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A Importância Planejamento Estratégico Para o sucesso das micro e pequenas empresas

O presente trabalho tem como objetivo, discutir o planejamento estratégico dentro das micro e pequenas empresas (MPEs), Apontando as dificuldades enfrentadas na implementação desta ferramenta administrativa.

Juan Francis,
RESUMO

 

O presente trabalho tem como objetivo, discutir o planejamento estratégico dentro das micro e pequenas empresas (MPEs), Apontando as dificuldades enfrentadas na implementação desta ferramenta administrativa. Para isso foram definidos os conceitos e as etapas do planejamento estratégico, abordando a visão de renomados autores como (Terense, 2002), (Maxiniano, 2004), (Montana, 2000), (Miranda et al. 2005) e a história do planejamento estratégico. As principais vantagens de implementar um planejamento estratégico são, a possibilidade de antever as ameaças e oportunidades do ambiente e poder explorá-las, e a possibilidade de controle, já que os objetivos e resultados são mensuráveis. Muitos gestores ignoram essa ferramenta, em conseqüência disso as taxas de mortalidade das pequenas empresas nos primeiros anos de funcionamento são elevadas. Foram encontrados problemas na disseminação do planejamento estratégico para todas as áreas integrantes da organização, na ineficiente capacidade gerencial para dominar todos os setores produtivos da empresa e na insuficiência de recursos para implementação de tal ferramenta de gestão.

 

Palavras Chave: Planejamento estratégico, micro e pequenas empresas (MPE), sucesso, continuidade.

 

 

 

 

O planejamento estratégico é uma ferramenta imprescindível para a sobrevivência e sucesso das organizações. Nos dias atuais, a globalização impulsiona a inovação tecnológica e a concorrência, Entre outros fatores, esse processo de modernização tem tornado o planejamento estratégico uma eficaz arma para os gestores.

A palavra estratégia tem origem grega. Provém de estratego, que significa literalmente a arte da liderança. Era utilizada para designar a função do chefe do exército. Durante vários séculos os militares utilizaram essa palavra para designar o caminho que era dado à guerra, visando a vitória militar. Assim, a elaboração de planos de guerra passou a ser denominada estratégia (Terense, 2002).

Montana (2000), define planejamento como o processo de determinar os objetivos e metas organizacionais e como realizá-los e planejamento estratégico como o planejamento do resumo de uma organização e todos os seus componentes. Para Maximiano (2004), o planejamento estratégico é um processo que define os objetivos organizacionais que a empresa deve alcançar e facilitar a escolha dos melhores caminhos para atingi-los. Ele acrescenta dizendo que o planejamento deve envolver todas as áreas da organização e pode ser subdividido em estratégias operacionais para facilitar sua aplicabilidade. Miranda et al. (2005), assinala que o planejamento estratégico nasce a partir dos grandes objetivos que a organização quer atingir, demandando reavaliação constante e solido trabalho em equipe. Segundo ele, objetivo maior do planejamento estratégico é desenvolver estratégias que guiarão a organização a obter um melhor desempenho e, consequentemente, um melhor resultado.

 

O estudo da Administração Estratégica teve sua forma definida pela primeira vez após a Fundação Ford e a Carnegie Corporation patrocinarem, nos anos 50, a pesquisa no currículo das escolas de negócios. Um resumo dessa pesquisa, chamada de relatório Gordon-Howell, recomendou que o ensino de negócios tivesse uma natureza mais ampla e incluísse um curso de capacitação em uma área chamada de política de negócios (GORDON e HOWELL, 1959). Esse relatório conseguiu ampla aceitação. Por volta dos anos 70, o curso fazia parte do currículo de muitas escolas de negócios. Entretanto, com o passar do tempo, o enfoque inicial do curso foi ampliado, incluindo a consideração da organização global e seu ambiente. Essa ênfase mais recente e mais ampla induziu os líderes da área a mudarem o nome do curso de Política de Negócios para Administração Estratégica.

De acordo com Rolloff (2008), [...] através da implementação de um bom planejamento estratégico, a empresa consegue identificar oportunidades e ameaças presentes no meio em que atua, podendo assim maximizar seus pontos fortes e minimizar suas fraquezas, mobilizando os colaboradores e demais representantes da empresa, fazendo com que ela cresça e saiba onde está e onde pretende chagar, podendo mensurar os seus resultados.

Para Mateus (2005), O maior desafio das organizações não é montar um planejamento estratégico, embora muitas empresas de diversos segmentos não possuam uma prática sistematizada de formulação das estratégias a partir de uma Visão definida, com uma estruturação lógica e interligada em todos os níveis de atividades da organização. O grande desafio está em disseminar as estratégias a todos os níveis da organização e outras Partes Interessadas, tirar o planejado do papel, implantando com sucesso, monitorando através de uma "Gestão Estratégica".

Segundo Ansoff (1990), somente um número reduzido de empresas utiliza o verdadeiro Planejamento Estratégico. A grande maioria das organizações continua empregando as antiquadas técnicas do Planejamento a longo prazo, que se baseiam em extrapolação das situações passadas.

