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A EVOLUÇÃO ECONÔMICA NO BRASIL

Juliana de fÁtima,
A EVOLUÇÃO ECONÔMICA NO BRASIL

 
Vinícius Montgomery de Miranda
Mestre em Engenharia de Produção - UNIFEI
MBA Gestão Financeira - UNITAU
Professor de Administração, Economia e Finanças. e Administração na FAI e no Universitas-Itajubá.
E-mail: professormontgomery@yahoo.com.br

Edna da Silva Pereira
Bacharelanda em Administração da Faculdade de Administração e Informática (FAI).
E-mail: ednalimapa@gmail.com

Juliana de Fátima Silva
Bacharelanda em Administração da Faculdade de Administração e Informática (FAI).
E-mail: jufs18@yahoo.com.br

Késia Ferreira
Bacharelanda em Administração da Faculdade de Administração e Informática (FAI).
E-mail: kesia.ferreira@hotmail.com
 

RESUMO
Este artigo objetiva discutir a formação econômica brasileira, estabelecendo uma análise histórica dos principais fatores que contribuíram para o desenvolvimento. O estudo de uma conjuntura político-econômica contida no período entre Brasil colônia até a implantação do Plano de Metas, permite identificar as fontes de crescimento da economia brasileira, o comportamento do mercado, a influência das decisões políticas, bem como barreiras comerciais e dificuldades encontradas. Através de estudos bibliográficos e de artigos científicos relacionados com o tema explorado, desenvolve-se uma visão simples e realista dos fatos e comportamentos econômicos.

 
Palavras-chave: industrialização, crescimento econômico, investimento estrangeiro, exportação, bens de capital, controle cambial.

ABSTRACT

This article aims to understand the formation Brazilian economic, setting a historical analysis of key factors that contributed to the development. The study of political and economic situation in the Brazilian colonial period until the implementation of the Plan targets, identify the sources of growth of Brazilian economy, the behavior of the market, the influence of policy decisions and trade barriers and difficulties encountered . Through literature studies and scientific articles related to the theme explored, developed is a simple and realistic vision of the facts and economic behavior.

 
Keywords: industrialization, economic growth, foreign investment, exports, capital goods, foreign exchange control.
 




INTRODUÇÃO

Ao longo do século XX, a economia do Brasil cresceu e se transformou. Marcado por mudanças estruturais importantes, o país viveu a transição de uma economia agroexportadora, com uma alta dependência de poucos produtos primários em sua pauta de exportações, para uma economia industrializada, em um espaço de tempo relativamente curto, fato que desperta o empenho em identificar as condições que favoreceram essa transformação.
Para compreender a formação histórica do ambiente econômico brasileiro, é necessário analisar os fatores que determinaram à evolução da economia, assim como os mecanismos adotados na manutenção do crescimento. Assim, pode-se identificar quais momentos foram decisivos na história econômica, estabelecendo os principais fatores que influenciaram a economia entre o período do Brasil Colônia até o período conhecido como Milagre Econômico.
Através da análise da formação econômica brasileira, é possível entender os ciclos da economia e seus modelos de desenvolvimento, identificando qual foi o papel do Estado e dos demais agentes econômicos frente ao processo de industrialização e desenvolvimento. É importante identificar quais os principais problemas econômicos bem como as medidas adotadas e seus resultados.
A fim de discutir as mudanças econômicas experimentadas pela economia brasileira ao longo de sua história, este trabalho está segmentado em quatro partes. Na primeira parte, discorre-se sobre o Brasil colonial e sua economia basicamente extrativista. Em um segundo momento, descrevem-se as transformações decorrentes da industrialização. Na terceira parte do trabalho, é analisado um período importante da evolução econômica do Brasil: o Plano de Metas (1956-1960) do governo JK. Para finalizar o trabalho, faz-se uma análise do Milagre Econômico (1968-1973), período de crescimento econômico espetacular, ocorrido durante a ditadura militar.

