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A produção de eucalipto no Brasil: benefícios para o meio ambiente

Esse artigo tem como objetivo demonstrar a importância da produção de eucalipto para a economia brasileira, bem como os seus benefícios para o meio ambiente, como na questão de sequestro de carbono e na sua utilização em substituições a outras madeiras nobres para as diversas industrias.

1. INTRODUÇÃO

 

Eucalipto (do grego, eu + καλύπτω = "verdadeira cobertura") é a designação vulgar das várias espécies vegetais do género Eucalyptus, ainda que o nome se aplique ainda a outros géneros de mirtáceas, nomeadamente dos géneros Corymbia e Angophora. São, em termos gerais, árvores e, em alguns raros casos, arbustos, nativas da Oceania, onde constituem, de longe o género dominante da flora. O género inclui mais de 700 espécies, quase todas originárias da Austrália, existindo apenas um pequeno número de espécies próprias dos territórios vizinhos da Nova Guiné e Indonésia, mais uma espécie no norte das Filipinas. Adaptados a praticamente a todas as condições climáticas, os eucaliptos caracterizam a paisagem da Oceania de uma forma que não é comparável a qualquer outra espécie, noutro continente.

 

 

O desenvolvimento da humanidade está intimamente relacionado ao uso das florestas. Até pouco tempo, a necessidade de madeira era suprida quase que exclusivamente por meio das florestas nativas, cuja destruição tem provocado, muitas vezes, danos irreversíveis a alguns ecossistemas. A situação é alarmante. É nesse contexto que entra o eucalipto, uma árvore da maior importância para o mundo, em virtude de seu rápido crescimento, produtividade, grande capacidade de adaptação e por ter inúmeras aplicações em diferentes setores. Esta planta está presente nos cinco continentes e em todos os Estados brasileiros, segundo informações da Sociedade Brasileira de Silvicultura. O plantio de eucalipto é, portanto, uma solução para diminuir a pressão sobre as florestas nativas, viabilizando a produção de madeira para atender às necessidades da sociedade em bases sustentáveis.

 

 

No Brasil existem extensas áreas plantadas, sobretudo, no Estado de Minas Gerais, que possui cerca de 2% do seu território ocupados com Eucaliptos. Um dos grandes municípios produtores do país, que há mais de trinta anos desenvolve a silvicultura, é o município mineiro de Itamarandiba. Atualmente esta cidade é um dentre os diversos pólos da produção de mudas clonais de Minas Gerais e do Brasil.

 

 

Um pequeno género botânico de árvores similares, Angophora, conhecido desde o século XVIII, tem vindo a ser considerado, desde 1995, graças a evidências principalmente genéticas, um género mais próximo de algumas espécies que pertenciam género Eucalyptus, pelo que se decidiu criar o género Corymbia. Ainda que em géneros separados, os três grupos estão intimamente relacionados a nível genético, pelo que é perfeitamente aceitável que sejam vulgarmente designados como eucaliptos.

 

 


• 2. DESENVOLVIMENTO

 

A sociedade necessita de produtos de base florestal para a sua sobrevivência e conforto. As florestas nativas, antes abundantes, estão cada vez mais escassas e ameaçadas de desaparecerem. O pouco que resta, considerando em particular o centro-sul do país, é indispensável para a manutenção da biodiversidade e de diversos serviços ambientais.

 

Neste contexto, as plantações florestais do Brasil apresentam um papel de destaque nos cenários nacional e internacional. Isto ocorre também graças à junção de alguns fatores favoráveis à silvicultura no país, como as condições de solo e clima tropicais, o desenvolvimento de tecnologia de ponta, além da disponibilidade de áreas para plantio e mão-de-obra.

 

Apesar da relevância desse setor para a economia brasileira, alguns aspectos, principalmente os relacionados às interações com o meio ambiente, ainda não foram amplamente divulgados ou não são de conhecimento da grande maioria da população.

 

 

O desenvolvimento da humanidade está intimamente relacionado ao uso das florestas. Até pouco tempo, a necessidade de madeira era suprida quase que exclusivamente por meio das florestas nativas, cuja destruição tem provocado, muitas vezes, danos irreversíveis a alguns ecossistemas. A situação é alarmante.

