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EMPREENDEDOR SOCIAL E CORPORATIVO

Eliana pessoa,
Artigo elaborado por Leandro da Silva Souza (aluno da Administração da UnB) sob orientação da Prof. Eliana Pessoa, em maio/2005. 

Empreendedor social é uma pessoa com perfil de provocar mudanças visando melhorias sociais, ambientais e econômicas em seu meio; o objetivo é gerar ganho em qualidade de vida num sentido mais amplo, que não isola questões sociais de ambientais e econômicas. 
Segundo Dees, 

Empreendedores sociais são os reformadores e revolucionários, mas com uma missão social. Eles realizam mudanças fundamentais na forma como as coisas são feitas no setor social. Suas visões são arrojadas. Eles atacam as causas básicas dos problemas, ao invés de apenas tratar os sintomas. Eles muitas vezes reduzem as necessidades ao invés de apenas identifica-las. Eles buscam criar mudanças sistêmicas e melhorias saudáveis. Ainda que possam agir localmente, suas ações têm o potencial de estimular melhorias globais nas suas áreas escolhidas de atuação: educação, saúde, desenvolvimento econômico, meio ambiente, arte e cultura ou qualquer outro campo do setor social. 

Para Dees, os empreendedores sociais têm o papel de agentes de mudanças no setor social por: adotar uma missão de gerar e manter valor social (não apenas valor privado); reconhecer e buscar implacavelmente novas oportunidades para servir tal missão; engajar-se num processo de inovação, adaptação e aprendizado contínuo; agir de modo arrojado sem se limitar pelos recursos disponíveis; e exibir um elevado senso de transparência para com seus parceiros e público e pelos resultados obtidos. 

Melo Neto afirma que o empreendedorismo social está inserido num novo paradigma da economia, a socioeconomia solidária, que possui as seguintes características: baseia-se na cooperatividade; seu modelo é o do desenvolvimento de “dentro para fora” e da produção voltada para as necessidades do povo e da nação; centrada no desenvolvimento autônomo, autogestionário de cada pessoa, comunidade e nação; predomínio das “relações de solidariedade”; foco no desenvolvimento integral dos potenciais materiais e espirituais do ser humano e da humanidade; promoção de parcerias com organizações sociais; atua na dimensão indivíduo-grupo-coletividade-comunidade-sociedade; tem nos membros da comunidade os principais agentes ou sujeitos do desenvolvimento; e promoção do autodesenvolvimento centrado nos atributos, recursos e potenciais da pessoa e da comunidade. 

Segundo Dornelas, empreendedorismo corporativo é o processo pelo qual um indivíduo ou um grupo de indivíduos, associados a uma organização existente, criam uma nova organização ou instigam a renovação ou inovação dentro da organização existente. 

O empreendedorismo corporativo também pode ser definido como sendo identificação, desenvolvimento, captura e implementação de novas oportunidades de negócio, que requerem mudanças na forma como os recursos são empregados na empresa e que conduzem para a criação de novas competências empresariais, resultando em novas possibilidades de posicionamento no mercado, buscando um compromisso de longo prazo e criação de valor para os acionistas, funcionários e clientes. 

Para Dornelas, o empreendedor corporativo possui as seguintes características: 
• É orientado a metas, automotivado e quer as recompensas e o reconhecimento da organização; 
• Estabelece metas de 3 a 5 anos, dependendo do negócio; auto-impõe tarefas e prazos com vistas a atingir os objetivos da empresa; 
• Coloca a mão na massa; delega quando necessário, mas faz o que tem que ser feito; 
• Parece com o empreendedor start-up, mas possui habilidades do gerente; procura ajuda com outros para prosperar na empresa; 
• Autoconfiante e corajoso/ pode ser cético sobre o sistema, mas otimista em mudá-lo; 
• Possui foco dentro e foco da organização/local de trabalho; consegue ter visão mais abrangente e foco também nos consumidores/clientes; 
• Gosta de (aceita) assumir riscos moderados; geralmente não tem medo de ser demitido, assim, vê pouco risco pessoal; 
• Faz sua própria pesquisa de mercado e avaliação intuitiva do mercado; 
• Considera os símbolos de status uma piada; o que conta é desempenho e liberdade de agir; 
• Tem sensibilidade de mostrar os erros da forma correta (analítica e politicamente), de forma a não prejudicar seu papel e imagem na organização; 
• Faz com que outros concordem com sua decisão (persuasão); 
• Serve a si, aos clientes e aos superiores; 
• Não gosta do sistema, mas aprende a “influenciá-lo”; 
• Resolve os problemas de acordo comas regras do sistema ou de forma contornada sem fugir às regras; 
• Vê as negociações dentro da hierarquia como base para os relacionamentos. 

Em relação à motivação, o empreendedor corporativo quer se superar e mostrar resultados ã empresa, enquanto que o empreendedor social quer ajudar os outros. Quanto ao conhecimento técnico, o corporativo é específico e profundo sobre a idéia proposta pra conquistar adeptos e viabilizar o seu projeto; para o empreendedor social, o conhecimento técnico depende do projeto, do grau de conhecimento necessário. 

O empreendedor corporativo necessita de visão de mercado e de retorno de investimento, persistência, disposição a se arriscar, vontade, criatividade, poder de comunicação, capacidade de negociação e persuasão, visão sistêmica, conhecimento do negócio e cultura da empresa; semelhantemente, o empreendedor corporativo necessita de iniciativa, persistência, vontade, criatividade, persuasão, entusiasmo, disposição a se arriscar, saber agir em equipe, habilidade para conseguir recursos e parcerias para o seu projeto. 

O empreendedor corporativo visa o lucro para a organização, mas o empreendedor social visa a melhoria da qualidade de vida da comunidade. Enquanto que o empreendedor corporativo pode ser visto como uma ameaça à empresa por causa de seu espírito inquieto/questionador, o empreendedor dá a vida por aquilo que acredita, precisando fazer seguidores para que o projeto não morra. 

Em relação aos recursos financeiros, a empresa se encarrega de providenciar os recursos, tanto próprios ou de terceiros, para o empreendedor corporativo; o empreendedor social deve buscar deve buscar os recursos financeiros através de parcerias, financiamento ou utilizando recursos próprios. O apoio ao projeto do empreendedor corporativo dependerá essencialmente de as redes de contatos, de seu poder de persuasão e de relevância para o negócio da empresa. O apoio ao empreendedor social também dependerá de uma rede de contatos, de seu poder de persuasão e da relevância do empreendimento, não só para a comunidade, mas também para aqueles que patrocinam a idéia. 

A maior dificuldade, para o empreendedor corporativo, é convencer a empresa de que o projeto é viável e que trará excelentes resultados, e assim conseguir apoio e recursos financeiros para implementá-lo. Para o empreendedor social, a principal dificuldade, na maioria dos casos, é reunir e manter os recursos necessários para o empreendimento (financeiros, humanos, materiais, espaço físico e logística). 

Referências
Dees, J. Gregory. O significado de empreendedorismo social. 1998 http://www.levitasdopai.com.br/empreendedor.htm 
Dornelas, José Carlos Assis. Empreendedorismo corporativo: como ser empreendedor, inovar e se diferenciar em organizações estabelecidas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. 
Melo Neto, Francisco Paulo; Froes, César. Empreendedorismo social: a transição para a sociedade sustentável. Rio de Janeiro: Quality 
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