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Crise: Substituição de importações no governo Castelo Branco

As políticas substitutivas de importação encetadas pelo Estado brasileiro, entre 1930 e 1964, alcançaram inegáveis sucessos econômicos do ponto de vista da acumulação capitalista. A taxa de crescimento do PIB no pós-guerra (46-64) foi de aproximadamente 7% ao ano

Cláudio Márcio,

O setor industrial foi o carro-chefe desse processo. A industrialização substitutiva, até o começo dos anos 60- apesar da crítica dos setores mais intimamente ligados aos axiomas neoclássicos e, por conseguinte, às estratégias de inserção internacional, baseada em vantagens comparativas- , foi amplamente apoiada por setores majoritários das classes sociais urbanas (burguesia nacional, camadas médias e operariado). Por conta disso, a industrialização por substituição de importações confundiu-se por três décadas com um projeto nacional, projeto esse que criou uma certa esperança no sentido de o país sobrepor-se ao seu secular atraso econômico e de criar uma sociedade mais próspera e democrática.

O golpe militar de 64, que colocou por terra aquele projeto, tratou de reformular as diretrizes econômicas, abandonando a visão que viabilizava o modelo de industiralização substitutiva (crescimento voltado para a ampliação domercado consumidor). O governo militar passou a estruturar um modelo de industrialização baseado na concentração de renda e maior integração com a economia internacional, tanto pela aliança privilegiada com empresas multinacionais como também diversificando as exportações, que foram vistas como o dínamo do novo modelo de crescimento econômico. Assim sendo, procurou-se criar um consenso entre os setores da burguesia local vinculados às empresas estrangeiras, aos setores agrícolas tradicionais e às mergentes camadas médias. Analisar a exaustão do modelo de substituição de importações e a política econômica implementada pelo governo do Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco são os objetivos da presente obra.


É necessário assinalar que os fatores que levaram à exaustão do modelo de industrialização por substituição de importações não se devem apenas à ação discricionária dos grupos que tomaram o poder em 64. É preciso considerar também as contradições implícitas no modelo, que começaram a se manifestar com maior intensidade a partir do começo da década de 60. Por um lado havia maior complexidade no relacionamento do país com a economia internacional e, por outro, o fardo representado pelas arcaicas estruturas internas que permaneceram quase inalteradas entre os anos 30 e 60. No entanto, conforme se pode verificar, a evolução do PIB brasileiro apresentou um crescimento bastante considerável.


Dentre essas estruturas, vale destacar a anacrônica estturura fundiária herdada do período colonial, que colocava (e coloca) enormes contingentes populacionais à margem da posse de terras e, consequentemente, impossibilita-os de usufruir uma vida mais digna. a possi da terra no Brasil, desde a instituição do Código Comercial e da Lei de Terras de 1850, continua sendo um fator de poder político, de dominação e de marginalização social. Além disso, a falta de meios para sobrevivência nos campos deu vazão a um fluxo quase inesgotável de migrantes para os centros industrializados do país, o que forçou a queda nas taxas salariais e levou ao caos urbano, criando novas demandas perante o Estado.


Muitos autores argumentam uma insuficiência do modelo substitutivo de imortações ao se relacionar com a economia internacional. Deve-se refletir nisso mais detalhadamente. É preciso considerar cada uma das diversas teias que localmente atava a economia brasileira aos centros do sistema, como imitação de padrões de consumo, dependência tecnológica, introdução de multinacionais operando no e para o mercado interno, necessidade de moeda conversível para fazer frente a importações insumos e remessa de lucros e perda de dinamismo do modelo.