 

É nesse contexto que entra o eucalipto, uma árvore da maior importância para o mundo, em virtude de seu rápido crescimento, produtividade, grande capacidade de adaptação e por ter inúmeras aplicações em diferentes setores. Esta planta está presente nos cinco continentes e em todos os Estados brasileiros, segundo informações da Sociedade Brasileira de Silvicultura. O plantio de eucalipto é, portanto, uma solução para diminuir a pressão sobre as florestas nativas, viabilizando a produção de madeira para atender às necessidades da sociedade em bases sustentáveis:

 

 

Ø Um hectare de floresta plantada de eucalipto produz a mesma quantidade de madeira que 30 hectares de florestas tropicais nativas.
Ø No Brasil, dos 300 milhões de metros cúbicos de madeira consumidos por ano, somente 100 milhões provêm de plantios florestais.

 

O Eucalipto é originário da Austrália e de outras ilhas da Oceania, onde ocorrem mais de 600 espécies do gênero, o eucalipto começou a ser trazido para o Brasil na segunda metade do século XIX, com o objetivo de ajudar na produção de dormentes para as linhas férreas que se instalavam no país. A partir dessa época, o eucalipto passou a fazer parte da paisagem brasileira, ao lado de outros estrangeiros conhecidos, como o café e o trigo (do Oriente Médio), o arroz e a soja (da Ásia), o feijão, o coco, a cana-de-açúcar e gramíneas forrageiras (da África), o milho (do México) e a banana (do Caribe).

 

Na década de 40 foram realizados os primeiros plantios de eucalipto em Minas Gerais, para utilização como carvão vegetal no processo de fabricação do ferro gusa, usado na produção do aço. Já no início dos anos 70,

 

 

 

 

 

São inúmeras as formas de contabilizar as riquezas geradas nas comunidades próximas ao cultivo do eucalipto. Entre elas, empregos diretos e indiretos, recolhimento de impostos, investimentos em infra-estrutura, consumo de bens de produção local, fomento a diversos tipos de novos negócios (inclusive de plantios em áreas improdutivas) e iniciativas na área social como construção de novas escolas e postos de saúde, além de doações, que levam cidadania a áreas antes esquecidas.

 

A indústria de base florestal é estratégica para o Brasil devido ao seu perfil fortemente exportador. Isso contribui para a realização do superávit da balança comercial, propiciando as condições econômicas necessárias à promoção do desenvolvimento social.

 

O setor já responde pela segunda posição na balança comercial do agronegócio brasileiro. No período de setembro de 2002 a setembro de 2003, celulose e papel e produtos sólidos de madeira acumularam exportações de US$ 5,1 bilhões. A liderança desse ranking é ocupada pelo complexo agroindustrial da soja, que faturou US$ 7,7 bilhões no mesmo período.

 

Estima-se que o setor florestal no Brasil seja responsável pela existência de 500 mil empregos diretos e outros 2 milhões indiretos.

 

Em termos tributários, o setor também dá uma demonstração de força, pois a estimativa é de uma arrecadação anual de US$ 4,6 bilhões em impostos.

 

 

 

O eucalipto foi introduzido no Brasil, em 1904. O objetivo era suprir as necessidades de lenha, postes e dormentes das estradas de ferro, na região Sudeste. Na década de 50, passou a ser usado como matéria prima no abastecimento das fábricas de papel e celulose. Apresenta-se como uma espécie vegetal de rápido crescimento e adaptada para as situações edafo-bioclimáticas brasileira. O eucalipto teve um crescimento expressivo durante o período dos incentivos fiscais, nas décadas de 60, 70 e perdurou até meados dos anos 80.

 

Esse período foi considerado um marco na silvicultura brasileira dado os efeitos positivos que gerou no setor. A partir do término dos incentivos fiscais houve um crescimento marginal negativo no plantio de eucaliptos. Exceção disso ocorreu naqueles feitos, independentes dos investimentos, nas indústrias de papel e celulose e de siderúrgicas a carvão vegetal. Atualmente, a área ocupada com eucaliptos atinge 1,9 milhões de hectares.

 

 


A importância relativa da matéria-prima no país pode ser observada através do seu preço. Observa-se que de 1995 a 2000 ocorreu uma variação entre 16,67% até 37,78% no crescimento dos preços de produtos de origem florestal . Isso se explica em conseqüência do tipo de madeira demandada pelo mercado. Aqueles eucaliptos que são comercializados mais jovens, com menor diâmetro, obtém um preço médio mais baixo, enquanto os que se destinam para os usos mais nobres, obtém um preço mais elevado. Assim, a produção destinada à energia e celulose tem um preço inferior àquela matéria-prima destinada para madeiras serradas e aglomerados. Logo, os interessados em aumentar a renda na produção florestal deveriam optar para produzir eucaliptos em ciclos mais longos.

