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LOGÍSTICA REVERSA: UM INTERESSE CRESCENTE

Marcelo Campos,

LOGÍSTICA REVERSA: UM INTERESSE CRESCENTE

Jerffeson de Souza Pardo¹
Madson Denes Romário Lima¹
Marcelo Costa Campos¹
Richelle Pereira Gomes¹
Rodrigo da Silva Pereira¹
Antônio Macedo Figueiredo Junior²



Resumo:
O artigo discorre sobre um aspecto da Logística que só agora começa a ser olhado mais atentamente pelas empresas. Enquanto a logística tradicional trata do fluxo de saída dos produtos, a Logística Reversa tem que se preocupar com o retorno de produtos, materiais e peças ao processo de produção da empresa. Devido ao maior rigor de legislação ambiental, a necessidade de reduzir custos e a necessidade de oferecer mais serviços por meio de políticas de devolução mais liberais, as empresas estão não só utilizando uma maior quantidade de materiais reciclados como também se preocupando com o descarte ecologicamente correto de seus produtos ao final do seu ciclo de vida. Sendo assim, o presente estudo tem por objetivo mostrar um direcionamento a cerca do crescente interesse das empresas pela logística reversa como fator fundamental para processo de revalorização dos bens manufaturados e a preocupação com o meio ambiente.

Palavras-chave: Logística reversa, materiais reciclado, meio ambiente.


Abstract:
The article talks about one aspect of Logistics that only now beginning to be seen more closely by the companies. While logistics is the traditional flow of output products, the Reverse Logistics have to worry about the return of products, materials and parts to the process of production of the company. Due to the tightening of environmental legislation, the need to reduce costs and the need to offer more services through devolution of more liberal policies, companies are not only using a larger amount of recycled materials as also preocupando with the disposal of environmentally correct its products at the end of their life cycle. Thus, the present study aims to show a direction to some of the growing interest of companies for reverse logistics as a factor critical to the process of upgrading and manufactured goods concern with the environment.

Keywords: Reverse Logistics, recycled materials, environment

1. Autores do Artigo, acadêmicos do 4º período de Logística;
2. Professor Orientador;

INTRODUÇÃO


A logística reversa vem despertando um interesse crescente nas organizações empresariais e nas pesquisas científicas, uma vez que torna possível melhorar o desempenho e a competitividade das organizações. Dentro desta ótica, a logística reversa e o estudo dos canais de distribuição reverso, se destacam como uma nova área de estudo da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros.

Este estudo tem o objetivo de fazer uma análise sobre a logística reversa, com enfoque demonstrar porque a Logística Reversa tornou-se evidente nos dias atuais. Isso porque se percebe que existe um escasso referencial bibliográfico acerca do tema, o que dificulta a obtenção de informações e uma visão mais abrangente e didática sobre este assunto. No Brasil, o problema é ainda mais grave, uma vez que somente agora os pesquisadores estão voltando os olhos para essa questão. Portanto, a escolha do tema se justifica pela necessidade de pesquisas nesta área.

Para a realização desta pesquisa foram utilizados três procedimentos metodológicos: a pesquisa exploratória, a pesquisa descritiva e a explicativa. Essas se realizaram através de uma pesquisa bibliográfica a partir de materiais já publicados: livros, artigos e textos disponibilizados na Internet que permitiu a obtenção e posterior análise dos dados necessários para a discussão da logística reversa.

O trabalho foi desenvolvido sobre o tema proposto caracterizando o objetivo a ser alcançado e a justificativa para a escolha do tema, apresenta uma análise, a luz de referencial teórico da logística reversa no sentido de apreender e esclarecer o porquê do crescente interesse das empresas e identificar as oportunidades, faz uma abordagem e discute sobre a logística reversa.
REFERENCIAL TEÓRICO


O fluxo logístico reverso é comum para uma boa parte das empresas. As siderúrgicas usam como insumo de produção, em grande parte, a sucata gerada por seus clientes e, para isso, usam centros coletores de carga. A indústria de latas de alumínio é notável no seu grande aproveitamento de matéria-prima reciclada, tendo desenvolvido meios inovadores na coleta de latas descartadas.

Existem ainda outros setores da indústria nos quais o processo de gerenciamento da Logística Reversa é mais recente, como na indústria de eletrônicos, varejo e automobilística. Esses setores também têm de lidar com o fluxo de retorno de embalagens, de devolução de clientes ou do reaproveitamento de materiais para produção. Esse não é nenhum fenômeno novo e exemplos como o do uso de sucata na produção e reciclagem de vidro tem sido praticado há bastante tempo. Por outro lado, tem-se observado que o escopo e a escala das atividades de reciclagem e reaproveitamento de produtos e embalagens têm aumentado consideravelmente nos últimos anos.

