Vida consumista

Dias passados enxerguei o óbvio: vivemos para consumir. O consumo é celebrado pelo mercado. Comeu? Sim. Engordou? Sim. Quer emagrecer? Sim. Tudo isso é gerado e mantido pelo mercado. Confesso: nas aulas de administração nunca enxerguei o lado crítico do liberalismo econômico. Quais os limites do mercado? Resposta: não sei. Tudo está ficando mercantilizado.

Estive presente no Centro de Recife. Fui às compras com um colega. Era dezembro de 2017 e às lojas estavam “entupidas” de pessoas. Roupa infantil, roupa adulto, etc., os gostos eram vários. Cartões e mais cartões eram gerados. O consumo saiu da esfera meramente econômica. Foi para a esfera social. Confesso: o consumismo cansa e nos deixa alienados, pois pensamos em comprar quase que 24hs. Dinheiro no bolso é um perigo!

Empiricamente a nossa vida tornou-se consumista. Um cartão de crédito? Faça! Por que não, dois? Ou três? Vai, quatro? É isso. Fomos formados para comprar, consumir e descartar. E a tal da obsolescência programada? É isso mesmo. Por que as grandes empresas vão investir em produtos duráveis? Não há lógica. Já dizia, o consultor Hans Stephan: “O mercado é lobo”. Isso é verdade. Ninguém é bonzinho.

Um tema recorrente no debate público contemporâneo é acerca das ideologias políticas do século XIX e XX. Nelas as pessoas encontravam o sentido na vida. A política tinha significado. Porém, o que aconteceu nas sociedades dominadas pelo fascismo, nazismo e comunismo? Morte, choro, tristeza, fome dentre outras mazelas. A utopia revolucionária, a morte dos cidadãos no presente para o surgimento da sociedade futura, ocasionou mais carnificina. E o sentido se desfez.

Com a “derrota” do socialismo e o avanço do processo de globalização, os mercados cresceram de um modo exponencial. O setor bancário foi o que mais cresceu. Sanções, juros e cartões tornaram a vida infernal. A imposição dos mercados é forte e, poucos conseguem se desvencilhar. O consumo tornou-se generalizado, principalmente, no Brasil. Nunca fomos exemplos na arte da educação financeira. Juros, dívidas, dores de cabeça etc., esses são os sintomas da nossa população. Não necessariamente adulta, mas jovem. Isso mesmo. Os bancos atuam nas universidades oferecendo crédito fácil e barato. Sem estágio e sem emprego, o jovem começa a sua vida devendo a deus e ao mundo. Quando começa a trabalhar o dinheiro já tem endereço certo: pagar o cartão X, Y e Z. Enquanto isso, continuamos comprando e nos divertindo nas praças de alimentação.

A religião tornou-se produto. Temos para vários tipos e gostos. Está perdendo o significado. Tudo se tornou consumo. Não se esqueçam: o significado está se perdendo aos poucos.

A pós-modernidade é altamente sufocante e opressora. Líquida, lembra Bauman. Bebemos, comemos e vivemos de forma consumista. Somos um produto e nem paramos para refletir. Do mesmo modo que os produtos são descartáveis, nossas vidas e sentimentos também.

Nossa vida é consumista... estamos à procura de valores e significados. Não se preocupe! Em breve o mercado e o consumo vão preparar.

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Tags: Consumista Consumo Lucas Almeida Pós-modernidade