O deslocamento de grande contingente de populações europeias para o Brasil, desde o período colonial, touxe consigo a necessidade de um fluxo de abastecimento de artigos que pudessem permitir a manutenção do padrão de consumo similar àquele verificado nos países de origem. Esses artigos não se restringiam às manufaturas; abrangiam também gêneros alimentícios, como o tigo, azeite, bacalhau, vinho, tec. Do ponto de vista das classes sociais, os grupos de origem europeia constituem hoje a maior parte da elite econômica brasileira e, dessa forma, continuam a reproduzir os chamados países ocidentais. O aprofundamento da industrialização dos padrões de consumo dos países centrais, notadamente dos Estados Unidos (grandemente impusionada pelos meios de comunicação de massa), transformaram quantitativa e qualitativamente o grau de dependência do Brasil em relação àqueles. Esse problema se colocava da seguinte forma: enquanto internamente se realizava um esforço de substituição de determinados itens da pauta de importação, simultaneamente, novos produtos eram introduzidos no mercado.


O problema da imitação dos padrões de consumo dos países centrais não se restringe a esse. À medida que o processo de industrialização avança e que a renda interna se eleva, o consumo imitativo se torna cada vez mais sofisticado e dispendioso. Já não bastava, à época, produzir um automóvel qualquer, como um Fusca, mas também, um Galaxie ou um Landau, por exemplo.


Outro problema decorrente da imitação dos padrões de consumo diz respeito à dependência tecnológica criada pelos países centrais para produzir novos bens. Antes de tudo, é preciso não perder de vista que as soluções tecnológicas encontradas pelos países centrais sempre responderam às suas necessidades mais prementes, sendo que elas são determinadas pela estrutura do mercado de consumo, pelo perfil da mão-de-obra e do volume de salários, pelas fontes energéticas e de matérias-primas e, ainda pelo nível de desenvolvimento científico e tecnológico. Tentar viabilizar um modelo de industrialização nacional que tente acompanhar o padrão de desenvolvimento dos países centrais foi (e é) um projeto de certa forma ambicioso, uma vez que as principais variáveis se encontram fora das fronteiras do país.


A dependência tecnológica coloca outros problemas para o desenvolvimento industrial do país periférico, dessa vez relacionados às opções de planejamento econômico. Atender às necessidades básicas de uma população em processo de crescimento requer uma quantidade menor de capital investido por unidade produzida do que para atender à demanda mais sofisticada de grupos de maior renda. Por conseguinte, prosuzir bens com menor intensidade de capital implica empregar mais trabalhadores, ao passo que a produção de bens com maior intensidade de capital requer menos trabalhadores. As decisões de investimento devem considerar também os reflexos disso sobre o consumo e a poupança, além de suas repercussões sobre o multiplicador de renda. Investimentos destinados à produção de bens de consumo populares representam maior dinamizador potencial do PIB do que aqueles destinados aos setores de maior rendimento.


Esse problema assume especial dimensão ao se observar que a opção tomada pelos elaboradores do Plano de Metas privilegiou os bens com maior intesidade de capital, cujos reflexos sobre a estrutura produtiva foram sentidos já no começo da década de 60. Ao se optar pela produção de bens de consumo durável, asim como de bens de capital, privilegiando as empresas multinacionais, criou-se uma lacuna entre esse setor e aquele produtor de bens de consumo tradicionais, ainda controlado por empreas de capital nacional. Do lado moderno da estrutura industrial se posicionava o capital concentrado e os ganhos de produtividde (mesmo considerando que uma parcela significativa daquelas empresas era composta por equipamentos de segunda mão); já o lado arcaico, composto pelo capital nacional, apresentou empresas descapitalizadas e com baixa produtividade. As consequências das opções do Plano de Metas foram sentidas rapidamente, tanto pelo lado das importações quanto pelas pressões sobre o balanço de pagamentos.


A industrialização substitutiva, como bem salientou Maria da Conceição Tavares, não altera substancialmente a dependência dos países periféricos em relação aos países centrais, apenas a recoloca em outros patamares. Por conta disso, à medida que o processo de substituição de importação avança, faz-se mister ampliar a capacidade de importação do país. Já não é mais necessária a compra de tecidos, automóveis ou telefones, mas sim, de outras máquinas e equipamentos, combustíveis e outras matérias-primas, cujo peso na balança comercial tende sempre a aumentar, mais que na proporção do aumento do mercado. Dá-se aí o problema da industrialização substitutiva que entrou em crise no começo dos anos 60; as necessidades de moeda forte eram supridas apenas pela exportação de bens primários.


