Você sabe dizer NÃO?

Use sua comunicação da melhor forma que puder pra se sentir bem

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Eu quero, eu não quero!

Você sabe dizer quando quer algo e quando não quer? Não é só verbalizar, é mais que isso: é se posicionar.

Tenho presenciado, observado e vivido situações em que se posicionar é fundamental, mas percebo alguma dificuldade nisso, por isso quero tocar nesse assunto. Como tudo na comunicação, não é uma questão de '5 dicas para se posicionar com sucesso'. É uma questão comportamental que passa pelas seguintes reflexões:

• Eu me amo o suficiente para dizer o que realmente quero?
• Eu penso que o outro vai ficar chateado comigo se eu disser que não quero?
• Eu sei realmente o que quero?

E isso começa por coisas mínimas, como por exemplo, visitar alguém e aceitar um café, sem gostar de café, ou concordar em assistir a um filme de um estilo que não curte de jeito nenhum, só por receio de dizer não.

Dizer NÃO é difícil, né? Dizer NÃO pode significar eu não gosto de você, eu não concordo com você, eu não gosto do que você gosta, não quero o que você quer. Bom, e quem falou que a gente vai gostar de tudo o que o outro gosta, de tudo o que outro quer? O desafiador é pensar que se não concordarmos, o outro vai embora, vai ficar de mal. Isso foi há muito tempo! Comportamento infantil teve espaço lá atrás, agora já é hora de amadurecer.

E pra amadurecer precisamos investir no autoconhecimento. Sabe o que isso significa? Entender os nossos limites, nosso nível de flexibilidade e o espaço que ocupamos no mundo. Significa entender quando eu cedo e quando é importante que o outro ceda. O relacionamento é como um elástico: um puxa pra cá, outro pra lá. E nessa dança podem acontecer os acordos e as concessões. Se um dos dois puxar com muita força, o elástico arrebenta e machuca o outro.

Saber qual é o seu limite é fundamental para não permitir que o outro avance o sinal sem que você queira que isso aconteça. Esse posicionamento é mostrado ao outro por meio do que você fala, da sua postura corporal e da maneira como você age. As vezes, você nem vai precisar dizer: 'eu não gostei disso'. Mas, se for preciso, é importante dizer. E se quer tentar algo mais ameno e eficaz, menos duro, use a estratégia da teoria da comunicação não violenta que indica o seguinte: diga como se sente. Por exemplo: “eu me sinto muito pressionada quando percebo que você tenta me convencer disso ou daquilo. Eu sinto o meu espaço sendo invadido e ficaria feliz se você considerasse também os meus desejos para que a gente possa negociar.” Se o outro realmente gostar de você e te considerar poderá ficar tocado com a sua fala. Ele deverá entender que passou dos limites. Às vezes, falta percepção para o outro também e ele acha que não estava pressionando, nem acha que fez por mal. Por isso a comunicação tem que ser clara.

Alguém que sempre cede, tem mais dificuldade de um dia se posicionar, mas sempre é tempo. Se esse é um desafio pra você, eu quero te convidar a pensar em você, em primeiro lugar. Você é mais importante, e pensar assim não é egoísmo. Quem conhece o discurso da aeromoça, sabe que ela diz: ‘no caso de despressurização, mascaras de oxigênio vao cair do compartimento superior. Primeiro coloque a mascara em você pra depois ajudar o passageiro ao lado, mesmo que for uma criança ou um idoso'. Por quê? Porque se você não estiver bem, como é que vai ajudar o outro?

Essa tem que ser a dinâmica! Lição de casa da semana: pense nas coisas que você tem feito, mas não gosta; pense na angústia de falar sim quando queria dizer NÃO e comece a traçar planos para modificar isso se achar necessário. Um caminhão carregado com tijolos vai sair dos seus ombros. Isso é um processo, não é nada automático e não vai acontecer do dia pra noite. É um aprendizado que, se você estiver disposto a fazer, terá os resultados que procura.

Use sua comunicação da melhor forma que puder pra se sentir bem.

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Tags: coaching comunicação

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