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As fraudes no mundo empresarial

Nathália de Oliveira,
AS FRAUDES NO MUNDO EMPRESARIAL
RESUMO
Nos últimos anos, os casos de fraudes têm ocupado os meios de comunicação. O que pode contribuir para essa situação é a velocidade das mudanças no ambiente organizacional e os controles internos não estarem conseguindo acompanhar a mesma velocidade, aumentando assim o potencial de praticas de atos ilícitos. Por outro lado, o avanço tecnológico contribui para a informatização, possibilitando melhoria na detecção das fraudes. Porém o assunto fraude ainda não é tratado com a transparência e cuidados necessários e as empresas necessitariam incorporá-lo como risco inerente ao negócio. Visando um aprofundamento desse tema, este artigo teve como objetivo principal a avaliação das atitudes das empresas que colaboram para a incidência das fraudes, verificar como as empresas praticam a prevenção as fraudes, quais as mais freqüentes e suas principais conseqüências. Os resultados desse estudo expõem alguns métodos que podem ser usados de forma preventiva e possíveis soluções para combater as conseqüências que as fraudes podem trazer para as organizações.




Elisânjela Ribeiro
Faculdade Projeção - DF

Fabio Pedreira
Faculdade Projeção - DF

Julio César
Faculdade Projeção - DF

Nathália Santos
Faculdade Projeção - DF

Vanessa França
Faculdade Projeção - DF

William França
Faculdade Projeção - DF








PALAVRAS – CHAVE Fraudes, fatores que influenciam na incidência, prevenção, conseqüências.
INTRODUÇÃO

As diversas mudanças no ambiente organizacional impactaram no aumento da ocorrência de fraudes nas empresas. Isso ocorreu devido à falta de transparência e cuidados necessários dos gestores que não enfrentam a fraude como risco inerente ao negocio, proporcionando no um grande problema para as organizações. O que pode contribuir para essa situação é a velocidade das mudanças no ambiente organizacional e os controles internos não estarem conseguindo acompanhar a mesma velocidade, aumentando assim o potencial de práticas de atos ilícitos. Por outro lado, o avanço tecnológico contribuiu para a informatização, possibilitando melhorias na detecção das fraudes. Porém, o assunto fraude ainda não é tratado com a transparência e cuidados necessários e as empresas necessitariam incorporá-lo como risco inerente ao negócio.
Visando um aprofundamento desse tema esse artigo teve como objetivo principal analisar as oportunidades disponibilizadas pelas empresas que facilitam o ato das fraudes.











REFERENCIAL TEÓRICO

Conceito de fraude

Fraude é um tipo de crime previsto na legislação criminal, levando um dispositivo especial no Código Penal Brasileiro, em seu artigo 171, V, com previsão de pena de reclusão de um a cinco anos.
De acordo com Pereira (1987, p.220) “a palavra fraude tem origem do latim fraus, fraudis (engano, má-fé, logro), a fraude é normalmente compreendida como o engano malicioso, intentado de má-fé, destinado a encobrir a verdade ou a contornar um dever”.
Segundo Gil (1998, p.91):
A fraude tem o caráter de ação intencional e prejudicial, é o ato praticado com intenção de lesar terceiros, fazendo uso de informação privilegiada em benefício próprio. É a obtenção para si ou para outrem, de vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro.

Como ocorrem as fraudes

O fraudador geralmente não comete a fraude sozinho, mas conta com o apoio de outras pessoas que são coniventes ao fato. Rasmussen (1998, p. 195) comenta que : “na maioria dos casos inicia-se o ato ilícito com quantidades pequenas que aumentam à medida que cresce a confiança do fraudador”. A ocorrência em muito se deve a não-inobservância dos controles internos existentes ou a sua fraqueza. A prevenção dessa ocorrência se torna mais importante que a detecção.



