Investimentos: IPCA - descubra agora como funciona o principal índice da nossa inflação

O IPCA é o principal índice da nossa inflação, e impacta diretamente a sua vida em vários aspectos. Entenda como ele é formado e a influência que tem no seu dia a dia.

É de conhecimento de todos que o valor do dinheiro possui uma variação com o decorrer do tempo.

Na prática, isso quer dizer que uma determinada quantidade de dinheiro a qual você tem hoje pode não ser capaz de pagar pelas mesmas coisas no futuro.

Isso todos nós já sentimos na pele. Quem nunca postergou uma compra e, meses depois, quando conseguiu o dinheiro para efetuá-la, não foi possível porque o preço daquele item havia subido?

Isso ocorre com itens supérfluos e também com os básicos para nossas vidas como alimentos, transporte, entre outros.

E você sabia que existe um índice que mede toda essa variação dos preços?

Pois sim, e o seu nome é IPCA, ou Índice de Preços ao Consumidor Amplo.

Aqui neste artigo vamos abordar tudo o que é importante com relação a este indicador.

Definindo Inflação e Deflação

Provavelmente você saiba o que é inflação. Todos os dias ouvimos ou lemos nos canais de comunicação sobre o aumento ou a redução dos preços de determinados produtos.
No caso de um produto específico ter sofrido variação do seu preço para cima, ou seja, ter ficado mais caro comparado com seu valor em um determinado período passado, dizemos que esse item sofreu inflação.

Por definição temos:

“A taxa de inflação é o aumento no nível de preços. Ou seja, é a média do crescimento dos preços de um conjunto de bens e serviços em um determinado período”

O contrário, embora mais difícil de acontecer, também pode ocorrer. Por vezes, algum produto pode ter seu valor reduzido se comparado à uma data passada. Neste caso dizemos que o item sofreu deflação, ou seja, queda no seu preço.

Em suma, conceitualmente falando, inflação ocorre quando o preço de determinado produto sobe e, deflação, quando ele reduz seu valor com o passar do tempo.

É notório também que, quem mais sofre com a alta dos preços são as famílias de baixa renda. O fato de as receitas mensais serem reduzidas faz com que esse grupo de pessoas seja muito sensível à inflação.

Como geralmente o reajuste das receitas não acompanha a elevação dos preços, é necessário que alguns itens da cesta de consumo sejam priorizados em detrimento de outros, comprometendo assim a normalidade da estrutura familiar.

O Que É IPCA

Para medir a já mencionada variação dos preços dos produtos, foi instituído um índice que considera uma determinada quantidade de itens para serem avaliados.

Na sua essência, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é o indicador que representa a inflação no brasil. Ele foi criado em 1979 para analisar a variação dos preços para o consumidor final, sendo medido todos os meses pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Este índice é considerado o “termômetro” da inflação ou deflação do país, sendo extremamente importante na tomada de decisões efetuadas pelo governo no que diz respeito ao andamento da nossa economia.

A partir do ano 2000, por orientação do COPOM (Comitê de Política Monetária), passou a ser considerado, pelo Banco Central do Brasil, o indicador oficial da inflação do país.

Além disso, ele pode afetar seus investimentos direta ou indiretamente, como veremos posteriormente.

Como é Feita a Medição do IPCA

Embora o IPCA seja considerado oficialmente o índice da nossa inflação, ele possui critérios de medição que não englobam todos os produtos que temos disponíveis no mercado nem tampouco abrange todas as regiões do Brasil.

Também não são consideradas todas as classes sociais existentes no país. Apesar de ser bastante abrangente, especificamente para o IPCA, leva-se em consideração o custo de vida de famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos.

Com relação aos itens que são considerados para a determinação do indicador, são avaliados aproximadamente 400 produtos, todos classificados nas seguintes categorias: alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transportes, saúde e cuidados especiais, despesas pessoais, educação e comunicação.

Para cada grupo de produtos temos um peso diferente para compor o IPCA. Isso pode ser visto na tabela abaixo:

 

     Categorias                   Porcentagem (%)

Alimentação e Bebidas 23,12
Habitação 14,62
Artigos de Residência 4,69
Vestuário 6,67
Transportes 20,54
Saúde e Cuidados Pessoais 11,09
Despesas Pessoais 9,94
Educação 4,37
Comunicação 4,96
TOTAL 100

 

Você pode observar que as categorias listadas possuem um percentual específico para cada uma. Ou seja, não possuem o mesmo peso para o cálculo do índice. Isso quer dizer que, na prática, e sob o ponto de vista do governo, cada categoria tem um impacto diferente no orçamento familiar.

Regiões de Coleta de Dados

Assim como não são abrangidas todas as classes sociais, também não são todas as regiões do país que passam pela avaliação do IBGE no momento da coleta dos dados.

Basicamente consideram-se nove regiões metropolitanas na medição, são elas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos municípios de Goiânia e Campo Grande.