 

 


• 4. Eucalipto brasileiro no mercado mundial

 

A participação brasileira de produtos florestais no mercado mundial é de 2%. Mas, aqui são considerados os dados agregados de diferentes áreas, incluindo o eucalipto. No caso do comércio de papel, o Brasil é o 11º produtor mundial, com 2,2% da produção. Já no caso do comércio de celulose, são 4,2% onde o Brasil é o 7º colocado como produtor mundial. No caso do comércio de madeira serrada a posição brasileira é de 5º produtor mundial, com uma participação relativa de 4,3%. Da mesma forma, no comércio de compensados a participação brasileira é de 2,9%, enquanto de painéis reconstituídos esse valor cresce para 3% e para 11,1% do comércio de chapas duras. O eucalipto brasileiro apresenta um forte potencial de expansão no mercado internacional nos próximos anos.

 

 


• 5. Produção de Eucalipto em Mato Grosso

 

Atualmente existe no estado de Mato Grosso, mais especificamente na cidade de Cuiabá, um empreendimento denominado Fazenda Jardim, que destina a entre outros o reflorestamento e o Plantio de Eucalipto

 

 

Fazenda Jardim sempre foi uma área denominada para Pecuária antigamente com 1200 (um mil e duzentas) vacas, tinha como método de trabalho para Cria e Recria. Com o passar dos anos o Proprietário da Fazenda resolveu fazer uma mudança em sua Propriedade ocasionando assim, saindo da Pecuária e Iniciando ao Reflorestamento.

 

Hoje a Fazenda Jardim possui uma área total de 2.580 hectares, tendo 2.000 hectares com Plantio de Eucalipto, ou seja, 2.222 (dois milhões duzentos e vinte e dois mil pés de Eucaliptos), APP Área Preservação Permanente com 64 hectares e ARL Área Reserva Legal 516 hectares. Possui em seu Plantio varias espécies de Eucalipto.

 

Para o Sr. Fernando Prates a importância da Plantação é em virtude do Futuro da Floresta Nativa. Antes abundantes, estão cada vez mais escassas e ameaçadas de desaparecerem. O pouco que resta, considerando em particular o centro-sul do país, é indispensável para a manutenção da biodiversidade e de diversos serviços ambientais. Neste pensamento, as plantações florestais do Brasil apresentam um papel de destaque nos cenários nacional e internacional. Isto ocorre também graças à junção de alguns fatores favoráveis à silvicultura no país, como as condições de solo e clima tropicais, o desenvolvimento de tecnologia de ponta, além da disponibilidade de áreas para plantio e mão-de-obra.

 

Hoje o Eucalipto é uma necessidade pois o desenvolvimento da humanidade está intimamente relacionado ao uso das florestas. Até pouco tempo, a necessidade de madeira era suprida quase que exclusivamente por meio das florestas nativas, cuja destruição tem provocado, muitas vezes, danos irreversíveis a alguns ecossistemas. A situação é alarmante. É nesse contexto que entra o eucalipto, uma árvore da maior importância para o mundo, em virtude de seu rápido crescimento, produtividade, grande capacidade de adaptação e por ter inúmeras aplicações em diferentes setores. Esta planta está presente nos cinco continentes e em todos os Estados brasileiros, segundo informações da Sociedade Brasileira de Silvicultura.

 

O plantio de eucalipto é, portanto, uma solução para diminuir a pressão sobre as florestas nativas, viabilizando a produção de madeira para atender às necessidades da sociedade em bases sustentáveis.

 

 


• 6. Crédito de carbono

 

Os Créditos de Carbono são Certificados emitidos por agências de proteção ambiental reguladoras autorizando emissões de toneladas de dióxido de enxofre, monóxido de carbono e outros gases poluentes. São selecionadas organizações entre as mais poluentes e após são estabelecidos metas para a redução de suas emissões.

 

As empresas recebem bônus negociáveis na proporção de suas responsabilidades. Cada bônus, cotado em dólares, equivale a uma tonelada de poluentes. Quem não cumpre as metas de redução progressiva estabelecidas por lei, tem que comprar certificados das empresas mais bem sucedidas. O sistema tem a vantagem de permitir que cada empresa estabeleça seu próprio ritmo de adequação às leis ambientais.

 

Estes certificados podem ser comercializados através das Bolsas de Valores e de Mercadorias, como o exemplo do Clean Air de 1970, e os contratos na bolsa estadunidense. (Emission Trading - Joint Implementation).