Principais motivos que influenciam na ocorrência das fraudes

O que leva um funcionário a realizar fraudes é a “oportunidade” de desvios sem a percepção da empresa. Pessoas que nunca realizaram fraudes podem aproveitar falhas de controle para obter ganhos imediatos. Um principio básico e muito freqüente na elaboração de uma fraude é desfrutar a ganância das pessoas que sonham em obter muito dinheiro (ou outras vantagens) sem os correspondentes esforços e riscos.
Conforme Vieira (2000, p.228):
Entre os principais motivos que contribuem para essa ocorrência constatam-se: Acreditar que ninguém perceberá; Precisar ou desejar desesperadamente de recursos; Não considerar os riscos que o ato envolve; Cotar com a impunidade; Sentir prazer ao desenvolver esquemas de fraudes.
A vertente comportamental da motivação pode relacionar-se desde a necessidade de recursos financeiros e materiais até as necessidades psicológicas, como afirmação pessoal e vingança contra as pessoas físicas ou jurídicas. O atrativo cresce muito quando se deixa de implementar adequada estrutura voltada aos controles internos.

Conseqüências das fraudes

Devido o alto índice de fraudes nas organizações a Kroll (2003), realizou uma pesquisa onde foi observado que quatro em cada cinco empresas foram vítimas de fraude empresarial nos últimos três anos. Em alguns setores, mas de um quinto das empresas foram afetadas, o que representou uma perda de US$ 1 milhão.
O estudo realizado em parceria com o The Economist Inteligence Unit entrevistou cerca de 900 altos executivos em todo o mundo sobre vários aspectos da fraude. Seguem abaixo alguns resultados:
O furto de ativos físicos ou estoque, que foi relatado por 34% das pessoas que responderam à pesquisa, é bastante comum. Além disso, um quinto das empresas teve problemas com furto de informações, conflitos de interesse, ingerência financeira, fraude financeira interna, fraude em suprimentos e problemas com corrupção e propina.
O custo médio de fraude em grandes empresas – aquelas com faturamento anual maior do que US$ 5 bilhões - foi superior a US$ 20 milhões. Uma em cada dez empresas perdeu mais de US$ 100 milhões. Em alguns setores como: Saúde, Produtos Farmacêuticos, Biotecnologia, Construção, Engenharia, Infra-estrutura e Serviços financeiros, mais de um quinto das empresas relataram perdas de superiores a US$ 1 milhão.
Furto, perda ou ataques feitos a informações são as maiores preocupações das empresas quanto a riscos futuros: 20% dos executivos que responderam a pesquisa disseram que acreditam estar bastante vulneráveis e mais de 30% acreditam que a complexidade na área de Tecnologia de Informação (TI) aumentou sua exposição ao risco de fraude.
Embora o controle financeiro seja a maneira mais comum de combate á fraude, 21% das empresas não utilizam o sistema financeiro com esse intuito.

Punição

Em alguns casos, as empresas que não querem se expor a propagação indesejável do escândalo, acabam dificultando o ato de punir. Segundo Gil (1998, p.97) “a punição mais freqüente é a demissão dos profissionais considerados fraudadores”. Em caso de dificuldade de se obter provas para incriminar somente os fraudadores, os colaboradores inocentes rotulados de coniventes também podem ser atingidos. A definição de conivência como sendo a não adoção de uma atitude proativa por profissional exercendo função ou cargo na empresa, quando da ocorrência de eventos fora dos padrões de normalidades – formais ou informais, junto à operacionalização das linhas de negócios organizacionais. A conivência é um aspecto que sempre merece atenção quando se verifica um processo fraudulento e requer a investigação, apuração e tomada de medidas adequadas de natureza preventiva.
A chamada espionagem empresarial é crime previsto na Lei 9.279, de maio de 1996, que regula os direitos e as obrigações relativos à propriedade industrial. No artigo 195, estão listadas 14 práticas de concorrência desleal, entre as quais divulgação e exploração de segredos industriais e comerciais tanto por concorrentes quanto por funcionários. Se condenado, o réu pode pegar de três meses a um ano de prisão, além do pagamento de multa por perdas e danos e da interrupção do ato ilegal.