O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL NO PERÍODO COLONIAL

Durante o século XVI, o Brasil não era considerado importante por Portugal, apesar de seu enorme território. (BAER, 1996). O Brasil era habitado por índios nômades, que, além de não se sujeitarem a trabalhar com disciplina, também não eram em grande número, pois, foram dizimados pelas doenças trazidas pelos portugueses colonizadores. O pau-brasil foi o primeiro produto de exportação do Brasil colonial. A Europa utilizava a casca da árvore como matéria-prima para corante. Sua extração era rudimentar, não criando povoados e não se fixando como produto de exportação.
No início de sua colonização, o Brasil foi dividido em áreas, denominadas capitanias, cujo objetivo era povoar o território. Os donatários vendiam as terras a colonos, praticando uma atividade essencialmente comercial. Em Salvador foi instalado um governador-geral para administrar a colônia, porém, as linhas gerais da política eram formuladas na Europa, e sua aplicação e interpretação eram realizadas pelos governadores e conselhos municipais, formados por fazendeiros, proprietários de grandes áreas rurais e dos primeiros engenhos de açúcar. No início do século XVI, iniciou-se o cultivo do primeiro produto realmente importante para a exportação e crescimento econômico brasileiro: o açúcar.

A ocupação portuguesa se deu através da exploração de matéria prima tropical, num primeiro momento com a exploração e retirada do pau-brasil, depois se desenvolvendo a economia açucareira. (FABER et al, 2008 p.2)

Ele foi introduzido inicialmente no litoral do nordeste, região conhecida como Zona da Mata. Além de excelentes condições de cultivo, o local facilitava a saída do produto para a Europa e também a entrada de mão-de-obra escrava da África. Devido à imensa extensão de terra, o cultivo do açúcar se expandiu rapidamente na região, tornando-se uma área de monocultura, consequentemente aumentando com regularidade o volume exportado do produto.
No início do século XVII, o Brasil tornou-se o principal exportador de açúcar do mundo. Porém, mesmo com custo de produção 30% inferior ao das plantações inglesas no Caribe, essa atividade de exportação entrou em declínio devido ao excesso de oferta do produto no mercado internacional. O cultivo do produto no Brasil não desapareceu, apenas diminuiu. Algumas terras foram redirecionadas para agricultura de subsistência, plantio de fumo, algodão, cacau e também o cultivo de produtos que alimentavam a população costeira em expansão.
Apesar do ciclo da cana-de-açúcar ter sido lucrativo para alguns agentes econômicos, o legado da exportação deste produto foi negativo, pois, o sistema escravagista manteve os recursos humanos subdesenvolvidos; o manejo da agricultura não evoluiu; a forma de cultivo permaneceu primitiva e arcaica; a distribuição de riqueza gerada ficou extremamente concentrada e os lucros decorrentes dessa atividade foram aplicados em bens de consumo importados, ao invés de investidos nas próprias fazendas, como infra-estrutura e melhores técnicas de plantio (BAER, 1996).
Com a descoberta de ouro no estado de Minas Gerais em 1690, migrantes de todo o país foram para a região, alterando o centro de atividade econômica da colônia para o local. Deu-se início aos primeiros grupos bancários privados e a um desenvolvimento no setor artesanal.
Diferente da produção de cana-de-açúcar, a mineração resultava em uma menor concentração de renda. Grande parte era do tipo de aluvião, podendo ser empregada em pequena escala. A mineração desencadeou outras atividades para o suprimento na região, tais como: a produção agrícola no estado de São Paulo; e também a criação de animais de carga, como a mula, vinda de várias regiões no Sul. Esses animais eram utilizados para o transporte do ouro até o porto no Rio de Janeiro. Sendo que, mais tarde foram utilizados para o transporte do café.
Em meados do século XVIII, o governo português transfere seu centro administrativo de Salvador para a cidade do Rio de Janeiro. Neste local houve a concentração de instituições financeiras, importantes casas comerciais, dentre outros serviços. Portugal finalmente reconhecendo a importância do território conquistado, inicia um maior controle administrativo sobre a colônia Brasil. Começa-se a cobrança de um quinto do ouro extraído. Portugal então proíbe as navegações particulares, estabelece o monopólio de produtos manufaturados fornecidos pela metrópole, impedindo sua produção na colônia. Propositalmente a infra-estrutura no transporte era mantida arcaica, para controlar o contrabando, mantendo assim, o comércio interno estagnado.
No final do século XVIII, as jazidas tornaram-se economicamente inviáveis, chegando ao fim o ciclo do ouro (BAER, 1996). Parte da população transfere-se para o Planalto Central e para o Sul concentrando-se em atividades agrícolas e de criação de gado. Outra parte permanece em Minas Gerais investindo seus esforços nas atividades agrícolas de subsistência.
Em 1808, com a vinda da família real, a cidade do Rio de Janeiro torna-se a capital do império português. Em consequência houve investimento na infra-estrutura da nova sede do governo. Instituições educacionais são criadas, cientistas e técnicos são trazidos da Europa como consultores. Neste mesmo século houve a criação do primeiro Banco do Brasil, que operou como banco emissor e comercial até 1829, auxiliando e intensificando as atividades comerciais e financeiras no período.
O rei retorna à Portugal em 1821 e D. Pedro I, seu filho, fica como regente. Logo, torna-se claro que o Brasil voltará ao patamar de colônia. Pressionado pelo descontentamento da população, em 1822 o regente declara a independência do país. De 1822 a 1889 o país foi governado por D. Pedro I num sistema de monarquia, seguido por seu sucessor D. Pedro II até 1840.
Durante o século XIX, a Grã-Bretanha tornou-se o centro industrial do mundo. Seus produtos manufaturados passaram a ser trocados por matérias-primas e alimentos dos países periféricos. O Brasil, como um deles, exportava café, açúcar, algodão, cacau, borracha e fumo.
O café tornou-se o principal item de exportação na quarta década do século XIX.