Uma importante etapa do planejamento estratégico é a análise do ambiente, conhecer as potencialidades e deficiências que cercam a organização é um ponto forte para a definição dos objetivos. É por esse e outros motivos que o planejamento de longo prazo não contempla a visão sistemática, que é uma necessidade imperiosa nas organizações.

Mas o que pode determinar grande parte do seu sucesso de uma administração é a capacidade de adaptação às mudanças de ambiente, antecipando-se aos seus concorrentes. O gestor que sabe utilizar esses instrumentos de planejamento de forma coerente, adaptando-os a essa realidade e às suas necessidades, pode então obter uma excelente arma competitiva. Para utilizá-la eficazmente, é importante que os gestores conheçam bem cada um dos elementos do planejamento e suas funções, assim como as mudanças que estão ocorrendo no contexto competitivo, as quais estão influenciando na própria prática do planejamento e lançando alguns desafios para a sua gestão nas empresas. Assim considera, entre os quais: o mercado nacional, regional e internacional; tecnologia; consumidores; fornecedores; economia; socioeconômica; cultura; aspectos políticos e concorrência (Miranda et al. 2005).

Wright (2007), afirma que, Todas as empresas estão inseridas em uma complexa rede de forças ambientais. Estas compostas por sistemas político-legais, econômicos, tecnológicos e sociais, que juntos formam o macroambiente. Neste cenário, o objetivo da administração estratégica é criar condições para que a empresa opere com eficácia diante de ameaças ou restrições ambientais e possa também capitalizar as oportunidades oferecidas pelo ambiente.

 

Fernandes (2005), destaca a importância da missão quando cita que a esta responde à pergunta mais básica de uma organização (e, talvez, uma pessoa), para que existimos? Nesse momento é que a missão promove um sentido mais amplo às atividades diárias e despertando para a importância do cotidiano, oferecendo uma visão do todo, e ao mesmo tempo, possibilitando o entendimento de como sua ação se encaixa no todo da organização. Ele defende que uma missão bem definida comporta vantagens que ajudam todos a compreenderem o que fazem na organização e a uniformizar os esforços de todos no que é fundamental para a empresa. A missão constitui também uma regra de decisão final.

As micro e pequenas empresas encontram muitas dificuldades quando o assunto é planejamento estratégico. De acordo com Cassaroto Filho e Pires (1998), o problema da pequena empresa é a falta de competência para dominar todas as etapas da cadeia de valor, além da própria capacidade de gestão de todas as suas etapas. Também é muito improvável que economicamente uma pequena empresa possa dominar todas as funções da cadeia produtiva. Tal situação acaba prejudicando o desenvolvimento estratégico da empresa e, consequentemente, sua competitividade dentro de um setor. Segundo Bortoli Neto, citado por Terence (2002), 80% dos problemas apresentados nas pequenas empresas são de natureza estratégica e apenas 20% resultam na insuficiência de recursos. Nota-se que a grande questão para o aumento da competitividade e sobrevivência das empresas se relaciona à estratégia.

Santos (2004) acredita que o estudo de metodologias disponíveis para que as empresas, em especial as micro e pequenas empresas (MPEs), realizem o monitoramento do ambiente para a detecção de tendências e se reorganizem, é de relevante importância para a busca do sucesso da organização, sendo que o planejamento estratégico mostra-se como a ferramenta mais acessível e eficaz para a MPE, capaz de preencher os requisitos do monitoramento necessário.

A lei n° 9.841, de 05-10-99, instituiu o novo estatuto da microempresa e da empresa de pequeno porte (MPE), dispondo sobre o tratamento jurídico diferenciado, simplificado e favorecido. Esse estatuto define microempresa como, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais). E também define empresa de pequeno porte como, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que, não enquadrada como microempresa, tiver receita bruta anual superior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) ( Fabretti, 2000).

As pequenas empresas contribuem inquestionavelmente para o bem estar econômico da nação, colaborando com o desenvolvimento e oferecendo contribuições excepcionais, na medida que oferecem novos empregos, introduzem inovações, estimulam a competição, auxiliam as grandes empresas e produzem bens e serviços com eficiência (Longenecker et al. 1997).

As empresas possuem algumas peculiaridades que influenciam na atuação e demandam um processo diferenciado de gestão. Estas peculiaridades, se bem exploradas e administradas, podem ser consideradas uma vantagem competitiva às empresas de pequeno porte (Terence, 2002).

O SEBRAE (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), divulgou um relatório de pesquisa, o qual aponta a taxa de mortalidade empresarial no Brasil, apurada para as empresas constituídas e registradas nas juntas comerciais dos estados nos anos de 2000, 2001, e 2002, revela que 49,4% encerraram suas atividades com até 02 (dois) anos de existência, 56,4% com até 03 (três) anos e 59,9% não sobrevivem além dos 04 (quatro) anos (Sebrae, 2004).