Prevenção

Os gestores podem implementar diversas medidas para reduzir o risco de ocorrência de fraudes tais como: segregação de função; rodízio de profissionais, de cargos ou de funções; normas de procedimentos; realização de pesquisa sobre a vida profissional e os antecedentes criminais dos candidatos ao quadro de funcionários da empresa; auditoria interna para estabelecer procedimentos mínimos de controle capazes de identificar e coordenar serviços de inteligência a fim de coibir a prática de fraudes; elaboração de código de conduta profissional, abrangendo o que a empresa e os gestores entendem por comportamento ético e ainda canais para denúncias anônimas. Gomes (2000 p.326) entende que: “quanto mais à empresa conhecer sobre o perfil do fraudador, sua identidade, forma de agir e os motivos que conduzem a esta ação, será melhor para a prevenção de fraudes”.
A direção da empresa tem a responsabilidade de implementar e manter os controles internos atualizados. Os auditores verificam se a organização estabeleceu objetivos realísticos, metas e código de conduta, nos quais devem constar as atividades não permitidas e as conseqüências oriundas da violação. O procedimento usado com mais freqüência na prevenção das fraudes é a auditoria operacional e o menos usado é a análise digital. O mundo digital deixa muitos rastros que o mundo presencial. Não é possível apagar todas as evidências, sempre fica algum resíduo. Em caso de fraude na empresa, se o fraudador utilizou o computador para qualquer movimentação ou troca de informação, ainda que ele apague tudo, tudo é recuperável. Pode haver alguma dificuldade em mensagens criptografadas, porque os dados serão recuperados, mas nem sempre é possível decifrar o código criptográfico. Portanto, a prevenção dessa ocorrência se torna mais importante que a detecção.

Casos de empresas que sofreram fraudes

A fraude da Parmalat

Em dezembro de 2003, a revista ISTOÉ divulgou que a Parmalat, um dos maiores grupos alimentícios do mundo, teve um rombo de cerca de R$ 15 bilhões exposto em uma fraude contábil na matriz, na Itália, arrastando consigo a economia dos 29 países em que está instalada, dentre eles o Brasil. A crise internacional do capitalismo trouxe à tona as enormes falsificações no orçamento de mais uma megacorporação. A exemplo de outras gigantescas fraudes, como a da norte-americana Enron, foi a vez da italiana Parmalat sucumbir à crise que tem afetado também outras empresas na Itália, como a Fiat. A Parmalat está instalada em 29 países e possui mais de 36 mil funcionários mundo afora. No último balanço apresentado em 2003 dispunha de 4,2 bilhões de euros em liquidez. Com esta quantia em caixa a empresa só conseguiu pagar 150 milhões em títulos atrasados com o auxílio de bancos credores e do governo italiano.
A dívida se aprofundou com o vencimento, no final da terceira semana de dezembro, de uma parcela de 400 milhões de dólares, devida a acionistas minoritários, referente à recompra de 18,9% das ações a filial brasileira, a Parmalat Empreendimentos e Administração, em poder do Bank of América, que negou a existência de uma conta nas Ilhas Cayman onde uma subsidiária da Parmalat, a Bonlat Financial Corporation, teria aplicado 3,95 bilhões de euros por seu intermédio no paraíso fiscal. A confissão viria em seguida, quando a Parmalat admitira que o montante havia sido usado para liquidar as contas da Bonlat em 2002. Não bastasse a quantia devida, os fatos que foram expostos durante o escândalo em que a empresa se envolveu no último mês abalaram a credibilidade dos investidores. A agência de classificação de crédito, Standard & Poor´s (S&P), baixou o índice de confiabilidade na empresa para “D”, que significa que a empresa está inadimplente em seus compromissos financeiros. A queda das ações do grupo na Bolsa de Milão no final da terceira semana de dezembro fez com que os papéis da empresa deixassem de fazer parte do grupo das 30 ações mais negociadas.
Como medida para conter a situação crítica exposta a Parmalat decidiu pela troca de seu presidente, tendo Enrico Bondi assumido o comando da empresa e, portanto, das negociações e manobras para recuperar seu capital. O fundador da empresa, Calisto Tanzi, afastou-se do cargo alegando precisar de um tempo para se recuperar do impacto das acusações. Permaneceu foragido por quase uma semana até ser localizado e indiciado pela justiça italiana.