As condições excepcionais que oferecia o Brasil para essa cultura valeram aos empresários brasileiros a oportunidade de controlar três quartas partes da oferta mundial desse produto. (FURTADO, 1985, p. 178)

Porém, as técnicas praticadas no plantio eram rudimentares, com mão de obra escrava. Enormes fazendas eram administradas pelos próprios fazendeiros, que exerciam forte influência nas questões sociais e políticas. Isso ocasionou novamente a concentração de renda.
Em meados do século XIX foi construída a ferrovia, onde se deu o acesso ao porto de Santos, destaca que na década de 1821-30 o café foi responsável por 19% do total de exportações do país e em 1891 esta margem aumentou para 63%. O porto de Santos, em 1894, torna-se o mais importante centro exportador de café do mundo (BAER, 1996). No final desse século o centro econômico transferiu-se para São Paulo, juntamente com a economia cafeeira.
Várias tentativas na produção de manufaturados pela economia local não foram bem sucedidas, devido às políticas de portas abertas adotadas pelo governo, que facilitava a importação de manufaturados de melhor qualidade da Europa. No Brasil a industrialização iniciou-se tardiamente a partir da década de 1840, conforme o tópico seguinte.

O INÍCIO DA INDUSTRIALIZAÇÃO

Com o objetivo principal de aumentar a receita tributária, o governo aumenta suas tarifas de importação em aproximadamente 30% no ano de 1844. Em consequência surgem as primeiras empresas têxteis. A partir daí o Estado incentiva a produção, fornecendo isenção de taxas na importação de maquinário e matéria-prima. No ano de 1852, o Brasil possuía 64 fábricas e oficinas, sendo elas de diversos ramos: artigos de couro, sabão, têxteis, vestuário, cerveja, fundição, vidro, dentre outros. O primeiro período de desenvolvimento industrial no Brasil foi dominado por indústrias leves, sendo responsáveis por 57% da produção industrial em 1907 e 64% em 1919 (BAER, 1996).
A capacidade produtiva do Brasil aumentou nos oito anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial. Porém, com a paralisação da navegação após o início da guerra, ficou difícil a importação de bens de capital, fundamentais para o aumento da produtividade.
Na década de 1920 surgiram pequenas siderúrgicas, empresas de bens de capital e o início da produção de cimento, ocorrendo uma diversificação nos produtos industrializados. Apesar disso, a evolução produtiva nessa época foi muito modesta.
Devido à Grande Depressão, o café, responsável por 71% das exportações, teve seu preço médio reduzido a um terço abaixo dos preços praticados em 1925-29.

