Finanças: você tem escorpião no bolso?

O carro é no carnê, a casa é no financiamento, as compras no cartão de crédito e se o mercadinho da esquina ou o boteco deixar é fiado certo. Assim a vida segue

O Editor Chefe de um dos Jornais para o qual escrevo faz uso constante de uma expressão popular quando o assunto é o mercado da propaganda. Evidente que não estou falando do mercado publicitário como um todo, e sim, da singela fatia do bolo que deve ou deveria ficar para os veículos de comunicação do interior. Digo que a fatia é pequena por que os anunciantes têm muito menos verba, e menos mercado, que as grandes empresas multinacionais ou com sede nos centros maiores. O pouco dinheiro reflete-se nos veículos de mídia.

Como não havia escrito o artigo daquela edição ainda e ele, o chefe, ligou-me “pressionando” fiz como os atores do comercial da Amanco alusivo ao futebol, quando um pede ao Venezuelano: “manda um título” e o outro diz de lá “Miss universo” já que a Venezuela não tem grandes conquistas no esporte. Falei pra ele, escolha um tema: e imediatamente ele soltou: “escorpião no bolso” e deu uma boa gargalhada. Disse isso por que o dia no departamento comercial não havia sido dos melhores.

Como pra nós Jornalistas tudo vira texto, já pensei: assim seja. O significado dessa expressão, acredito ser de conhecimento de todos, talvez você mesmo tenha um no seu bolso. Sovina, pão duro, miserável, seguro, amarrado, mão fechada, mão de vaca, munheca de samambaia dentre outros estão entre os adjetivos atribuídos às pessoas “controladas”. O dito “escorpião no bolso”, já foi utilizado em obras literárias, músicas e até em livros de administração, cito um mais adiante. Certa vez li um artigo de uma mulher que era compradora compulsiva e fez um tratamento para resolver o problema, desse tratamento surgiu o texto com dicas de economia cujo título era “escorpião na bolsa” uma alusão clara ao ditado.

Mas se essa é uma característica dos empresários varejistas do interior quando o assunto é propaganda, de um modo geral o brasileiro não é assim. O próprio dono da loja, que é meio “garrado”, tem problema com inadimplência pelo fato de os clientes não terem controle financeiro. Gastam o que tem e o que não tem não se importando com as consequências. As facilidades de crédito do mercado faz com que o brasileiro compre desmedidamente.

Esse consumo, muitas vezes até irresponsável faz com que as pessoas percam dinheiro, pois acabam se perdendo em juros abusivos de empresas, bancos ou gestoras de cartão de crédito, por exemplo. Não se faz contas de juros no Brasil. Olha-se o tamanho da prestação, independente de ter outras e fecha-se o negócio. O carro é no carnê, a casa é no financiamento, as compras no cartão de crédito e se o mercadinho da esquina ou o boteco deixar é fiado certo. Assim a vida segue.

Um livro do escritor Lacy Lima Amorim, fala sobre a importância de se ter um planejamento do orçamento pessoal e familiar. O autor explica como isso deve ser feito e por que é importante. Para ele não só o controle das finanças é necessário, também o investimento de parte dos ganhos em alguma coisa com o pensamento no futuro. Portanto, se você é muito “mão aberta”, imediatamente coloque não só um, mas o casal de escorpião no seu bolso ou bolsa. Em breve serão uma família, e você uma pessoa sem problemas com contas que não fecham.

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