A debilidade do comércio exterior já havia colocado o país em xeque em meados dos anos 50, quando se iniciou o movimento de queda continuada no valor das exportações, especialmente do café. As opções de 1956, entretanto, conseguiram evitar o estrangulamento externo a partir de incentivos ao ingresso de capitais estrangeiros (Instrução 113). Enquanto os dutos estavam desobstruídos, o problema cambial não se manifestou. Quando os fluxox começaram a minguar, o país bateu às portas do FMI sem, contudo, obter maiores êxitos na administração da crise do balanço de pagamentos.


Um último aspecto merece destaque. É a perda de dinamismo do modelo de substituição de importações. As elevadas taxas de crescimento do PIB, verificadas entre os anos 33 e 60, não poderiam ser repetidas senão a custo de muito esforço, ainda mais baseadas em exportação de bens tradicionais. 


O estrangulamento do setor externo, ainda continuaria a ser o calcanhar de Aquiles da economia brasileira. Os momentos de alívio nas contas externas serão acompanhados de crescimento do PIB. Em momentos de arrocho, a economia nacional terá que se ajustar de forma a reequilibrar o balanço de pagamentos.


Os impasses relacionados à exaustão do modelo de ISI, assim como as possíveis alternativas de superação, levaram à grande instabilidade política e social nos primeiros anos da década de 60. A solução final foi determinada pela força, quando certos grupos deram um golpe militar, a 1º de abril de 1964. Começaram então a desmontar a ISI iniciada em 1933.


Os grupos que tomaram o poder em 64 trataram de atribuir todos os problemas a erros do antigo modelo de ISI que junto com a demagogia, a corrupção e a inabilidade dos antigos dirigentes, seriam os responsáveis pela grave crise que o país atravessava desde 63. O modelo de ISI foi considerado o vilão e a fonte das distorções econômicas que assolavam o país, como a inflação, o estrangulamento externo e a perda de dinamismo econômico. Na essência das críticas estava a suposta negligência dos antigos dirigentes com o setor exportador.


As críticas dos liberais atingiam em cheio o modelo ISI. Foram desferidos ataques contra o protecionismo; a política cambial; o gasto público; e, por fim, havia um certo preconceito dos líderes industrialistas contra o setor primário exportador. Rever tais posturas, portando, seria o melhor caminho para a superação da crise econômica. Além disso, a política econômica do novo regime deveria reestruturar o sentido da acumulação, abandonando a estratégia expansiva, voltada para a ampliação do mercado, passando a privilegiar os setores de maior rendimento, cuja demanda de bens passava pelos setores da indústria mais intensivos em capital.


O modelo brasileiro deveria superar a ISI e adotar um crescimento voltado para fora, a partir da exportação não apenas de produtos tradicionais, mas, prioritariamente, de bens com maior valor agregado, como os semimanufaturados, intermediários e manufaturados, deforma a incentivar no país a produção de bens de consumo mais sofisticados e de maior valor agregado, como automóveis e eletroeletrônicos, produtos cujos preços estavam em crescimento no mercado internacional.


Para atingir esses objetivos, o modelo deveria atacar em diversas frentes: a estrutura da renda, a estrutura do padrão de financiamento do setor público, a política cambial, o apoio ao ingresso de novas tecnologias e o apoio à modernização da agricultura de exportação.


A difícil situação da economia brasileira em 64, reflexo de uma crise internacional de maiores proporções que atingiu as economias latino-americanas, foi um dos fatores que impulsionaram a ecolsão do  movimento militar que depôs o presidente João Goulart. A economia apresentava desequilíbrios nas contas externas, fuga de capitais, queda no ritmo de crescimento do PIB, índices inflacionários nunca vistos (quase atingindo a casa dos três dígitos), somados a uma conjuntura de grande disputa política, o que dificultava as decisões em longo praxo por parte dos agentes econômicos.


