Crowdfunding

Todos os dias, diversos projetos são colocados no papel, no entanto, uma minoria deles consegue 'nascer', outras vezes, até há tentativas de colocá-los em prática, mas fracassam por falta de verba. Nós últimos anos, uma prática que vem se tornando bastante utilizada, por parte de idealizadores de projetos, é a busca por financiamento coletivo nos meios digitais, que é mais mais conhecida como: Crowdfunding.

Seguindo a definição de Dorly Neto, que é especialista em Redes Sociais e Inovação Digital pela ESPM-SP, "o crowdfunding segue a dinâmica da vaquinha, ao partir do princípio de que pessoas colaboram e, juntas, realizam o que antes não poderiam fazer sozinhas. A diferença é que, agora, essa modalidade é potencializada pela internet. Não existe nada de mágico nesse processo, é apenas uma forma poderosa de realização e de engajamento de pessoas".

O crowdfunding serve para arrecadar investimento para financiar produtos, eventos e projetos de diversas áreas, não só idealizados por pessoa física, mas também por empresas.

Apesar de o termo ser utilizado desde 2006, e vir se popularizando desde 2009, após o lançamento do site Kickstarter, seu conceito já era praticado séculos atrás, como por exemplo, o financiamento para o surgimento de novos livros, que era realizado por leitores em potencial, que investiam em autores e editoras.

"O atual movimento de crowdfunding tem, para mim, dois principais motivos. As formas tradicionais de financiamento não davam conta de abarcar todos os tipos de projeto que precisavam de grana, seja porque o projeto poderia requerer poucos recursos – e o financiamento público não dá conta disso –, seja porque o empreendedor/artista quer mais independência do que uma forma tradicional de captação pode oferecer", diz o empreendedor Diego Reeberg, que é um dos fundadores da primeira plataforma de crowdfunding do país, o Catarse.me, e um dos editores do blog CrowdfundingBR. Além de ser formado em Administração de Empresas pela FGV-SP.

Diferenças no crowdfunding!

Segundo Reeberg, "Há várias plataformas diferentes. No Brasil, destacam-se as de crowdfunding em geral e as de nicho. O primeiro tipo são sites mais amplos que aceitam projetos diversos (de cultura, de empreendedorismo, de jornalismo etc.).

Normalmente, tem-se uma curadoria para avaliar os projetos que podem entrar no site. Em seguida, são definidos o prazo de captação, a meta financeira e as recompensas (produtos e serviços oferecidos para quem apoiar o projeto, de acordo com o valor colaborado). Se o projeto atinge a meta no prazo estipulado, ele é considerado bem-sucedido, e o realizador recebe o dinheiro. Se não, o valor é devolvido para os apoiadores.

Sobre as plataformas de nicho, há o exemplo do Queremos, uma produtora de shows que financia bandas e músicos através de crowdfunding. O Queremos arrecada pelo site o montante necessário para o show acontecer. Depois disso, são vendidos ingressos normalmente.

De acordo com o tanto de ingressos vendidos, as pessoas que fizeram o show acontecer vão recebendo o dinheiro de volta, sendo que elas podem acabar recebendo todo o “demanding” e ir ao show gratuitamente.

Fora do Brasil existe um forte movimento para financiar startups por crowdfunding, com retorno financeiro e societário para quem investir nos projetos. Aqui no Brasil a legislação não permite esse tipo de operação".

Tipos de projetos e estratégias!

Quase todos os projetos podem ser financiados, como diz Reeberg, "é mais uma questão de procurar uma plataforma que se encaixe no perfil do projeto".

"Três são os fatores principais para um projeto dar certo (pelo menos no Catarse): a paixão do realizador do projeto (fundamental para ele convencer pessoas a colaborar com a iniciativa); planejamento/execução da campanha (desde a elaboração do vídeo de apresentação do projeto até a estratégia de comunicação a ser utilizada nas redes sociais); rede de contatos (grande parte dos apoiadores serão pessoas próximas ou das redes dessas pessoas).

Financiar um projeto colaborativamente vai ser muito difícil sem a existência de uma rede bem estruturada para sustentar o projeto", diz ele.

Outros tipos de crowdfunding!

Um deles é o matchfunding. Nesse modelo, a empresa interessada no projeto doa o mesmo valor que o doado por pessoas físicas, exemplo: se o projeto arrecadar R$ 40 mil, a empresa interessada investe mais R$ 40 mil, totalizando R$ 80 mil.

O outro modelo é o equityfunding. Nele, ocorre o investimento em troca de participação societária no projeto.

O que é essencial em uma campanha de Crowdfunding!

Antes: Deve-se determinar o valor que o projeto irá custar e descrever bem o objetivo da campanha.

Durante: Deve-se divulgar bastante a campanha, para que consiga um bom engajamento. É recomendado o uso de vídeo e fotos, além da divulgação em redes sociais.

Depois: Deve-se atualizar os apoiadores da campanha a cerca do andamento do projeto.

Projetos adequados!

Como empreendedor diz "Crowdfunding não é uma maneira fácil de captação de recursos". Diego ainda elenca em quais casos o uso de uma plataforma de colaboração coletiva é mais recomendado:

* "O responsável pelo projeto acredita que é importante ser independente: não ter ninguém com poder financeiro para dar palpite nos rumos do projeto, interferindo no desejo do realizador – isso é bastante comum no meio artístico.

* O projeto é “crowd” por excelência. O Ônibus Hacker é um bom exemplo disso: o projeto se iniciou numa comunidade e tinha como objetivo beneficiar milhares de pessoas Brasil afora. A lógica da colaboração já estava enraizada no projeto.

* Projetos que não tenham um modelo de negócios, porque não terão nem como atrair investidores nem como pagar juros bancários.

* Projetos de pequeno porte. No Catarse, muitos dos projetos captam de R$ 1.000 a R$ 10.000, valores que em geral não são financiados por investidores/financiamento público.

* Realizadores que não querem encarar burocracias inerentes a outras formas de captação – o crowdfunding é pouquíssimo burocrático".

Cuidados!

Em uma campanha de conscientização, não basta apenas definir a meta, descrever os objetivos e divulgá-la de forma eficiente. Como alerta Diego Reeberg, "é preciso um cuidado, depois de financiar o projeto, com todos os que o apoiaram. Lidar com esse grupo de pessoas que acreditou na iniciativa a ponto de colocar dinheiro nela é crucial para o realizador construir uma comunidade ao redor do que ele propôs.

Outro cuidado básico é não realizar spam durante a campanha, o que prejudica mais do que beneficia.

E, por fim, não se pode achar que, pelo fato de o projeto estar numa plataforma, surgirão pessoas do nada para apoiá-lo. Captar via crowdfunding dá muito trabalho e exige disposição e atenção diária com a campanha para ela dar certo".

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