O governo e os bancos envolvidos

O primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, anunciou no dia 21 de dezembro que o governo interviria para salvar em primeiro lugar a parte operacional da empresa, ou seja, quatro mil empregos, apenas na Itália, dos 36 mil ligados ao grupo mundialmente. Sua declaração coincide com o início das investigações sobre as denúncias de fraude promovidas pela Justiça. Fiscais foram deslocados para a empresa Grant Thornton, que realizava em conjunto com outras a auditoria das contas da Parmalat, em busca de documentos ligados à fraude.
A legislação italiana submeterá a empresa à “administração controlada”, dando à empresa dois anos sob supervisão do Tribunal de Falências, protegendo-a de seus credores. Tal medida serviria à manutenção dos empregos no país, mas demanda uma enorme quantia em dinheiro, que viria dos cofres públicos, para evitar a liquidação da empresa e ressarcir os credores. A empresa não vinha pagando seus fornecedores na Itália e chega a dever 120 milhões de euros a produtores de leite no país. A auditoria realizada nas contas da Bonlat, nas Ilhas Cayman, revelou a discrepância e os documentos falsos que comprovariam os depósitos de cerca de quatro bilhões de euros para saldar as contas da empresa no ano anterior. As acusações que couberam ao caso Parmalat foram a de fraude e falsidade ideológica, por terem repassado informações falsas aos auditores. Diversos bancos estiveram envolvidos nas operações da Parmalat, como a Merrill Lynch, J.P. Morgan, Citigroup e todos os principais bancos italianos foram afetados pela quebra da companhia, tendo suas ações desvalorizadas na Bolsa de Milão. Um dos principais bancos de investimento norte-americano, Goldman Sachs, rebaixou as perspectivas de lucros para os três bancos italianos que mais haviam investido na Parmalat: Capitalia, Banca Nazionale Del Lavoro (BNL) e Banca Monte dei Pascha di Siena, deflagrando uma crise de confiabilidade no sistema financeiro italiano.

A prisão de Tanzi

Foi publicado no dia 27 de dezembro, pela revista ISTOÉ que Calisto Tanzi, fundador, acionista majoritário e ex-presidente da Parmalat foi preso em Milão, na Itália. Chegou a deixar o país na quarta-feira, não comparecendo a um depoimento que havia sido marcado. Nesse dia a empresa havia pedido concordata e horas antes dele ser preso, um tribunal de falências italiano havia declarado a insolvência do braço principal da Parmalat. Com a insolvência, a empresa poderá continuar operando, pagando seus empregados e os produtores de leite.
Tanzi chegou a declarar que não teria desviado recursos da empresa. Seu advogado, Michele Ributti chegou a declarar que: “Nenhum dinheiro desapareceu. Havia apenas ativos inexistentes [no balanço da empresa].” Em investigações posteriores detectou-se o desvio ao longo dos anos de cerca de 800 milhões de euros, equivalentes a cerca de R$ 1,8 bilhão, para empresas que não faziam parte do grupo Parmalat.
O empresário foi também acusado de falência fraudulenta, fraude, especulação abusiva, manipulação de mercado e falsificação, entre outros. Essas acusações podem levar a uma condenação de 15 anos de prisão. Foram decretadas também as prisões de dois ex-vice-presidentes financeiros da Parmalat e de dois executivos da subsidiária italiana do grupo norte-americano de auditoria Grant Thornton, dos quais os últimos negaram quaisquer delitos.
Tanzi foi mantido preso, pois sua liberdade poderia danificar as provas, segundo os juízes. A crise é tamanha que Tanzi se ofereceu para colocar seu patrimônio à disposição dos investidores. Segundo seus advogados ele cederia o controle à Parmalat da firma de turismo pertencente à sua família, a Coloniale Spa, que detém 50% das ações da Parmalat Finanziaria, e inclusive da própria Parmatour.
Para manter suas fábricas operando, a Parmalat pediu empréstimo bancários, aos bancos Capitalia, Intesa e San Paolo IMI, aos quais já deve mais de 1 bilhão de euros. Para pagar os salários e os fornecedores seriam necessários de 50 a 100 milhões de euros, uma soma muito mais alta do que os 25 milhões que emprestou em dezembro para impedir a crise que se alastra até hoje. Os juízes que investigam o caso já identificaram cerca de 20 pessoas envolvidas na suposta fraude, incluindo atuais e ex-diretores do grupo e auditores externos, entre eles Fausto Tonna, ex-diretor financeiro da Parmalat e Giovanni Bonici, responsável pela subsidiária Bonlat, com sede nas Ilhas Caymann, o principal responsável pelas fraudes.