Recuperar a economia e conter a inflação seriam, ortanto, as prioridades do goerno Castelo Branco. Para tanto, de acordo com a visão dos novos dirigentes, seria necessário submeter e economia a um rígido programa de estabilização monetária que se concentrasse no combate à inflação, na redução do gasto público e no ajustamento da política salarial. A equipe de Roberto Campos e Otávio Gouveia Bulhões, respectivamente miistros do Planejamento e da Fazenda, elaborou o Programa de Ação Econômica do Governo- Paeg, montando um receituário ortodoxo que visava a atacar os principais problemas disgnosticados.


Segundo o diagnóstico dos formuladores do Paeg, o principal obstáculo ao desenvolvimento econômico encontrava-se no processo inflacionário, desencadeado nos anos precedentes, cuja origem estava nos déficits públicos, na expansão do crédito e nas majorações de salários. Para fazer frente aos problemas diagnosticados, o Paeg preconizava três diretrizes, que constituiriam as bases do programa antiinflacionário a ser seguido pelo governo como combate a inflação, política salarial, e política de crédito. Para o Paeg, a solução estaria na capacidade de quebrar o ciclo que alimentava a inflação e eliminar o variado elenco de distorções econômico-sociais que, em conjunto, intensificavam a inflação. Por conta disso, deveriam ser atacadas duas frentes: sanear os gastos do governo e definir política salarial alinhada com a política monetária, que deveria controlar os créditos, procurando conter a demanda. Assim, defendia-se uma política monetária e fiscal austera, de corte ortodoxo, para controlar os preços, restirngindo o poder de compra dos consumidores.


Ainda segundo a visão dos formuladores da política econômica, as ações deveriam ser pautadas pela prudência, dando-se um tratamento gradativo ao combate à inflação, evitando assim problemas sociais que poderiam colocar em cheque a frágil popularidade do novo regime. Além disso, tais ações procuravam facilitar um controle técnico mais flexível sobre os instumentos de política econômica (déficit público, salários, crédito, etc.). Essa estratégia gradualista afastaria os perigos de se acirrar ainda mais o explosivo e confuso quadro nacional herdado pela revolução e qualificado por ela coo situação de caos econômico e social. Seria necessário esperar a assimilação do novo regime de governo para então tomar medidas impopulares.


Tais variáveis poderiam agir de modo autônomo ou em conjunto, entretanto havia uma delas que se destacava, de acordo com a visão oficial, como fonte inflacionária: os salários. Para o Paeg, os aumentos salariais previstos em lei, supostamente em proporção superior à do aumento de produtividade, causava o mais crítico desvio, uma vez que onerava as folhas de pagamento das empresas e, por consequência, elevavam o custo fixo, que seria repassado para o preço final. Esses aumentos enchavam os gastos governamentais, além de desviar e concentrar as inversões na especulação financeira.

A aplicação de uma política dessa natureza somente pode ser levada a cabo por um governo autoritário. Ao intervir em sindicatos de trabalhadores, cassar e prender suas lideranças e proibir articulações intersindicais, o governo obteve êxito em sua política de modificação da estrutura da demanda, concentrando renda nos segmentos médios e altos da sociedade. Não obstante, o goerno militar tratou de eliminar a estabilidade no emprego e instituiu o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço- FGTS. Tal medida visava a aumentar a flexibilidade do mercado de trabalho, por meio de uma maior rotatividade da mão-de-obra. Com isso, às vésperas de reajustes salariais, os empresários demitiam seus empregados e contratavam outros com menores vencimentos.

