Ser feliz ou ter razão?

As vezes é melhor abrir mão de sua posição e fazer concessões para evitar perdas pessoais e profissionais. Ser feliz acima de tudo.

O conceito é antigo, mas é algo tão recorrente e que vem tão frequentemente à tona que achei que merecia escrever sobre. É lindo, nobre e verdadeiro pensar em ser feliz acima do ter razão e ao mesmo tempo desafiador ao praticar e tentar viver integralmente.

Em tempos de brigas políticas, necessidade de defender posições ou candidatos e de perdas de amizades frequentes acho que vale uma autoanálise e reflexão que vai muito além das eleições, embora se destaque neste momento.

“Olho por olho, dente por dente”. Imaginem se levarmos isso ao pé da letra e pensarmos em retribuir tudo na mesma moeda. Se o outro não faz eu também não vou fazer. Eu tenho razão. Meu jeito é o jeito certo e os outros que se adaptem a mim. Não foi no meu aniversário ou casamento então eu não vou ao dela. Se não me ligar ou escrever eu também não vou. Foi grosseiro logo não espere flores. Como seria?

Tudo “a ferro e a fogo”, depois de marcado ou definido não muda mais. Como ficariam nossas relações e convívio social se agíssemos sempre assim? Com rigidez e inflexibilidade, orgulho e dificuldade de perdoar, com pouca ou nenhuma empatia, cheios de certezas e vazios de amor.

O ter razão mesmo que seja verdade, pode gerar perdas e danos irreparáveis. Alguém precisa dar um primeiro passo para aproximar ou solucionar um problema. Duas pessoas com razões opostas, não se entendem e não se encontram. Se a bola está quicando e ninguém pega é um amor que pode ir embora, um grande amigo, uma promoção e tantas outras possibilidades.

E o tempo que se perde? Os abraços que você deixou de dar, as risadas, as conversas longas, os aprendizados, as trocas. O tempo perdido não se recupera mais. E algumas coisas deixam marcas e feridas para sempre.

Mesmo que você esteja com a razão, quem sabe naquele momento você não possa ser o mais forte ou maduro, demonstrando sua vulnerabilidade para tentar resolver uma questão. Ter razão é perde-perde. Corre o risco de você terminar sozinho, com uma dor profunda no peito e um pacote de presente recheado de razão para você dividir com você mesmo.

Acredito que todos possam pensar em pelo menos um exemplo de perdas que tiveram ao longo do tempo, por insistir em defender suas posições acima de tudo. Perdas de relacionamentos e em alguns casos até financeiras envolvendo negociações mal sucedidas onde ninguém está disposto a ceder e fazer concessões.

O que você pode fazer de diferente a partir de hoje? Aproveite a jornada, com mais leveza, amor e alegria.

Dá próxima vez que escrever ou imaginar: eu tenho razão, só vai valer se for com os dedos na areia para que com a maior brevidade possível o vento ou o mar levem embora.

“Quando discutir com pessoas queridas, deixe-as ganhar. Escolha ser feliz em vez de ter razão.’’

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