O impacto da crise no Brasil

A crise da Parmalat deixou em polvorosa os produtores de leite de diversos estados do País. A empresa era compradora de cerca de 5% da produção da produção nacional, o equivalente a 1,2 bilhão de litros de leite, ficando atrás apenas da Nestlé, que comprou cerca de 1,5 bilhão no ano passado. A crise afeta diretamente 20 das 320 cooperativas existentes no país.
Divulgado pela revista ISTOÉ que o estado mais afetado é o Rio de Janeiro, e em especial a cooperativa de Itaperuna que vende 80% de sua produção à Parmalat. Sem condições de pagar aos fornecedores de leite, a multinacional utilizou-se de diversos recursos para adiar os pagamentos. Os que estavam marcados para o dia 15 de dezembro foram protelados para o dia 29 e daí para 5 de janeiro, este também não aconteceu, sendo transferido para o dia 17. Chegou a propor que parte de sua dívida fosse paga em latas de leite em pó, mas mesmo esse pagamento só seria feito depois do dia 20. Essa situação só veio agravar a crise por que já estavam passando os produtores, já que há um excesso na produção, que fez com que os preços do leite caíssem, abaixo da média de mercado.
A Parmalat condicionou o pagamento da dívida à obtenção de linhas de crédito no exterior, o que preocupou muito os fornecedores. Para socorrê-los, o Ministério da Agricultura montou uma comissão para propor resoluções para o problema. Foi pedida uma linha de financiamento de R$ 500 milhões, a compra de 2000 toneladas de leite em pó para o Fome Zero e empréstimos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Parmalat no Brasil opera há cinco anos no prejuízo, ano passado o BNDES concedeu a ela um empréstimo de R$ 29,5 milhões.
Em meio a essa situação, o diretor de relações com investidores da Parmalat no Brasil, Paulo Carvalho Engler Pinto Júnior, renunciou ao cargo que ocupava na companhia. Será substituído pelo atual diretor administrativo e financeiro, Andrea Ventura, que desempenhará ambas as funções. Uma fábrica da empresa já foi vendida para o grupo pernambucano Intergrupo. A fábrica, que tem 6500 m2 de área construída, estava quase desativada; dos seus 250 funcionários restavam apenas 25.

Funcionário rouba R$ 04 Milhões do chefe para apostar na internet

Um contador britânico, segundo o jornal Daily Mirror admitiu ter roubado mais de 1 milhão de libras ( cerca de R$ 4 milhões) dos chefes com o objetivo de apostar o dinheiro em jogatinas na internet, prática na qual alegou ser viciado. Bryan Benjafield, 23 anos, roubou dinheiro da construtora Charminster Ltda., localizada na cidade de Dorchester, no condado de dorset, na Inglaterra. Ele trabalhava no departamento de contas a pagar.
O funcionário foi indiciado pela Justiça local. Ele desviou gradualmente o dinheiro da conta da empresa para uma outra conta fantasma, criada por ele. O roubo ocorreu entre janeiro de 2004 e outubro de 2005. Segundo o processo, o funcionário desviava cerca de 17 mil libras ( em torno de R$ 68 mil) por dia. Ele foi pego quando uma conta não foi paga pela empresa por falta de caixa.







