Um país refém

Discussão sobre a paralisação dos caminhoneiros em maio 2018 e seu impacto na economia.

A greve dos caminhoneiros bloqueando as estradas federais, estaduais e outras vias de acesso mostra que nosso país se encontra refém do poder de organização de uma categoria profissional. Eles vem avisando há muito tempo que poderiam parar o país e parece que todos fizeram ouvidos de mercador. Desta vez, ajudados pela tecnologia digital WhatsApp, conseguiram se organizar em tempo real e parar o país, colocando-o de quatro. Onde falta governo e visão estratégica sobre os riscos de um sistema de abastecimento - mais de 75% sob o controle de pequenas transportadoras e grande número de autônomos - só poderia dar nisso.

A decisão da Petrobrás de reajustar os preços diariamente, foi uma temeridade, considerando que os valores dos fretes são fixados no início das viagens e ao longo delas os caminhoneiros precisam abastecer seus veículos pelo caminho. Pensou-se apenas nos custos da empresa, mas não no impacto que essa decisão representa. Existem formas mais inteligentes de atualização dos custos do que essa volatividade.
Não se pode esquecer também da ganância dos empresários do setor que sugam até a última gota de sangue dos autônomos, que via de regra compram seus veículos financiados a juros exorbitantes.

Além disso, a redução das atividades econômicas do país pela recessão que vem ocorrendo desde 2014, vem reduzindo o número de fretes.

As decisões tomadas na última hora sob a pressão dos acontecimentos, nunca são muito sensatas, como a redução dos impostos e o Estado assumindo os eventuais prejuízos da Petrobrás. Quem vai pagar a conta? Com certeza a fatura vai cair no colo da sociedade como um todo, que será privada de serviços, segurança, saúde, educação, além do prolongamento da recessão.

A decisão de uma intervenção das forças de segurança pode colocar mais lenha na fogueira, mas é o mínimo que se pode esperar de qualquer governo, mesmo os fracos e corruptos como o nosso e independentemente da cor ideológica.Um Estado não pode parar sob chantagens, por mais justos que sejam os motivos.Alea Jacta Est.

 
 
 

 

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