmo, distância ou até falsidade.

Genuíno já nem sabia por quanto tempo tinha lido, estava com a cabeça borbulhando de informações, imagens e ideias e sabia que podia fazer muito mais do que já fazia. Agora tudo estava mais claro e ele sabia o caminho que tinha que seguir e o que poderia fazer mais e melhor para ajudar as pessoas e por consequência a si mesmo.

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”. Carl Jung

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