Vacilou, está fora!

Dura realidade estampada no mercado e pouco discutida quanto à admissão de novos funcionários

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Fico intrigado quando muitos vão em busca de um emprego e, na ficha de solicitação, seja impressa, seja eletrônica, são pedidas algumas referências. Várias empresas que agem dessa forma vivem o mito de que o funcionário não pode errar jamais; assim, se houver um erro cometido por descuido nos trabalhos anteriores, quanto a processos ou à discórdia associada à posição de sua gerência/chefia, não poderá ser contratado. 

Então, para que serve a gestão de pessoas e de liderança? Apenas para atingir as metas financeiras ou do negócio. Porém, se houver um retardatário no processo, ou um funcionário que instigue a fundo a necessidade das atividades a serem exercidas, ele será malvisto ou descartado. 

A verdade é que todos devem usar cabresto e ser sempre perfeitos, até por não questionarem. Se o gerente corre a 20km/h,  comparando a uma corrida em esteira, a empresa acredita que todos devem ser capazes do mesmo, por esse ser o ritmo, a nova filosofia. Dessa forma, gera-se outro grupo de funcionários que vai para lista de demissão por conseguir correr entre 10km/h e 15km/h e, não, a 20km/h, a meta estipulada. Assim sendo, a nova contratação se torna mais rigorosa.

No fim das contas, não há preocupação se os que vão ficar desempregados conseguirão um novo ofício e se manterão as contas em dia. Ou, ainda, se o novo candidato a uma vaga passa por dificuldades financeiras. Frios como o gelo, os processos de admissão fantasiam a perfeição, assim como gerentes ativos em suas funções, diretores ou stakeholders quanto à admissão de novos funcionários. Integração? Apenas belas poesias sobre o assunto como parte da missão corporativa estampada pelos arredores da corporação.

No mundo global, empresa cidadã é raridade; e caridade está vinculada a abatimento de impostos. Do contrário, dificultar e enrijecer o regime de contratação sempre será o foco, até que não haja mais vagas de emprego por existirem processos e atividades automatizados nas empresas de manufatura e de prestação de serviços.

Como ocorre em programas de competição, vacilou, está fora. E esse profissional sai com um cartão vermelho no peito, a bandeira perpétua da derrota, igualada a quem possui algum histórico criminal e que, mais tarde, não consegue voltar ao mercado de trabalho na tentativa de se regenerar. Ele vai sendo castigado da pior forma possível por uma sociedade narcisista que diz acreditar em Deus, o que não é demonstrado em suas atitudes e virtudes. No entanto, muitos conhecem e praticam bem a famosa "lei de Gérson", finalizando seus discursos com "cada um por si" e "não tenho a ver com isto/aquilo". A teoria é outra prática - e com razão, infelizmente.

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