 

Há várias empresas especializadas no desenvolvimento de projetos que reduzem o nível de gás carbônico na atmosfera e na negociação de certificados de emissão do gás espalhadas pelo mundo se preparando para vender cotas dos países subdesenvolvidos e países em desenvolvimento, que em geral emitem menos poluentes, para os que poluem mais. Enfim, preparam-se para negociar contratos de compra e venda de certificados que conferem aos países desenvolvidos o direito de poluir.

 

Crédito de Carbono é então, uma espécie de moeda ambiental, que pode ser conseguida por diversos meios: Projetos que absorvam GEE (Gases de Efeito Estufa) da atmosfera, reflorestamento, por exemplo:

 

Ø Redução das emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis;
Ø Substituição de combustíveis fósseis por energia limpa e renovável, como eólica, solar, biomassa, PCH (Pequena Central Hidrelétrica) etc;
 Ø Aproveitamento das emissões que seriam de qualquer forma descarregadas na atmosfera (metano de aterros sanitários), para a produção de energia.

 

O Brasil possui um grande potencial para a geração de "créditos de carbono". O porte de nosso setor florestal é inigualável, nossa matriz energética é peculiar e não nos faltam fatores físicos, geográficos e climáticos favoráveis ao desenvolvimento de fontes energéticas ambientalmente sadias.

 

 


• 7. Adequação ao Crédito de Carbono

 

Para que um projeto se encaixe dentro das regras do MDL este precisa cumprir um critério que se chama adicionalidade, segundo este, um projeto precisa: ou absorver dióxido de carbono da atmosfera (no caso de reflorestamentos) ou evitar o lançamento de gases do efeito estufa (no caso de eficiência energética). Além disso, por este critério, o projeto precisa adicionar alguma vantagem, a qual não ocorreria sem este. Ou seja, no caso de reflorestamentos já ocorridos, o projeto não apresenta a adicionalidade, pois o reflorestamento já existia na ausência do projeto.

 

Quanto à obtenção de créditos de carbono, a conservação e o manejo florestal não se encaixam dentro dos pré-requisitos para projetos de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), ou seja, de comércio de carbono. O mercado de carbono possui um critério que se chama adicionalidade, segundo este, um projeto precisa: ou absorver dióxido de carbono da atmosfera (no caso de reflorestamentos) ou evitar o lançamento de gases do efeito estufa (no caso de eficiência energética). Assim, no caso de conservação florestal, não há adicionalidade pois, sem o projeto, a absorção do CO2 já ocorreria naturalmente. Mas esta possibilidade está sendo amplamente discutida, e já existem algumas bolsas de participação voluntária que negociam estes créditos, fora do mercado vinculado ao Protocolo de Quioto. Uma destas bolsas é a Chicago Climate Exchange. Existem também alguns fundos que apóiam este tipo de projeto, como o BioCarbon Fund, do Banco Mundial e o Climate Care (www.climatecare.org). Uma possibilidade concreta para incentivar a preservação de áreas de mata nativa é a criação de uma RPPN (Reserva Privada do Patrimônio Natural). Em alguns estados a criação dessas reservas possibilita a isenção de alguns impostos e a utilização dessas áreas para fins de educação ambiental e ecoturismo.

 

 


• 8. Ampliação do mercado de carbono e maior atenção às mudanças climáticas

 

A temática sobre mudança global do clima ganha a cada dia maior relevância na agenda de governos, empresas e da sociedade como um todo. Embora ainda seja marcado por alguma controvérsia sobre a real extensão do problema, o aquecimento do planeta causado pela atividade humana é, hoje, reconhecido pela comunidade científica internacional, e demanda grande disposição política para sua mitigação e reversão.

 

A mudança do clima resulta de um processo de acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera, que está em curso desde a revolução industrial. A constatação de mudanças no clima do planeta nas últimas décadas direcionou os esforços da comunidade internacional para criar mecanismos globais que possam reverter este quadro. Assim, se estabeleceu em 1992 a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (United Nations Framework Convention on Climate Change - UNFCCC), a qual tem por objetivo estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, em um nível que reduza a interferência antrópica prejudicial ao equilíbrio climático do planeta.