Assim como no caso das categorias, cada região também irá influenciar no resultado do índice de forma diferente. Para aumentar a representatividade do indicador, considera-se que as regiões terão os seguintes percentuais de influência:


São Paulo – 30,67%
Rio de Janeiro – 12,06%
Belo Horizonte – 10,86%
Porto Alegre – 8,40%
Curitiba 7,79%
Salvador – 7,35%
Recife – 5,05%
Belém – 4,65%
Goiânia – 3,59%
Fortaleza – 3,49%
Brasília – 2,80%
Vitória – 1,78%
Campo Grande – 1,51%

O IBGE faz a coleta de dados sempre do dia 1 até o dia 30 ou 31, dependendo de quantos dias têm o respectivo mês.

Mas a essa hora você pode estar se perguntando: “Tudo bem, estou entendendo o que é o IPCA, já sei que ele é o principal indicador da nossa inflação, etc. Mas por que geralmente eu não percebo a oscilação dos preços de acordo com o que é revelado pelo índice?”.

Esse é um ponto muito importante para comentarmos.
O que ocorre é que, como foi visto até agora, o IPCA considera uma determinada quantidade de categorias de produtos, e cada um com seus percentuais definidos.

Mas na prática, o impacto será diferente para cada consumidor, pois cada um tem seu estilo de vida no qual determinado produto impacta diferente em comparação com outras pessoas. Cada família têm a sua própria cesta de produtos, dentre os quais uns são mais consumidos que outros.

Exemplificando, se você consome muitos produtos da categoria Saúde e Cuidados pessoais, com o aumento da inflação, você sentirá o impacto de modo diferente de quem têm mais consumo em Alimentação e Bebidas, por exemplo.

Outro caso que podemos usar para elucidar essa diferença entre a variação do IPCA e a percepção que por vezes é diferente da oscilação é aquele de pessoas que não dependem tanto assim de transporte.

Imagine alguém que trabalha perto de casa, por exemplo. Essa pessoa pode se deslocar para o trabalho a pé, todos os dias. Certamente uma elevação nos combustíveis (que impacta diretamente o IPCA) não será tão significante para esse sujeito.

O índice é uma representação do que ocorre, porém, cada caso (família) tem suas particularidades e muito provavelmente o impacto na prática difere em relação à outros.

IPCA Acumulado

Este é outro ponto extremamente importante, e que possui grande interesse por parte das pessoas.

O IPCA acumulado nada mais é que a soma dos valores mensais medidos durante um determinado intervalo de tempo. Ele reflete exatamente o quanto está sendo a variação dos preços num período, para cima ou para baixo.

Vamos usar valores hipotéticos, apenas para ilustrar o que estamos comentando. Para tanto, preste atenção à tabela abaixo:

     Mês              IPCA                   IPCA Acumulado

Janeiro              1,0 %                              1,0 %
Fevereiro           1,5 %                              2,5 %
Março                2,0 %                              4,5 %
Abril                   1,0 %                              5,5 %
Maio                   0,5 %                             6,0 %

Observe que o valor do IPCA foi medido mês a mês, de janeiro a março de determinado ano. Podemos ver que em todos os meses tivemos valores positivos, ou seja, inflação.

Ao final do período observado, ou seja, no mês de maio, o valor acumulado do IPCA foi de 6,0 %. Isso quer dizer que os preços dos produtos que compõem o índice subiu em média 6,0 % em comparação com o início do intervalo de tempo (janeiro).

Também podemos supor que em algum momento teremos redução destes percentuais, e até mesmo um valor negativo em algum mês. Isso retrataria um cenário de deflação, ou seja, queda dos preços.

Entretanto, sabemos que é extremamente difícil que isso ocorra por um período de tempo prolongado, e por isso, não é necessário que venhamos a expôr este caso no presente artigo.

IMPORTANTE:
Vamos nos ater a dois meses da tabela acima, mais especificamente março e abril. Você pode verificar que houve redução do valor do IPCA de um mês para o outro. Mas o que isso quer dizer? Houve uma redução dos preços? Na verdade não. O que ocorre é que o aumento dos valores dos preços em abril foi menor que o aumento ocorrido em março. Mas ainda assim estamos em um cenário de inflação. Para que houvesse redução dos preços dos produtos teríamos que ter um valor negativo do índice. Só assim estaríamos em uma situação de deflação.

Histórico do IPCA

Com o intuito de demonstrar que atualmente estamos com patamares de variação dos preços aceitáveis em comparação com passados não tão distantes, vamos abordar um pouco do histórico do IPCA.
Para isso, preste atenção ao gráfico abaixo, retirado diretamente do site do IBGE.

Esses dados nos mostram a variação do IPCA ao longo dos anos, começando em 1995 e vindo até os dias atuais. Ao analisarmos com atenção, chegamos à conclusão que hoje temos muito mais estabilidade no que diz respeito à variação dos preços dos produtos.