O resultado daquela política conforme se pode deduzir, a evolução do PIB foi insatifatória no período 63-67. Para tanto, contribuíram as instabilidades verificadas no final do governo de João Goulart e as políticas contracionistas do governo de Castelo Branco. A fase de ascenção é iniciada em 1968.

Na comparação entre a evolução do salário mínimo e das taxas de inflação, durante as décadas de 60-70, pode-se verificar uma acentuada redução nos níveis do primeiro. Ao comparar os valores no picos de fevereiro de 64 com o mesmo mês de 67, veirfica-se uma redução do salário mínimo da ordem de aproximadamente 30%.

Também se pode verificar, apesar da queda das taxas de inflação de 92,1% em 1964 para 25% em 1967, que elas ainda se situavam em patamares bastante elevados se comparados àquelas apresentadas nas economias centrais, que se encontravam na casa de um dígito.

Apesar do insucesso no combate à inflação, os resultados da política contracionista fizeram-se sentir no setores produtivos. Inúmeras empresas nacionais, que estavam estruturadas para atender ao mercado interno, foram levadas à falência. A diretoria da Confederação Nacional da Indústria- CNI, em editorial na revista Desenvolvimento e conjuntura, de 1665, chamava atenção os efeitos negativos da implementação do Paeg. A indústria foi o setor da economia que mais sofreu com aquele plano, apontando queda de 7,2%, o que ocasionou desemprego da ordem de 4,5% no setor. Tal descontentamento, tanto da parcela do empresariado quanto da população em geral, acompanharia a política de estabilização durante toda a sua execução. Por se tratar de um governo autoritário, os dirigentes postavam-se irredutíveis diante de qualquer mudança na política econômica sob a alegação de que as causas da inflação ainda não tinham sido sanadas. Não obstante, a política econômica adotada pelo Paeg foi responsável pela criação da grande capacidade ociosa da indústria, que somente seria plenamente utilizada no ciclo de expansão 68-73. A recessão se espalhou pela economia.

Além de conter a demanda, forçando a redução da inflação, o governo também procurou reestruturar o Estado de forma  a diminuir o déficit público e reaparelhá-lo na regulamentação da economia, tal como preconizava o Paeg. Quatroa reformas significativas foram realizadas durente o goerno Castelo Branco, entre 64 e 67: a reforma bancária, a reforma financeira a reforma fiscal/tributária e a reforma administrativa. A reforma bancária, de 31 de dezembro de 64, instituiu a transformação da Superintendência da Moeda- Sumoc e do Crédito em Banco Central do Brasil- Bacen, além de criar o Conselho Monetário Nacional- CMN e de redefinir os papeis e atribuições das instituições financeiras, públicas e privadas. A reforma financeira instituiu a correção monetária, acriação do Banco Nacional da Habitação- BNH e ainda a Lei do Mercado de Capitais. A reforma fiscal/tributária, de 65, procurou eliminar os impostos em cascata e substituí-los por outros que incidiam sobre o valor agregado. Criou também as Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional- ORTNs, instrumento que passou a ser utilizado para o financiamento do déficit público. POr fim, a centralizada estrutura baseada no Dasp foi flexibilizada nos diversos níveis da máquina pública: administração direta, empresas públicas, empresas de economia mista e autarquias.

De fato, o governo federal voltou a adquirir capacidade de investimento, assim como conseguiu administrar a dívida externa de forma não inflacionária, ao emitir ORTNs. Além disso, criou mecanismos de apoio ao investimento privado, como o BNH, isenções tributárias e subsídios. As bases para a retomada do crescimento foram assim construídas.

O setor externo da economia brasileira também foi objeto de políticas específics que modificaram a inserção da economia local na economia mundial. Seri do desempenho positivo do setor exportador o motor do novo modelo econômico. O país deveria exportar mais do que importar de modo a impulsionar a elevação das taxas internas de crescimento. Para tnato, deveriam ser adorads as seguintes medidas: normalizar relações com centros financeiros internacionais, estimular investimento externo direto, adotar política cambial adequada ao esforço exportador e diversificar a pauta de exportações.