 

A 3ª Conferência da Partes (COP-3), realizada pelos países membros da Convenção do Clima, em 1997 na cidade de Quioto (Japão), destacou-se pela proposição do Protocolo de Quioto. Através deste acordo, os países industrializados (indicados no Anexo I do mesmo) concordaram, no horizonte entre 2005 a 2008 (Fase I) e 2008 a 2012 (Fase II), a reduzir suas emissões dos três mais importantes gases causadores do efeito estufa (CO2, CH4 e N2O, respectivamente dióxido de carbono, metano e óxido nitroso) em 5,2%, tomando como base os níveis observados em 1990.

 

Para facilitar o cumprimento das metas estabelecidas e assim evitar impactos econômicos negativos da redução direta de emissões nesses países, o Protocolo de Quioto estabeleceu três mecanismos de flexibilização que podem ser considerados na contabilidade de emissões de cada país: (i) Comércio de Emissões, (ii) Implementação Conjunta e (iii) Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL (Clean Development Mechanism).

 

A proposta de MDL consiste na implantação de um projeto em um país em desenvolvimento  com o objetivo de reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE) e contribuir para o desenvolvimento sustentável local. Cada tonelada de CO2 equivalente deixada de ser emitida ou retirada da atmosfera através de projetos de MDL se transforma em uma unidade de crédito de carbono, chamada Redução Certificada de Emissão (RCE), que poderá ser negociada no mercado mundial. Estes podem ser utilizados no cumprimento de parte dos compromissos de redução de emissões dos países industrializados.

 

Embora criado em 1997, o Protocolo de Quioto só passou a vigorar a partir de fevereiro de 2005. A demora excessiva para a entrada em vigor do Protocolo levou ao estabelecimento de mercados de créditos de carbono voluntários (os chamados Não-Quioto), como a Bolsa do Clima de Chicago (Chicago Climate Exchange - CCX) e sua empresa-irmã européia, a Bolsa Européia do Clima (European Climate Exchange - ECX), e outros incluídos na figura 2.01, regidas por regras próprias, à parte do Protocolo de Quioto e da Convenção do Clima. Os acordos que delineiam as regras desses mercados são estabelecidos entre empresas privadas, sem interferência de Governos, ao contrário do Protocolo de Quioto, que é um acordo estabelecido entre países, onde o mecanismo de avaliação e aprovação de projetos conta necessariamente com a participação dos governos do país sede e do país comprador dos créditos de carbono.

 

Conforme se observa, o mercado atual de carbono pode ser dividido entre aquele relacionado ao Protocolo de Quioto, no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e aqueles Não-Quioto. Estes últimos se relacionam com a Redução Certificada de Emissão (RCE) e a Redução de Emissão (RE). O mercado de carbono "Não-Quioto" conta ainda com outras iniciativas voluntárias, como o mercado de neutralização de emissões de empreendimentos industriais/comerciais, neutralização de eventos e outros, através do seqüestro de carbono feito por árvores plantadas. Estes projetos voluntários de neutralização de carbono não são regulamentados por um mercado e, portanto, possuem condições peculiares que devem ser cuidadosamente avaliadas pelas empresas interessadas.

 

As florestas desempenham um papel fundamental na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas seqüestrando CO2 da atmosfera por meio da fotossíntese. Devido ao fato do Brasil possuir excelentes condições de solo e clima, o potencial para implementação de projetos florestais no âmbito do MDL, ou de outros mercados Não-Quioto, é grande e pode ser explorado pelo país. Com foco nas florestas de produção, o Brasil possui grandes vantagens competitivas em comparação a outros países, como por exemplo, a alta produtividade de espécies como o eucalipto (média de 35 m³ de madeira/ha.ano) e seu curto período de maturação para o primeiro corte (6-7 anos). Apesar do volume de CO2 seqüestrado por uma floresta depender da espécie plantada, tipo de clone, condições de solo e clima, tipo de manejo, entre outros, estima-se que uma floresta de eucalipto com tal produtividade média contribua com o seqüestro de aproximadamente 200 toneladas de CO2e por hectare/ano. No entanto, tem se observado grande variação no preço da tonelada de CO2e (RCE) 1 negociada no mercado Europeu nos últimos meses, principalmente devido aos reflexos da crise financeira mundial, atingindo níveis entre 9 e 11 Euros.

 

 

Atualmente, dos mais de 4.200 projetos de MDL em processo de avaliação pelo Comitê Executivo do MDL na ONU, 1.423 estão registrados e 59 solicitaram o registro3 . Dos já registrados, somente dois são projetos florestais, o que mostra o fraco desempenho do setor. Limitações na regulamentação de projetos florestais, mensuração dos créditos de carbono temporários, entre outros fatores, contribuíram para este desempenho. No entanto, existem 10 metodologias de projetos de grande escala aprovadas pela ONU para projetos de florestamento e reflorestamento no âmbito do MDL.