Os patamares menores de percentual do índice denotam uma realidade mais fácil de ser entendida e controlada.

Isso tudo passa por um esforço de se manter a inflação controlada, contribuindo assim para a melhoria contínua das condições econômicas do país.

Como o IPCA Impacta Seus Investimentos

Vamos nos ater agora em entender como o IPCA pode influenciar nos seus investimentos.

O ponto principal a se analisar é se sua carteira de investimentos está tendo uma rentabilidade superior ao IPCA, ou seja, seu patrimônio acumulado não está perdendo valor com o passar do tempo.

De nada adianta termos aplicações com rentabilidades positivas se estas estão com uma taxa de rendimento inferior à inflação. Por isso é extremamente importante que venhamos a analisar onde estamos aplicando nossos recursos.

-> Tesouro Direto

O Tesouro Direto pode ser uma excelente saída para nos protegermos do poder corrosivo da inflação, e ainda aumentar nosso poder de compra.

O governo disponibiliza um tipo de papel com rentabilidade ligada diretamente ao IPCA. É o Tesouro IPCA+. Neste tipo de título a rentabilidade será sempre a variação da inflação acrescida de um percentual pré-determinado.

-> LCI e LCA

LCI e LCA são tipos de investimentos onde os bancos captam recursos para financiar os ramos imobiliário e agropecuário.

Os rendimentos das LCI e LCA são atrelados ao CDI, e este indicador segue de perto a Taxa Selic. Entretanto, já existem papéis indexados ao IPCA, sendo diretamente influenciados por este na sua rentabilidade.

Em momentos de inflação, e no caso dos investimentos baseados no CDI, deve-se comparar a rentabilidade das LCI e LCA com o IPCA para ver se o caso é de aumento do poder de compra ou corrosão do patrimônio.

-> CDB

Outra forma de investimento da qual os bancos fazem uso para se captalizarem. Estes diferem das LCI e LCA pela sua finalidade.

No caso dos CDB, os bancos fazem o uso dos recursos como bem entenderem.

Embora também a rentabilidade da maioria dos CDB esteja atrelada ao CDI, já existem aqueles que são indexados ao IPCA.

A mesma análise proposta para as LCI e LCA deve ser realizada aqui. Verifique a rentabilidade do seu papel, e compare com o IPCA no período. Só assim para saber se você não está perdendo poder de compra.

-> Poupança

O rendimento desta aplicação possui pouca ou nenhuma vantagem sobre a alta dos preços dos produtos.

Este é um dos principais motivos que recomendamos fortemente a procura por outros tipos de investimentos.

-> Fundos de Investimentos

Estes são outros investimentos em renda fixa que podem ter rentabilidade atrelada ao IPCA.

Aqui, além do raciocínio a respeito da comparação de rendimento do investimento com o índice de inflação, você deve ficar atento à outras taxas que podem ser cobradas pelo fundo.

Outros Índices de Inflação

A essa altura você já entendeu que o IPCA é o índice oficial da inflação do Brasil. Entretanto, existem outros indicadores que também denotam a variação dos preços que influenciam nas nossas vidas. Vamos entender os principais: IGP (IGP-M, IGP-DI e IGP-10).

Estes índices não são medidos pelo IBGE. A instituição responsável pela sua medição é a Fundação Getúlio Vargas – FGV.

Diferentemente do IPCA, que é mais focado na variação de preços que influenciam as famílias, o IGP está mais direcionado para as atividades produtivas do país. Este indicador considera os preços de matérias primas agrícolas, industriais, além de bens e serviços finais.

O que diferencia os 03 tipos de IGP é tão somente o período de apuração dentro do mês.

-> INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC é outro indicador calculado mensalmente pelo IBGE.

Este índice é muito similar ao IPCA, diferindo deste por considerar apenas famílias com renda mensal de até 5 salários mínimos.

-> IPCA-15

Para o reajuste do IPTU, existe um índice similar ao IPCA. Estamos falando do IPCA-15.

Este indicador é medido do dia 16 do mês presente até o dia 15 do próximo mês.

Conclusão

No presente artigo, passamos por diversos pontos. Vamos rever alguns:

=> Definimos deflação e inflação: deflação é quando os preços dos produtos sofrem redução em comparação com períodos anteriores. Inflação é o contrário, quando os preços sobem com o decorrer do tempo.

=> Definimos o que é IPCA: você entendeu como ele é calculado, quais as regiões que são consideradas para a coleta dos dados, quais as categorias de produtos consideradas e o percentual que cada uma influencia o índice.

=> Explicamos o impacto do IPCA nos seus investimentos: aqui vale reforçar a ideia que sempre devemos considerar a rentabilidade dos investimentos e compará-la com o IPCA. Só assim você verificará se está perdendo ou ganhando poder de compra.

=> Outros índices de inflação: apresentamos outros indicadores de variação dos preços que podem influenciar o seu dia a dia.

Forte abraço!

Acesse: => www.infoinvestimentos.com.br

 

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