As empresas incentivadas pelas Normas ISO 14000 e preocupadas com a gestão ambiental começaram a reciclar materiais e embalagens descartáveis, tais como: latas de alumínio, garrafas plásticas, caixas de papelão, entre outras, que, por sua vez, passaram a se destacar como matérias-primas e deixaram de ser tratadas como lixo. A logística reversa está presente no processo de reciclagem, uma vez que esses materiais retornam a diferentes centros produtivos em forma de matéria-prima.

Segundo LACERDA (2004), os processos de Logística Reversa têm trazido consideráveis retornos para as empresas. O reaproveitamento de materiais e a economia com embalagens retornáveis têm trazido ganhos que estimulam cada vez mais novas iniciativas e esforços em desenvolvimento e melhoria nos processos de Logística Reversa.

Dentre as definições de logística reversa esta a de. STOCK (1992:73), definição:

“Logística reversa: em uma perspectiva de logística de negócios, o termo refere-se ao papel da logística no retorno de produtos, redução na fonte, reciclagem, substituição de materiais, reuso de materiais, disposição de resíduos, reforma, reparação e remanufatura....”

De acordo com LACERDA (2004), os clientes valorizam as empresas que possuem políticas de retorno de produtos, pois isso garante-lhes o direito de devolução ou troca de produtos. Esse processo envolve uma estrutura para recebimento, classificação e expedição de produtos retornados, bem como um novo processo no caso de uma nova saída desse mesmo produto.

Dessa forma, empresas que possuem um processo de Logística Reversa bem gerido, tendem a se sobressair no mercado, uma vez que estas podem atender seus clientes de forma melhor e diferenciada de seus concorrentes. Preocupadas com questões ambientais as empresas estão cada vez mais acompanhando o ciclo de vida de seus produtos. Isso se torna cada vez mais claro quando se observa um crescimento considerável no número de empresas que trabalham com reciclagem de materiais.

Segundo GRIPPI (2001), o lixo é a matéria-prima fora de lugar. A forma com que uma sociedade trata seu lixo, dos velhos, dos meninos de rua e dos doentes atesta seu grau de civilização, o tratamento do lixo doméstico e industrial, alem de ser uma questão com implicações tecnológicas, é antes de tudo uma questão cultural.

É fundamental, porém, que a reciclagem seja percebida em toda sua complexidade, e não apenas como única e inquestionável alternativa. O principal enfoque da reciclagem como instrumento para combate à crise ambiental deve se dar muito menos do ponto de vista da mitigação do esgotamento de recursos, da ecomonia, de energia ou redução de inpactos; seu grande valor está no potencial de sensibilização e mobilização dos indivíduos e coletividades em relação à necessidade de desenvolver uma visão crítica dos processos de produção e consumo.

Segundo NETTO (2004), o Brasil é atualmente o país que possui o maior índice de reciclagem de embalagens de alumínio do mundo. De acordo com a Associação Brasileira de Alumínio (ABAL), 87% de todas as latas consumidas no período (cerca de 9 bilhões de unidades) foram reaproveitadas pela indústria, gerando faturamento de R$ 850 milhões e 152 mil empregos diretos e indiretos. A reciclagem proporcionou também economia de 1,7 mil Gigawatts hora/ano, correspondendo a 0,5% de toda a energia gerada no país e suficiente para abastecer a cidade de Campinas, com 1 milhão de habitantes.

Como exemplo da relevância da logística reversa, tem-se que no ano de 2000 o Brasil reciclou mais de 7,4 bilhões de latas de alumínio, que representa 111 mil toneladas. O material é recolhido e armazenado por uma rede de aproximadamente 2 mil sucateiros, responsáveis por 50% do suprimento de sucata de alumínio à indústria. Outra parte é recolhida por supermercados, escolas, empresas e entidades filantrópicas. O mercado brasileiro de sucata de latas de alumínio movimenta US$ 129 milhões por ano. As latas corresponderam a 82,3 mil das 182 mil toneladas de sucata de alumínio disponíveis para reciclagem em 1999. Com liga metálica mais pura, essa sucata volta em forma de lâminas à produção de latas ou é repassada para fundição de autopeças. Em 1999, o índice foi de 73%. Os números brasileiros superam países industrializados como Inglaterra e Alemanha (Reciclagem, 2002).

