
"A única coisa que fica entre um homem e o que ele quer da vida é, muitas vezes, apenas à vontade de tentar e a fé em acreditar que é possível". (Richard M. DeVos)
Nos temos muita dificuldade em acreditar em nos mesmos e em nossos sonhos , pois sempre fomos ensinados que devemos “ver pra crer” e na realidade quem acredita em um sonho ou idéia faz justamente o contrario “Crêr para ver” com isso consegue energia suficiente para colocar seus planos em pratica e transformar seus sonhos em realidade , já li e ouvi diversas historias sobre isso mas nunca consegui extrair algo sólido que pudesse ser comprovado ou demonstrado fisicamente como isso ocorre , então decidi inverter o processo e comecei a pesquisar em casos clínicos de paciente esquizofrênicos com a intenção de demonstrar que se a nossa mente é realmente capaz de criar cenários que podem “mascarar” realidade sob a ótica desta pessoa esquizofrênica , , por que não seria possível para nós “diagnosticados normais” usarmos este potencial da nossa mente e recriarmos os cenários que transformem a nossa realidade e com isso realizarmos nossos sonhos.
A Esquizofrenia é uma doença da personalidade total que afeta a zona central do eu e altera toda estrutura vivencial. Culturalmente o esquizofrênico representa o estereotipo do "louco", um indivíduo que produz grande estranheza social devido ao seu desprezo para com a realidade reconhecida. Agindo como alguém que rompeu as amarras da concordância cultural, o esquizofrênico menospreza a razão e perde a liberdade de escapar às suas fantasias.
Na historia abaixo podemos observar o que o poder da mente pode criar neste tipo de paciente , a alteração que ela cria na realidade faz com que estas pessoas passem a acreditar nas suas “alucinações” e comecem a tomar decisões em cima desta nova realidade que somente ela pode enxergar , resumindo ela se torna uma visionaria , não é mais o menos assim que as pessoas que defendem uma idéia ou sonho se tornam quando acreditam no que estão falando , seus olhos brilham e a energia emana de suas palavras.
Carlos (nome fictício) é um paciente de 39 anos, sexo masculino, portador de quadro psicótico crônico, compatível com esquizofrenia paranóide, de acordo com critérios diagnósticos do DSMIV (American Psychiatric Association, 1994). Vinha realizando seu tratamento ambulatorial, com uso de diversos antipsicóticos, sempre com diminuição parcial dos mesmos e assim inúmeras recaídas.
Aproximadamente dois meses antes da admissão no Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental (CAISM) da Santa Casa , passara a fazer uso irregular da medicação, tendo evoluído com desorganização do comportamento, alucinações auditivas, roubo e irradiação do pensamento , também apresentava delírios de influência (dizia ser controlado e influenciado por espíritos que adentravam seu corpo) e de grandeza (relatava que Deus havia concedido a ele poderes de cura).
Em uma 4a feira nublada Carlos amputou o próprio pênis, obedecendo a alucinação auditiva de comando, utilizando para isso uma faca de cozinha. Depois dos cuidados cirúrgicos, o paciente foi internado na enfermaria de psiquiatria do CAISM, onde passou a receber medicação antipsicótica ,por um período de 60 dias, com pouca melhora da sintomatologia psicótica.
O paciente sempre relatava, desde a sua entrada, novos planos de automutilação e intenções suicidas e não demonstrava qualquer arrependimento por seu ato , afirmava freqüentemente que vinha trabalhando, por telepatia, com um sistema de computadores, e que teria ocorrido um bloqueio neste sistema. Segundo o paciente, se o referido sistema não fosse desbloqueado rapidamente , pessoas perderiam seus empregos , uma bomba seria ativada e outros acontecimentos funestos poderiam ocorrer.
A autocastração seria, de acordo com o paciente, a única maneira de desbloquear o sistema de computadores , esta idéia era reforçada por alucinações auditivas: o paciente relatava ter ouvido, em cinco ocasiões diferentes, a voz de Deus, ordenando-lhe que se castrasse, como um “sacrifício” , depois de consumado o ato, o paciente contava ter experimentado grande alívio já que, segundo suas crenças delirantes, o sistema havia sido “imediatamente desbloqueado”.
Passados oito meses de internação, o paciente recebeu alta da enfermaria com melhora parcial dos sintomas psicóticos sendo encaminhado para prosseguir com o tratamento em regime de hospital-dia, tendo sido orientada vigilância intensiva em domicílio por parte dos familiares. Ao longo de um período de seis meses de seguimento após a alta, não foi observada recorrência do comportamento automutilador. O paciente manteve-se indiferente e sem relatar qualquer arrependimento em relação ao ocorrido embora, após a melhora do quadro psicótico, tenha passado a relatar explicação alternativa para seu ato. Afirma que, na época da automutilação, seu corpo era habitado por espíritos, e que estes lhe teriam ordenado que se castrasse como forma de perpetuar seu “trabalho” com o sistema de computadores.
Observem que o poder da mente foi tão grande que motivou o paciente a acreditar que deveria se auto mutilar , com isso você pode imaginar a força que tinha a sua crença para faze-lo acreditar que essa era a única solução , agora pense por um instante se conseguirmos direcionar esta força para realizar nossas metas , pois está provado que existe , agora temos que descobrir como usa-la.
Todos deveríamos ser um pouco esquizofrênicos quando se trata de realizar seus sonhos.
Suce$$o - Nós acreditamos em você