O modelo Proposto

Na concepção teórica do grupo foi desenvolvido um modelo proposto de acordo com as idéias citadas no corpo do artigo onde são relatadas as hipóteses e suas possíveis soluções. Conforme Gomes (2000), quanto mais a empresa conhecer sobre o perfil do fraudador, sua identidade, forma de agir e os motivos que conduziram a esta ação será melhor para a prevenção de fraudes.
Para exemplo, pode-se citar a organização de grupos de trabalho, incumbidos de promover investigações profundas, acerca de indícios de fraudes contra as empresas praticadas por pessoas, grupos e organizações criminosas.
A empresa orientada aos riscos do mercado é aquela que segue os métodos de prevenção de fraudes. Em decorrência disso a primeira hipótese do modelo, apresentada a seguir.
H1: Capacitação e treinamento para o combate a fraude e agentes que atuam na prevenção a este tipo de atividade.
Em decorrência da falta de regimentos internos escritos, com normas amplamente divulgadas as empresas estão cada vez mais vulneráveis a conseqüências indesejáveis. Disso decorre a segunda hipótese;
H2: Leis mais rígidas e cumprimento das mesmas.
Tendo em vista as dificuldades que os funcionários têm em denunciar alguma atitude suspeita de fraudes, como por exemplo, incerteza, medo, constrangimento entre outros.
Com isso vê-se a necessidade da hipótese a seguir:
H3: Canais para denuncias anônimas
Nas empresas observa-se que a lealdade dos funcionários é um dos fatores mais importantes para que não ocorram fraudes. Em função disso a empresa tem que dispor incentivos para que seus funcionários não pensem em fazer fraude.
A junção das hipóteses citada define o modelo teórico a ser tratado na pesquisa deste artigo.

Método


No trabalho os colaboradores serão escolhidos aleatoriamente para participar do questionário contendo dez perguntas elaboradas pelo grupo e aplicadas pelo mesmo. Em um universo de 95 funcionários utilizamos como base uma amostra de 50 funcionários. No shopping observaremos como ocorrem alguns tipos de fraudes dentro das lojas no momento da compra. Assim utilizaremos mais a técnica de observação que a interrogação. Utilizaremos como base bibliográfica materiais já elaborados constitutivos, artigos científicos, jornais, revistas e redes eletrônicas.
Segundo Gil (1997) “O estudo de campo estuda-se um único grupo ou comunidades em termos de sua estrutura social, ou seja, ressaltando a integração de seus componentes”.
Realizaremos uma pesquisa de campo, para estudar mais profundamente como a falta de um controle maior no ambiente esterno da estrutura organizacional trás facilitação para que aconteçam fraudes no ambiente esterno e porque trazem grandes prejuízos pra a organização.


Elaboração do Instrumento de coleta.

As capacidades foram mensuradas pelos seguintes indicadores: ocorrência de fraude em sua organização; fontes de como evitá-las. A validação de conteúdo do instrumento de coleta foi efetuada pelo método acadêmicos e práticos. Após essa etapa, para a avaliação dos empregados, o questionário foi apresentado nas lojas de artigos Esportivos do Brasília Shopping, objetivando aproximar os termos empregados no instrumento de coleta a uma linguagem prática e específica da fonte coletada. O instrumento de coleta foi pré - testado em lojas de artigos Esportivos, com o objetivo de identificar e eliminar problemas referentes à fraude empresarial em uma organização.
Coleta de dados

No Brasília Shopping existem 07 lojas de artigos esportivos, como universo temos 95 colaboradores e utilizamos como amostra 50 desses funcionários. A forma de coleta de dados adotada foi pesquisa de campo com questionário aplicado aos funcionários das lojas. Foram aplicados 50 questionários. Obteve-se um retorno de questionários validos em torno de 80%, perfazendo uma amostra final de 41 casos.
O questionário foi dirigido a todos os funcionários independente de departamento, cargo ou função. A coleta envolveu uma apresentação explicando os objetivos do trabalho e do instrumento de coleta.