Nos primeiros anos da década de 60, pode-se verificar a grande contração nos fluxos internacionais de capitais para o Brasil. Parte da explicação se encontra na desconfiança dos investidores acerca dos rumos que poderiam tomar a economia brasileira sob um governo nacionalista, como foi o de Jango. Por outro lado, não é descartado que o estrangulamento externo também foi adotado pelo governo norte-americano para criar as condições adequadas à desestabilização daquele governo. Após o golpe, a situação externa melhorou significativamente, isso porque o governo do Estados Unidos logo tratou de auxiliar seus novos aliados.


Ora, pelo que se pode concluir, parte das restrições externas foram solucionadas pela boa vontade do governo norte-americano. Para que se possa avaliar a dimensão do auxílio dos Estados Unidos e das Instituições de Bretton Woods, em dez anos (55-64), o total de investimentos diretos não alcançou sequer os aportes da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Industrial- Usaid. Não obstante, havia mais de 14 anos que o BID não concedia fianciamentos ao governo brasileiro, ou seja, desde o início do segundo governo Vargas. Por conta disso, a dívida externa, que vinha sendo negociada sem sucesso desde 63, deixou de ser um fardo para o governo militar. Além disso, a normalização das relações com a comunidade financeira internacional colocou novamente o país nas rotas de investimento direto.


As restrições sobre o balanço de pagamentos até 64 foram resolvidas com superávits comerciais e, principalmente, com a elevação do passivo externo do país. As dificuldades apresentadas em 67 refletem a amortização de dívida, pagamento de juros e ainda o saldo negativo de conta corrente. Já em 1968, verifica-se melhoria na situação do balanço de pagamentos e nova aceleração no nível de endividamento externo.


De forma geral, o apoio norte-americano e a normalização das relações com a comunidade financeira internacional, levaram aquelas políticas a surtir o resultado esperado. Há que se considerar também que a situação da economia mundial da segunda metade do anos 60 era bastante favorável, os últimos dias da Era de Ouro, tanto do ponto de vista do crescimento da produção como da disponibilidade de recursos no sistema financeiro privado, que começava a soltar as amarras do padrão ouro-dólar, estipulado pelo acordo de Bretton Woods. Procurando fugir das restrições impostas pelo FED, começava a ser formar um mercado de dólares na Europa, aquele que seria o embrião do atual sisntema financeiro privado internacional. A existência de uma nova fonte de financiamento, fora dos esquemas tradicionais, foi fator estimulante do endividamento externo dos países periféricos desde então.


Outro ponto que criava obstáculo ao crescimento do comércio exterior, segundo os economistas que apoiavam o governo militar, seria uma inadequada política cambial. Isso se dava porque as elevadas taxas internas de inflação refletiam negativamente sobre a formação dos custos dos produtos brasileiros negociáveis no exteriro. Desvalorizações cambiais que restabelecessem a correspondência entre os preços internos e externos, quando realizadas em grandes intervalos de tempo, contribuíam para a perda de competitividade das exportações.


Ora, pelo que se pode concluir, parte das restrições externas foram solucionadas pela boa vontade do governo norte-americano. Para que se possa avaliar a dimensão do auxílio dos Estados Unidos e das instituições de Bretton Woods, em dez anos (55-64), o total de investimentos diretos não alcançou sequer os aportes da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional- Usaid. Não obstante, havia mais de 14 anos que o BID não concedia financiamento ao governo brasileiro, ou seja, desde o início do segundo governo Vargas. Por conta disso, a diívida externa, que vinha sendo negociada sem sucesso desde 63, deixou de ser um fardo para o governo militar. Além disso, a normalização das relações com a comunidade financeira internacional colocou novamente o país nas rotas de investimento direto.