 

Entre elas destaca-se a AR-AM0005 que trata do plantio de florestas para uso industrial e/ou comercial. Esta metodologia foi desenvolvida por uma empresa brasileira, associada da ABRAF, com base em uma experiência nacional e com potencial para replicar projetos florestais para todo o setor siderúrgico brasileiro. A figura 2.02 compara a emissão de CO2 no processo de produção de ferro e aço através da utilização do carvão mineral e o carvão vegetal renovável (bio-combustível sólido). Apesar de ambos emitirem CO2 na atmosfera, no processo do carvão vegetal também ocorre a remoção deste gás, gerando assim maior benefício climático.

 

 


• CONCLUSÕES

 

Apesar da temática do Mercado de Carbono ser relativamente nova e pouco difundida no Brasil, essa prática tem se mostrado bem eficiente e lucrativa. Com bases em dados da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (FAMATO), a quantidade de terras em Mato Grosso destinadas ao agronegócio é suficiente para que haja um aumento na produtividade, sem que seja necessário derrubar mais uma árvore. A associação ou rodízio de cultura e alternância entre agricultura e pecuária intensiva representam alternativas reais para o aumento da produção agrícola do estado.

 

Em síntese, se o agricultor optar pelo rodízio de culturas, ele poderá aumentar sua produtividade sem aumentar a degradação do meio ambiente, e sem mencionar que contribui para que o nível de nutrientes no solo seja preservado e solo possa produzir por um maior período de tempo. O pecuarista, por exemplo, ao destinar 30% (trinta por cento) de sua área de pastagem para a utilização em prol da produção florestal, caso queira optar pelo plantio de floresta ou até mesmo produção de alimentos.

 

O pecuarista que optar pela produção florestal, seja ela Plantio de Floresta ou Produção Alimentícia deverá corrigir o solo com o objetivo de maximizar seus resultados. Quando o mesmo optar pela produção de Florestas plantadas, e em especial o Eucalipto, poderá após um determinado período, desenvolver a produção florestal juntamente com a pecuária. Nessa linha de pensamento ao decidir pela produção de florestas plantadas o pecuarista poderá ao mesmo tempo obter rentabilidade com a utilização da área plantada para a produção de madeira (Ex: Eucalipto) como também obter autorização para a venda de créditos de carbono.

 

Em termos numéricos, uma tonelada de carbono equivale a um crédito de carbono e um hectare de floresta equivale a 100 (cem) toneladas de crédito de carbono. No mercado internacional o crédito de carbono é vendido por valor aproximado de cinco dólares por crédito, então se a área destinada a produção for de 100 (cem) hectares, ele receberá o valor de aproximadamente quinhentos dólares, sem mencionarmos os benefícios fiscais que alguns entes públicos oferecem a aqueles que desenvolvem políticas ambientais.

 

O atual produtor preocupa-se não só apenas com a maximização de sua produção, mas sim com a minimização dos desgastes ambientais produzidos por sua cultura. A REDD (Redução das Emissões por Desmatamentos e Degradação) premia com remuneração aqueles que desmatam abaixo do permitido por lei e que, ao mesmo tempo, preservam as Florestas, os recursos hídricos e a biodiversidade. Como também aqueles que possuem projetos ambientais de recuperação de áreas degradadas.

 

 

 



REFERÊNCIAS:

 

 

Sociedade Brasileira de Silvicultura http://www.sbs.org.br/

 

 

Associação Brasileira de produtores de Florestas Plantadas Disponível em: <www.abraflor.org.br/duvidas/cartilha.asp>

 

 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CELULOSE E PAPEL. BRACELPA: estatísticas. Disponível em:<www.bracelpa@bracelpa.org.br>.

 

 

CENIBRA http://www.cenibra.com.br/

 

 

Fazenda Jardim Disponível em <www.fazendajardim.com.br/index.php?pg=capa>

 

 

 

Associação Brasileira de produtores de Florestas Plantadas estatísticas. Disponível http://www.abraflor.org.br/estatisticas/ABRAF09-BR.pdf

 

 

 

Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso. Disponível em: <www.famato.org.br>

 

 

PLANO DE MANEJO FLORESTAL DA ARCELOR MITTAL. Disponível em: www.caf.ind.br/index.asp?Grupo=3&SubGrupo=12&Item=68
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Tags: Eucalipto Meio ambiente produção Florestal seqüestro de carbono