Temer: cai ou não cai?

Discussão sobre as possibilidades de sustentação política do Presidente Michel Temer.


A ascensão do Temer ao poder foi fruto de vários fatores. O primeiro foi a dificuldade de a Dilma conduzir o presidencialismo de coalização, como é chamado o nosso sistema de governo do toma lá dá cá, fazendo concessões no atacado e no varejo. O segundo foi a crise econômica, com a estagnação, desemprego e inflação crescente. O terceiro foi a presença do processo Lava Jato que ameaçava setores importantes do sistema político, tanto do executivo como do legislativo, com a revelação da promiscuidade entre grandes empresas e o poder público, via delações premiadas. Como quarto fator pode se destacar o fim da aliança entre empresários e o governo e consequentemente com a grande mídia. Como quinto, o empurrãozinho do Cunha que estava com o relacionamento desgastado com a presidente e o PT, pois estava em suas mãos a decisão de encaminhar ou não os vários pedidos de impeachment.
Com essas condições seria impossível a Dilma manter a governabilidade, pois seu desgaste era grande e a queda seria questão de tempo, mesmo sem a ajuda do Eduardo Cunha juntamente com o MDB, o principal partido aliado. Aliás, o afastamento do PMDB ocorreria, também, em curto prazo, pois o governo não teria mais condições de manter as emendas parlamentares e as posições “lucrativas” no governo ou nas estatais por muito tempo.
Mesmo se conseguisse cooptar a maioria ou um número de parlamentares que inviabilizasse o impeachment, ainda haveria o risco do processo do TSE, sobre a utilização de abuso do poder econômico pela utilização de recursos de caixa dois na campanha da chapa Dilma-Temer em 2014. Esse processo que foi julgado no início de junho, poderia ter sido antecipado, se assim quisessem as forças políticas contrárias à Dilma. Isso tudo com mais combustível adicionado pela operação Lava Jato.
O governo Temer, comprometido com as reformas econômicas e trabalhistas, obedeceu ao figurino pretendido pelo setor econômico privado e seu sucesso dependeria da aprovação das medidas preconizadas por economistas de linha liberal. Entretanto, os processos conduzidos pela Lava Jato ficaram incontroláveis e colocaram o Temer e integrantes do seu ministério no meio do furacão, com várias denúncias, inicialmente da Odebrecht e depois da JBS. Essa empresa foi bastante beneficiada nos últimos governos com empréstimos subsidiados do BNDES e envolveu pessoalmente o presidente com seu relacionamento com seus executivos e conexões com Eduardo Cunha que ameaçaria mais uma delação.
Diante desse quadro, Temer, que já tinha popularidade baixa ficou sem escada e com a brocha na mão. Os partidos e políticos que lhe davam sustentação até aqui, ameaçam a debandada geral. Ao que tudo indica a grande mídia, já adota uma postura mais crítica diante das acusações e deve acelerar o afastamento do empresariado em relação ao governo.
Sem apoio no congresso para dar seguimento às reformas, Temer perderá o apoio da mídia e do empresariado, tornando-se um governo inútil e insustentável que só ampliará a crise econômica, retardando a recuperação.
Como alternativa à renúncia ou cassação da chapa, resta a opção prevista na constituição de eleição indireta do presidente para cumprir o mandato tampão. A solução que já se alinha, a eleição de Rodrigo Maia já está palatável para a mídia e empresários, pois poderia garantir as reformas. A alternativa defendida pela oposição é a eleição direta, que dificilmente passará pela maioria do congresso. Além disso, faltaria uma liderança com credibilidade para fazer a transição até as eleições de 2018.
Enfim, estamos em julho e a marchinha “Cai cai balão” ainda ecoa em nossos ouvidos e é bem oportuna ou então vamos esperar o fatídico mês de agosto para o desenlace.

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Tags: estabilidade política Presidencialismo de coalização

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