A economia do Brasil do século XX era uma economia primária exportadora, isto é, importava os bens industrializados e exportava essencialmente a sua produção agrícola. Com a crise de 1929, o continente Europeu e os EUA reduziram os seus consumos drasticamente, afetando diretamente o Brasil e seus vizinhos latinoamericanos. (BUSANELLO et al, 2007 p.7)

Para proteção do setor, cria-se o Conselho Nacional do Café, fundado em maio de 1931, que toma a atitude de comprar todo o café e destruí-lo na maioria. Cresce a produção do algodão cujo cultivo foi melhorado por investimento do estado de São Paulo em pesquisas.
O Brasil conseguiu importar bens de capital durante a Segunda Guerra, construindo sua primeira grande siderúrgica em Volta Redonda.
Na América Latina, o Brasil foi o primeiro país a adotar o controle de câmbio, que utilizado em conjunto com a desvalorização da moeda geravam o declínio da importação. Principalmente nos anos 50, esse instrumento foi utilizado para criação de um complexo industrial. Segundo Baer (1996, p. 68) “O controle do câmbio foi uma das ferramentas básicas para a industrialização do país.” O controle de câmbio passou por várias fases. De 1946-53, onde foi criado um sistema de licenciamento, basicamente o governo controlava quais produtos podiam ser importados.
Inicia-se então o processo de substituição das importações no Brasil que foi importante e necessário para a implementação do Plano de Metas no governo de JK. O próximo tópico analisa o Plano de Metas, um das fases de destaque do desenvolvimento econômico brasileiro.

O PLANO DE METAS

O processo de evolução da indústria brasileira foi estimulado pelo Plano de Metas, desenvolvido pelo presidente Juscelino Kubitschek. O Plano, considerado o auge da industrialização, buscava, além do estrangulamento externo, a construção de uma estrutura industrial sólida no país.

Buscando a conciliação dos interesses dos empresários, dos políticos, dos militares e dos assalariados urbanos, o presidente manteve permanentemente no ar o apelo do desenvolvimento, emanado de seus programas de metas, cuja finalidade, era modernizar o Brasil, dotando-o de indústrias de base e de bens de consumo duráveis. (SOROMENHA, 2000, p. 12)

Dessa forma, inicia-se uma busca pela produção interna de bens de capital, que dispunha de uma demanda originada da concentração de renda, e devido ao processo de substituição de importações, desestimulou a agricultura, elevando os padrões de consumo de certas classes sociais.
O Plano selecionou cinco áreas principais: energia, transportes, indústrias básicas, alimentação e educação, com ênfase nas três primeiras (BIELCHOWSKY, 2004). Esses programas foram organizados pelo BNDE – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico - e beneficiaram a industrialização no Brasil, em vista dos efeitos interindustriais que gera por bens intermediários e, por meio da geração de emprego, sobre os bens de consumo leves. A viabilização do projeto dependia da readequação da infraestrutura e da extinção dos pontos de estrangulamento existentes, a fim de criar incentivos para a vinda de capital estrangeiro.
O Plano de Metas pode ser dividido em três pontos principais: investimentos em infraestrutura, principalmente nos setores de transporte – centrado do setor rodoviário devido ao objetivo de introduzir o setor automobilístico – e energia elétrica; estímulo ao aumento de produção de bens intermediários, que foram objeto de planos específicos, e incentivos à introdução dos setores de consumo duráveis e de capital (GREMAUD et al, 2002).
O Plano contava com o auxílio de comissões setoriais que administravam e criavam os incentivos necessários para atingir as metas, como por exemplo, o Geia – Grupo Executivo da Indústria Automobilística. Para a realização das metas, o governo investiu nas empresas estatais, ofereceu crédito com juros baixos ou até mesmo negativos e carência longa por meio do Banco do Brasil e do BNDE, uma política de reserva de mercado e a concessão de avais para a obtenção de empréstimos externos. Foram concedidos incentivos ao capital estrangeiro, como isenções fiscais e garantias de mercado, que atraíram muitas multinacionais para o país.
Os pontos de estrangulamento eram removidos e impedia-se o aparecimento de novos, com a oferta de infra-estrutura e de bens intermediários para os novos setores. Havia também os chamados pontos de germinação, com a formação de demandas derivadas que acarretavam novos investimentos, mantendo a taxa de crescimento do país.
De acordo com Gremaud et al (2002, p. 380) “O cumprimento das metas estabelecidas foi bastante satisfatório, e em alguns setores estas foram inclusive superadas”. Observaram-se profundas mudanças estruturais de base produtiva acompanhadas do rápido crescimento econômico do período. Este período caracterizou-se também pelo pior desempenho da agricultura, condizente com o objetivo do plano. A rápida industrialização foi obtida principalmente a partir de 1958. Para notar as mudanças ocasionadas pelo Plano de Metas, pode-se verificar que entre os anos de 1955 e 1962, houve um crescimento na produção industrial de materiais de transporte de 711%; materiais elétricos e comunicações 417%, contra 34% da indústria têxtil; 54% do setor de alimentos e 15% referente a bebidas. (GREMAUD et al, 2002) Percebe-se que houve uma mudança no direcionamento da produção industrial, onde os setores de bens de consumo duráveis ocuparam o lugar dos bens de consumo leve.
Os investimentos públicos, na ausência de uma reforma fiscal condizente com as metas, precisaram ser custeados principalmente através de emissão monetária, ocasionando uma aceleração inflacionária. No setor externo, há o crescimento da dívida externa e a deterioração do saldo em transações correntes. O desestímulo à agricultura e investimentos na indústria com tecnologia e capital intensivo, ampliaram a concentração de renda. Apesar da ampliação e diversificação da matriz industrial brasileira, o Plano de metas aprofundou todas as contradições criadas ao longo do PSI – Programa de Substituição de Importações (GREMAUD et al, 2002). As medidas executadas pelo Plano de Metas constituíram a base para o desempenho impressionante da economia nos anos seguintes. Este período foi o Milagre Econômico.