Apesar de sua recente história, a indústria do plástico é dos setores da economia que mais se desenvolveu nos últimos anos em todo o mundo. No Brasil, produção desse material apresenta números bastantes expressivos:

 Mais de 6 mil empresas transformadoras de plástico no mercado nacional.
 Faturamento global do setor de aproximadamente US$ 5 bilhões/ ano.
 Geração de 200 mil empregos diretos. ³


Diante da realidade do comércio mundial, onde uma das características básicas é o dinamismo, transformando o novo em ultrapassado num espaço de tempo relativamente curto, somado às crescentes exigências dos consumidores, assim como o acirramento da concorrência, a sobrevivência da empresa baseia-se na sua capacidade de atender todas essas exigências sem, no entanto, perder o foco no seu objeto principal, ou seja, na qualidade de seus produtos ou serviços sempre buscando, mais do que a satisfação de seus clientes.

Com a necessidade de encontrar estratégias eficazes muitas empresas acabaram por absorver uma gama de teorias administrativas que foram surgindo na tentativa de instrumentalizar às empresas para enfrentarem o novo contexto mercadológico, ao ponto de provocarem um desgaste tanto de seu pessoal quanto de seus clientes. Muitas vezes as novas teorias fracassaram por falta de conhecimento ou por pouco comprometimento de todos os setores da empresa.

No sucesso comprovado de algumas empresas outras tantas tentaram implantar a logística, no entanto, na falta ou pouco conhecimento sobre os fatores que implicam no processo logístico, recursos foram desperdiçados e o foco principal da empresa foi descaracterizado.

No caso da logística reversa, verifica-se que diante das ações que visam à preservação do meio ambiente, visando o desenvolvimento sustentável, o planejamento eficiente da mesma tornou-se fundamental não só para as empresas, mas também para a sociedade como um todo.

CONCLUSÃO

Pelo exposto, considera-se que a qualificação da Logística Reversa pode vir a contribuir de forma significativa para o incremento da reutilização de materiais recicláveis, mas com necessários esforços para o aumento de eficiência, com iniciativas para melhor estruturar tais sistemas de logística reversa.

A revalorização legal dos resíduos de pós-consumo, operacionalizada pela logística reversa, resolve o problema da destinação dos resíduos garantindo o seu retorno ao ciclo produtivo e de negócios e, ao mesmo tempo, obedece às legislações vigentes, além de considerar a obtenção de competitividade através da otimização dos recursos naturais, transformando resíduos em matéria-prima novamente.

De acordo com a afirmação de Leite (2003), empresas fabricantes de produtos que impactem negativamente o meio ambiente, serão, afetadas por legislações restritivas às suas operações e oneradas em custos que podem ser evitados, tendo também sua imagem corporativa prejudicada perante a sociedade. Este problema pode ser evitado se as empresas anteciparem-se e adotarem em suas operações a logística reversa. Esta pode ser viabilizada estabelecendo-se parcerias para constituir redes logísticas reversas, reaproveitando recursos existentes, projetando novos produtos que utilizem resíduos, agregando valor aos resíduos e comercializando-os no mercado secundário.

Conclui-se que a logística reversa proporciona vantagens competitivas para a organização tanto em termos financeiros, ao reduzir os custos com embalagens, como também fortalecendo sua marca ao implementar um projeto que respeita o meio-ambiente e procura um resultado sustentável.


REFERÊNCIAS

NETTO, R. M. Logística reversa: uma nova ferramenta de relacionamento.
In: www.guialogística.com.br. Acesso em 14 mai./2004.
STOCK, J. R & LAMBERT, D. M. Becoming a World Class Company with Logistics Service Quality. International Journal of Logistics Management, vol. 3, n. 7, 1992, pp. 73- 81.
LACERDA, L. Logística Reversa - uma visão sobre os conceitos básicos e as práticas operacionais. In: http://www.coppead.ufrj.br/pesquisa/cel/new/fr-ver.htm. Acesso em 04 Fev./2004.
___________ Reciclagem. In: http://www.reciclagem.com.br. Acesso em 10 mar./2004.
GRIPPI, S. Lixo, reciclagem e sua história – Guia para as prefeituras brasileiras. Edit. Interciência.
LEITE, Paulo Roberto. Logística reversa: meio ambiente e competitividade. São Paulo Prentice Hall, 2003.
Internet
http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2006_TR560372_8550.pdf
http://www.facef.br/rea/edicao07/ed07_art03.pdf
http://www.jotmi.org/index.php/GT/article/viewFile/cas2/47

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