Resultados

Todas as hipóteses aplicadas a este modelo teórico foram aceitas demonstrando a intensidade desse fenômeno, tendo em vista as limitações do processo de amostragem adotado na pesquisa.

Sendo as fraudes um risco grande para as organizações, embora elas não notem com clareza analisamos abaixo o instrumento aplicado com o intuito de conscientização.
Tendo em vista as falhas na organização que contribui para a pratica de fraude, dos 41 funcionários entrevistados obteve-se um total de 33 afirmações e 8 negações.
Com isso notou-se que a maioria das empresas de artigos esportivos possuem falhas que muitas vezes contribuem e incentivam para a realização das fraudes.
Na existência de controles e fiscalizações 29 disseram que existe e 12 que não existe. Concluímos que existe controles de combate às fraudes mais muitas vezes não são eficazes.
Na inexistência desses controles ou quando ocorrem falhas, em relação à atitude tomada pela empresa 25 optaram pela demissão, 10 pela advertência, 05 por outras punições e 01 por nenhuma. Na maioria das vezes a empresa não aceita mais o fraudador.
Constatamos que os entrevistados repudiam as fraudes, na presença de alguma atitude suspeita 27 denunciam desde que tenham provas concretas e 14 não denunciam. Os entrevistados que disseram que não denunciam muitas vezes isso se da pela falta de canais de denúncias anônimas onde 32 dos entrevistados afirmaram que as empresas não disponibilizam canais de denúncias anônimas e apenas 03 disseram que disponibiliza.

Conclusões e recomendações

Esta pesquisa nos proporcionou uma conclusão do que as organizações vem sofrendo cada vez mais com a incidência das fraudes, isso ocorre pela facilidade que as empresa muitas vezes disponibilizam meios pelos quais abrem oportunidades para ação dos fraudadores.
Geralmente essas ações são fraudes financeiras, subornos, furtos, conflitos de interesses, corrupção, furto de informações dentre outros.
Como conseqüência desses atos as empresas deixam de ter crescimento financeiro, perde clientes por falta de produtos, deixam de criar oportunidades, pois não abrem novas lojas em conseqüência desses atos podendo até mesmo chegar à falência.
A punição mais freqüente é a demissão dos profissionais considerados fraudadores. Em caso de dificuldades de se obter provas para incriminar somente os fraudadores, os colaboradores inocentes rotulados de coniventes também podem ser atingidos.
Em alguns casos, as empresas que não querem a propagação indesejada do escândalo, acabam dificultando o ato de punir.
Para prevenir a ocorrência das fraudes dentro da organização existem normas e regras para ser usadas, como rodízios de funcionários auditoria interna para estabelecer procedimentos mínimos de controle capazes de identificar e coordenar serviços de inteligências a fim de coibir a pratica de fraudes, código de conduta e ética.















REFERÊNCIAS

SODRÉ, L.M; Lettermer, Brígida. A fraude contra o seguro e suas conseqüências econômicas na sociedade. Revista de divulgação técnico – científica do ICPG. VOL.2, n.6 – jul./set./2004.
CARVALHO, Vera Lucia. Prevenção a Fraudes em Empresas Industriais Autopeças na Região do Grande ABC. 2006. 19f. Monografia (Mestrado em Administração) – Universidade Municipal de São Caetano do Sul, São Paulo, 2006.
VIEIRA, S. S. C. Fraude nas empresas: prevenção e apuração. 2000. 137f. Dissertação (Mestrado em Administração) – Faculdade de Administração e Finanças do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2000.
RASMUSSEN, U. W. Desvios, desfalques e fraudes nas transações de compras nas empresas. São Paulo: Aduaneiras, 1998.
















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