O MILAGRE ECONÔMICO

Após o golpe militar de 1964, no início do governo de Castelo Branco, foi criado o PAEG – Programa de Ação Econômica do Governo, que tinha como objetivos combater a inflação e realizar reformas estruturais, que permitissem o crescimento. A procedência do milagre econômico está nas reformas econômicas praticadas pelo PAEG, que adaptou a economia rumo ao crescimento e gerou uma capacidade ociosa no setor industrial (IPEA, 2007). O período de 1968 a 1973 foi marcado por taxas de crescimento excepcionalmente elevadas, com relativa estabilidade de preços (GREMAUD et al, 2002). O período caracterizou-se por uma elevação média do produto acima dos 10%a.a., principalmente para o produto industrial, enquanto a inflação estabilizava-se em torno de 15 e 20% no período. Segundo o portal FGV, “em setembro de 1970 a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro bateu o recorde de volume de transações em toda a sua história, negociando 24 milhões de cruzeiros num só dia”. O crescimento econômico e o domínio da inflação eram os objetivos principais do governo em 1967. Aceitava-se a inflação em torno de 20 a 30%a.a., com redução gradual, em objeção ao tratamento de choque. A inflação teve seu diagnostico alterado, de uma inflação de demanda para uma inflação de custos, causando um afrouxamento das políticas monetária, fiscal e creditícia, exceto a política salarial, considerada como parte de custos. Em 1968, criou-se o CIP – Conselho Interministerial de Preços, órgão responsável pela política de controle de preços, onde os reajustes deveriam ter a aprovação prévia do governo.

É importante destacar que o crescimento se colocava também como uma necessidade para legitimar o regime militar, que procurou justificar sua intervenção na necessidade de eliminar a desordem econômica e político-institucional, e recolocar o país nos trilhos do desenvolvimento (GREMAUD et al, 2002, p. 398).