Para Miranda et al. (2005), as micro e pequenas empresas não fazem um planejamento antes de iniciar o negócio, muito menos onde se quer chegar com o empreendimento. Geralmente acontece assim: tem-se a idéia, abre-se a empresa e espera-se o cliente entrar. Só visa-se o "lucro". É investido quase todo o capital próprio e ainda dinheiro de empréstimos numa visão sólida de crescimento. Logo depois, perde-se dinheiro, o negócio e adquire-se muita dívida.

Devido à ação empreendedora do homem possibilitou-lhe intervir, modificar e dominar o meio ambiente, criando e inovando na busca de elevados patamares de produção e de melhores níveis de qualidade de vida. A sociedade moderna, cada vez mais urbanizada necessita de pessoas capazes de criar organizações que gerem bens e serviços que satisfaçam as necessidades de uma população mundial crescente (Garcia, 2008). Esses foram os primeiros passos para a globalização. Em tempos de acirrada competição, as empresas lutam para acompanhar as constantes mudanças que essa inovação acarreta. Neste turbulento cenário, as pequenas empresas precisam utilizar da melhor maneira possível seus recursos e habilidades, explorando as oportunidades e superando as ameaças ambientais.

 

Portanto ficou claro que nos dias atuais os desafios enfrentados pelas pequenas empresas são inúmeros e que para vencê-los, a pequena empresa necessita de um planejamento estratégico bem definido. Conhecer todas as oportunidades e ameaças que cercam a empresa é de fundamental importância para que sejam definidas as estratégias necessárias para o sucesso da organização.

Diante dos benefícios advindos da criação e continuidade da pequena empresa, são eles econômico-sociais, geração de empregos, inovação tecnológica, desenvolvimento social, criação de bens e serviços eficazes, geração de renda entre outros. Faz-se necessário a criação de políticas públicas que beneficiem as micro e pequenas empresas e estimulem a criação de novas empresas deste segmento. Criar programas e estímulos que baixem a taxa de mortalidade das MPEs, divulgar e tornar acessíveis as eficazes ferramentas como o planejamento estratégico. Subsidiar essas organizações significa investir nas ferramentas para desenvolver o país.

 

 

 

 

 

                                        REFERÊNCIA BIBLÍOGRAFICA

 

 

ALDAY, Herman E. Contreras. O planejamento Estratégico Dentro do Conceito de Administração Estratégica. Curitiba: Revista FAE, 2000.

 

ANSOFF, H. Igor. Do planejamento estratégico à administração estratégica. São Paulo : Atlas, 1990.

 

CASSAROTO FILHO, N.; PIRES, L. H. Redes de pequenas e médias empresas e o desenvolvimento local. Sao Paulo: Atlas, 1998.

 

FABRETTI, Láudio Camargo. Prática tributária da micro e pequena empresa.4. Ed. São Paulo: atlas, 2000.

 

FERNANDES, Bruno H. Rocha. Administração Estratégica. São Paulo: Saraiva, 2005.

 

GARCIA, Luiz Fernando. O Empreendedorismo e a Globalização, 2008. Disponível em: <http://globalizacaoeseusefeitosnasempresas.blogspot.com>. Acessado em: 26 de novembro de 2010.

 

GORDON, R. A.; HOWELL, J. E. Higher education for business. New York : Columbia University Press, 1959.

 

LONGENECKER, justin G. et al. Administração de pequenas empreas. Tradução de Maria Lucia G. L. Rosa e Sidney Stancatti. São Paulo : Makron books, 1997. Título original: Small business Managemente.

 

MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Introdução a administração. 6ed.São Paulo: Atlas, 2004.

 

MATEUS, Eduardo Gonçalves. Noções de Planejamento Estratégico e Gestão Estratégica, 2010. Disponível em: <www.artigos.com.> Acessado em: 28 de agosto de 2010.

 

MIRANDA, Isabella Tamine Parra et al. A importância do planejamento estratégico para o crescimento das empresas. Maringa Management: Revista de Ciências empresariais, Maringá, SP, v.2, n.1, p. 34-39, jan./jun. 2005.

 

ROLLOFF, Jaqueline Paula. Planejamento Estratégico: O caso da Clínica de Balanças Melo Ltda. In: ROJO, Claudio Antonio (coord.). MBA Gestão Estratégica: coetânea de textos. Cascavel, PR: Assoeste, 2008. p. 139-144.

 

SANTOS. José R. L., Plenejamento estratégico: Uma ferramenta acessível à pequena empresa. Campinas, SP: Unicamp, 2004.

 

TERENCE, Ana Claúdia Fernandes. Planejamento estratégico como ferramenta de competitividade na pequena empresa: Desenvolvimento e avaliação de um roteiro tático para o processo de elaboração do planejamento. 2002. 211 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2002.

 

WRIGHT, Peter L. et al. Administração estratégica: conceitos. Tradução Celso A. Rimoli, Lenita R. Esteves. 1.ed. São Paulo: Atlas, 2007. 433p. Título Original: Strategic Management.

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Tags: continuidade Pequenas empresas Planejamento Estratégico sucesso

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