A crise chegou?! Esse é o seu momento de evoluir!

“Decidimos formar um grupo de motivação, que nos estimule a sair da crise, mas estamos sem rumo”. Foi assim que começou um e-mail que recebi, enviado pelo gestor de uma empresa tradicional, centenária, que se via forçado a fechar uma de suas unidades. “Mas, se a motivação está em cada um de nós, o que devemos fazer para motivar 200 pessoas que não têm destino certo e seguro?”

Situações como essa são cada dia mais comuns, ainda mais em circunstâncias iminentes da Quarta Revolução Industrial, com forte presença de tecnologias digitais, mobilidade e conectividade de pessoas. As diferenças entre homens e máquinas se dissolvem, o valor central é a informação e as transformações empresariais são inevitáveis.

Sobreviver a elas, melhor, ganhar com elas é o grande desafio, pois exige mudança de postura e de crença. A palavra motivação é derivada do latim movere, que significa mover para a ação. Pensar em motivação no auge de uma crise, e com pessoas sem rumo, não é a forma mais inteligente de conduzir a situação. É desperdício de energia discutir possibilidades em um momento em que a ação é a atitude recomendada.

Quando um barco afunda, é a ação que levará a pessoa à terra firme com os recursos disponíveis. Quando alguém se sente mal, é a ação de socorrê-la que pode salvá-la. Quando o calo aperta, é o movimento, a atitude, o confronto que fazem a diferença.

Em resposta ao e-mail que recebi, é recomendável esquecer os grupos de motivação e fazer um mutirão de ação que estabeleça rapidamente novas metas, fixe estratégias criativas e efetivas para atingi-las e faça todos os envolvidos chegarem lá, sãos, salvos e motivados! Quando a questão é pessoal, e nem sempre encontramos a compaixão que gostaríamos para enfrentar as provocações da vida, a orientação é a mesma.

Desafios existem para serem superados. Um ensinamento oriental diz que, “se um problema tem solução, deixa de ser problema; se não tem solução, também não constitui problema”. Também podemos tirar proveito da sabedoria das águas. Ela nunca discute com os obstáculos: contorna-os e encontra uma saída. Isso já define um posicionamento.

Perder energia com soluções impossíveis não é saudável nem inteligente. Importa saber distinguir duas atitudes bem diferentes: perseverança, que nasce da confiança nas próprias metas; e teimosia, que se agarra ao impossível porque não acredita em outra possibilidade ou simplesmente porque se recusa a largar o osso. Desistir não é sinal de covardia, e sim de maturidade e sabedoria! Discernir quando é o momento de convergir ou descartar de vez uma rota é fundamental.

Crise é crise. Na sua definição literal, é uma mudança brusca ou uma alteração indesejada que pode acontecer no âmbito pessoal ou profissional. O momento de crise vivido por um indivíduo pode ser apenas um evento desagradável ou ainda uma oportunidade de evoluir e dar uma guinada na vida. A forma de encarar fatos e circunstâncias está intimamente ligada à trajetória de vida da pessoa, ao seu repertório comportamental.

Conheci duas pessoas com diferença de apenas dois meses de idade. Ao contrário do que normalmente se vê, Joana estava muito bem resolvida com a proximidade da sua fase balzaquiana. Com a carreira em ascensão e a vida particular num momento especial, sentia-se cada vez mais madura e capaz para conquistar territórios e ultrapassar suas próprias fronteiras.

Já com o seu amigo, poucos meses mais novo, arredondar três décadas de vida gerou angústia, medo e insatisfação. Casado há cerca de cinco anos, cismou que estava “atrasado” para ter um filho. Embora tentasse levar os sentimentos naturalmente, seus comentários e brincadeiras denunciavam os fantasmas emocionais que o atormentavam. Seus amigos da mesma faixa etária não entendiam o seu processo; aliás, nem mesmo ele se compreendia.

Ao comparar a vida de um homem e de uma mulher, a dele parece sempre linear. As opções parecem simples: escolher uma profissão, destacar-se no trabalho, encontrar uma companheira e juntar as escovas. Tudo muito prático. As crises masculinas, em geral, são externas, induzidas pela falta de estabilidade financeira, doença ou fim de um relacionamento. As mulheres têm crises autônomas, geradas por suas próprias aspirações.

Quando essa mesma dupla chegou aos quarenta, o homem quase pirou, e, pelas minhas contas, os dois agora estão à beira de atingir meio século de vida. Mantenho contato com Joana e percebo que ela mantém o vigor, está sempre se reinventando e vivendo novas experiências. Ele, pelo que sei, ficou tão preocupado com a contabilidade dos anos que deixou de desbravar seus caminhos e viver plenamente.

Crise não tem padrão nem avisa quando vai chegar, mas dá sinais. E o que fazer com tudo isso? Pode ser a sua pergunta agora. Vale relembrar a importância das quatro perguntas feitas no capítulo anterior. Lembra delas?

Conseguem virar o jogo com mais facilidade (mesmo que isso não elimine o sofrimento) as pessoas que se questionam e encaram seus próprios fantasmas. A maturidade não se percebe pelos anos de vida, e sim pelas experiências vividas.

Segundo Jalal ad-Din Muhammad Rumi, mestre espiritual do século XIII, o medo é a não aceitação da incerteza. Se aceitamos a incerteza, ela se torna aventura. Já a raiva, ele define como a não aceitação do que está além do controle. Quando a pessoa aceita, se torna tolerância.

Para evoluir no momento de crise, a saída é encarar os desafios como uma preciosa aventura — aceitar que determinadas situações estão além do controle, que a vida é um mar de possibilidades, um oceano de possibilidades. Em vez de permitir que a vida seja uma reprodução de acontecimentos, ouse criar uma história fascinante. Isso implica sair dos modelos automáticos e enxergar através das lentes turvas dos próprios condicionamentos.

Cada experiência é rica e transformadora quando vivida com atenção. Quando passamos por ela inconscientes da própria realidade, torna-se irrelevante e, com isso, deixamos de evoluir.

 *Capítulo extraído do livro “Virar o Jogo”, 16º livro exclusivo de Leila Navarro.

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