Conforme se pode verificar, as restrições sobre o balanço de pagamentos até 64 foram resolvidas com superávits comerciais e, principalmente, com a elevação do passivo externo do país. As dificuldades apresentadas em 67 refletem a amortização de dívida, pagamento de juros e ainda o saldo negativo de conta corrente. Já em 68, verifica-se melhoria na situação do balanço de pagamentos e nova aceleração no nível de endividamento externo.


De forma geral, o apoio norte-americano e a normalização das relações com a comunidade financeira internacional, levaram aquelas políticas a surtir o resultado esperado. Há que se considerar também que a situação da economia mundial da segunda metade dos anos 60 era bastante favorável, os últimos dias da Era de Ouro, tanto do ponto de vista do crescimento da produção como da disponibilidade de recursos no sistema financeiro privado, que começava a soltar as amarras do padrão ouro-dólar, estipulado pelo acordo de Bretton Woods. Procurando fugir das restrições impostas pelo FED, começava a se formar um mercado de dólares na Europa, aquele que seria o embrião do atual sistema financeiro privado internacional. A existência de uma nova fonte de financiamento, fora dos esquemas tradicionais, foi fator estimulante do endividamento externo dos países periféricos desde então.


Outro ponto que criava obstáculo ao crescimento do comércio exterior, segundo os economistas que apoiavam o governo militar, seria uma inadequada política cambial. Isso se dava porque as elevadas taxas internas de inflação refletiam negativamente sobre a formação dos custos de nossos produtos negociáveis no exterior. Desvalorizações cambiais que restabelecessem a correspondência entre os preços internos e externos, quando realizadas em grandes intervalos de tempo, contribuíram para a perda de competitividade das exportações. 


De fato, ao se considerar que o objetivo do novo modelo era a elevação das taxas internas de crescimento, tendo como carro-chefe as exportações, a moeda nacional subvalorizada funcionaria como importante incentivo. A nova política cambial refeltia a articulação de forçs que dava sustentação ao novo governo. Assim como o confisco cambial significava a transferência de renda dos setores exportadores para aqueles vinculados ao mercado interno- ainda durante o modelo substitutivo de importações-, a política continuada de desvalorização cambial foi essencial para a política de concentração de renda e de arrocho salarial, as bases do modelo de crescimento por via das exportações, isso porque o barateamento da mão-de-obra nacional tornaria mais competitivas as mercadorias brasileiras no exterior.


Apenas alterar a política cambial não seria suficiente pra a dinamização das exportações. Seria necessário também diversificar a pauta. Em 64, 86% das exportações brasileiras eram compostas de produtos básicos, principalmente do café, com participação de 53%.


Do ponto de vista do aumento das exportações, a nova política apresentou desempenho positivo. Entre 64 e 70, a participação de bens manufaturados na pauta de exportações elevou-se em 145%, passando de 6,2% para 15,2%. Nesse mesmo período, o valor total das exportações variou 91%. Cabe considerar, entretanto, que em tempos de valor agregado a tonelada média exportada em 69, equivalia a 20% do valor da tonelada média de 64. Por outro lado, por conta das características do novo modelo, aumentava-se a dependência de importações , principalmente de bens de capital por parte das empresas multinacionais que ampliavam sua presença no Brasil após o golpe militar. Por conta disso, as importações elevaram-se a 133% no período 64-70.


Em relação ao melhor desempenho das exportações, ele não foi suficiente para cobrir a crescente necessidade de divisas estrangeiras. Como forma de garantir o crescimento do PIB, cada vez mais o país recorreria a empréstimos no exterior. E importante ressaltar que as políticas de ajuste, implementadas no bojo do Paeg, criaram as condições necessárias para a implantação do modelo que privilegiou a integração dependente da economia internacional e que modificou substancialmente a estrutura de oferta e demanda da economia brasileira. Os principais frutos da política iniciada em 64 puderam ser colhidos no ciclo subsequente, vulgarizado como o milagre econômico. As elevadas taxas de crescimento do PIB foram impusionadas pelos setores beneficiados pelo regime e também pelo crescente endividamento do país.

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