As principais fontes de crescimento foram: o aumento do investimento das empresas estatais, a demanda por bens duráveis, devido à grande expansão do crédito ao consumidor; a retomada do investimento público em infra-estrutura, resultante da recuperação financeira do setor público; o crescimento da construção civil, por consequência dos investimentos públicos na área; e o crescimento das exportações, em efeito ao crescimento do comércio mundial, alterações da política externa do país e incentivos fiscais (GREMAUD et al, 2002).
A agricultura tornou-se uma fonte de demanda para a indústria, pois houve um aumento de produtividade intensiva no setor agrícola, ou seja, utilizando a mesma quantidade de terras para o plantio. Segundo Gremaud et al (2002, p.399) “nessa fase, deu-se início o processo de modernização agrícola, por meio da mecanização”. Devido ao aumento do emprego, da massa salarial e ao crescimento das exportações de produtos agrícolas e manufaturados tradicionais, a agricultura e o setor de bens de consumo leve exibiram uma atuação mais modesta. Em relação ao setor de bens de capital, o seu desempenho divide-se em duas fases: até 1970, apresentou um crescimento menor, ocasionado pela não ampliação da capacidade instalada; conforme aumentava-se os investimentos na economia, a elevação da demanda por bens de capital permitiu que este setor fosse o de maior crescimento entre 1971 e 1973, com taxas de crescimento médio de 18,1% a.a. (GREMAUD et al, 2002). Já o setor de bens intermediários registrou uma taxa média de crescimento de 13,5%a.a. no período.
A deficiência de oferta interna causou, nos setores de bens de capital e de bens intermediários, uma pressão por importações, ainda incitada pela política liberal e de incentivos à importação do Conselho de Desenvolvimento Industrial – CDI, e pode ter influenciado na produção interna de bens de capital, que cresceu somente após 1970.

A pressão por importações poderia levar à necessidade de recursos externos para cobrir o Balanço de Pagamentos, não fosse o elevado crescimento do valor das exportações brasileiras. (GREMAUD et al, 2002, p. 400).

As exportações brasileiras foram beneficiadas pelo crescimento do comércio mundial e pela política cambial e comercial, além da melhora dos termos de troca. Mas além do bom desempenho do setor exportador, o país presenciou a primeira onda de endividamento externo, principal fonte da viabilização do crescimento durante o milagre econômico. Fatores como a nova conjuntura mundial, imposta após a Segunda Guerra Mundial, a consolidação de um capitalismo independente e o equilíbrio na balança comercial despertaram o interesse de empresas norte americanas e dos liberais brasileiros na entrada do capital estrangeiro no país (IANNI, 1996). A situação cambial era estável. O volume de reservas, em 1973, era equivalente a mais de um ano de exportações, ao passo que o FMI recomendava que este volume fosse de três meses de importações.
As taxas de juros elevavam-se devido à reforma financeira (1964/1966) e pela alta demanda de crédito, que unida aos recursos que permitiam o acesso ao crédito levaram à obtenção de recursos estrangeiros, tendo como principais tomadores as empresas multinacionais e os bancos de investimentos estrangeiros. Enquanto a entrada de capital estrangeiro era transformada em reservas, a dívida pública interna crescia, tendo em vista o controle da base monetária através das operações de mercado aberto.
O Estado manifestou grande participação na economia, controlando os principais preços – câmbio, salário, tarifas, juros –, objetivando a eliminação de problemas oriundos de uma economia marcada pela inflação. Além disso, o Estado respondia pela maioria das decisões de investimento, sejam elas da administração pública ou privada, ou pela captação de recursos financeiros, incentivos fiscais e subsídios.
A principal crítica ao período do Milagre Econômico é a concentração de renda, encarada como uma estratégia para possibilitar o crescimento econômico, elevando a capacidade da poupança da economia e financiando investimentos, para que depois todos pudessem desfrutar. Foi a chamada Teoria do Bolo, onde a renda deveria crescer primeiro para que depois todos pudessem usufruir. Acreditava-se que a concentração de renda era uma propensão lógica de um país em desenvolvimento e que precisava de uma mão de obra qualificada (GREMAUD et al, 2002). Apesar do aumento da concentração de renda, a renda per capita de toda a população cresceu, o que resulta numa melhora geral, embora os ricos tivessem melhorado mais que os pobres.

CONCLUSÃO

O Brasil inicia sua atividade econômica com o cultivo e a exportação de matérias-primas de produtos agrícolas. Em alguns períodos, que se estenderam entre o século XVI e XIX, foi considerado um dos principais exportadores de açúcar, ouro e café, sendo estes seus produtos primários e tendo como secundários o fumo, algodão, cacau.
Alguns fatores contribuíram para que o país permanecesse na atividade de agroexportação por um período tão longo. O cultivo do açúcar e café gerava uma riqueza extremamente concentrada. E, a renda superavitária obtida era gasta com bens de consumo de produtos manufaturados importados, ao invés de ser revertida na produção. As técnicas de cultivo na atividade permaneciam arcaicas, a mão de obra era escrava, sem nenhuma instrução, não havia investimento na infraestrutura das fazendas não favorecendo assim a produtividade. Conclui-se ainda que, nesses três ciclos a atividade econômica no país era totalmente dependente da exportação de um único produto, cada um em sua época, tornando-se um país vulnerável a quaisquer mudanças relacionadas a eles.
A extração do ouro gerava uma menor concentração de renda. Porém, Portugal obtinha forte controle sobre as atividades econômicas brasileiras. Através de estradas mantidas propositalmente obsoletas, das proibições de navegações particulares, da isenção de qualquer instituição de ensino no país e da proibição da fabricação de produtos manufaturados que vinham da metrópole, ele manteve a economia estagnada até a independência em 1822.
O período de crescimento industrial iniciou-se em 1852 de forma modesta. As primeiras fábricas e oficinas instituídas foram de produtos têxteis, artigos de couro, cerveja, sabão, vestuário, dentre outros, denominadas indústrias leves. Neste momento o país ainda não é considerado industrializado, pois sua atividade econômica ainda é movida por 79% em exportações agrícolas.
A importação de bens de capital durante a Segunda Guerra possibilitou a construção da siderúrgica de Volta Redonda. A desvalorização da moeda e o controle de câmbio contribuíram para a queda das importações e tiveram papel fundamental na industrialização do país.
Conclui-se também que o Processo de Substituição de Importações permitiu a execução de um programa desenvolvimentista jamais realizado no país, o Plano de Metas. A produção interna de bens de capital foi valorizada, ao contrário da agricultura. O plano priorizou os investimentos em infraestrutura e energia elétrica, estimulou o aumento da produção de bens intermediários e incentivou a introdução dos setores de consumo duráveis e de capital.
Mais tarde, o país viveu um período de espetacular crescimento econômico, juntamente com o crescimento da dívida externa. O Milagre Econômico caracterizou-se por altas taxas de crescimento e uma inflação consideravelmente estabilizada.
Ao final deste trabalho, conclui-se que o Brasil desenvolveu-se economicamente principalmente pela vinda da indústria de bens de capital e pelos financiamentos estrangeiros na economia do país, que viabilizaram a expansão da atividade econômica interna do país, possibilitando o desenvolvimento
econômico.



REFERÊNCIAS


BAER, Werner. A economia brasileira. 7 ed.São Paulo: Editora Nobel., 1996. 415 p.

FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. 20 ed.São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1985. 248 p.

BIELSCHOWSKY, Ricardo. Pensamento econômico brasileiro: o ciclo ideológico do desenvolvimentismo. 5ª ed. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004.

FGV. Política econômica: o "milagre brasileiro" Disponível em:
< http://www.cpdoc.fgv.br/dhbb/verbetes_htm/3388_6.asp> Acesso em 21/05/2009

GREMAUD, A. P., VASCONCELOS, M. A. S., TONETO JÚNIOR, R. Economia Brasileira Contemporânea. Ed. Atlas, 4ª. Edição, São Paulo, 2002.

IANNI, Octavio. Estado e Planejamento no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996.

IPEA. Opinião - Lições do "milagre" econômico brasileiro de 1968 a 1973. Disponível em:
< http://www.ipea.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=2135> acesso em 27/05/2009.

FABER, Marcos; SEVERO, Eduardo; WOLF, Ismael. História econômica do Brasil na República Velha. 2008. 5 p. (Monografia de Graduação em História) – Porto Alegre - RS, Faculdade Porto-Alegrense.

SOROMENHA, G. S. Panorama da Economia Brasileira. São Paulo: I-Editora, 2000.

BUSANELLO, Andrei Ângelo; MORAIS, Jader Moreira; ABADIA, Leandro Vieira dos Santos de; SOUZA, Magno Paulo; FREITAS, Ricardo Araújo T. de; CARDOSO, Wesley Ricardo Ribeiro. Processo de Substituição de Importações: uma análise do período de 1930 a 1960. 2007. 10 p. Luziânia – GO, Centro Universitário de Desenvolvimento do Centro-Oeste

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