O administrador do século XXI: quem é ele?

Em primeiro lugar, é preciso ter uma visão global, sistêmica

Conrado Adolpho,

Nesse início de ano cabe uma reflexão. Você já parou para pensar nas mudanças que ocorreram neste início de século XXI? De torres gêmeas e crise global, de iPhone a "We Can". Estamos vivendo uma era de transformações profundas e uma parte considerável de profissionais ainda não se deu conta disso, principalmente, gestores.

O papel de um gestor é sempre por demais atribulado - de controle de custos à criação de estratégias comerciais - um administrador é muitas vezes o último recurso. O "resolvedor de problemas" das mais diversas naturezas. Os problemas, porém, mudaram, juntamente com os tempos. Vamos tomar como exemplo o comércio. Se antes os problemas eram "como combateremos a liquidação do nosso concorrente da rua ao lado", hoje é "como vamos concorrer com um site chinês que vende nosso produto pela metade do nosso preço de custo", ou ainda "qual foi a taxa de conversão em vendas da loja da nossa estratégia de mídias sociais". Perguntas que ainda não circulam tanto pelos corredores quanto deveriam.

Imagem: ThinkStock


O administrador do século XXI deve ser um profissional global que passeia entre as ciências humanas e as ciências exatas com igual maestria. Não existe mais administração local, simplesmente porque o "global" invade nossos lares e empresas a todo momento. Eu, como administrador da minha carreira e dos meus negócios, tenho refletido muito sobre as competências necessárias para esse novo papel da administração e vou listar abaixo algumas características necessárias a esse novo administrador em um século digital.

Em primeiro lugar, como disse, o administrador do século XXI deve ter uma visão global, sistêmica. Deve ser um integrador por excelência, acima de qualquer outra coisa. Deve saber lidar com grande quantidade de dados e mensurações que a internet permite - o que pressupõe um domínio de Excel, leitura de gráficos e uma boa base de estatística - e deve saber lidar com pessoas. Apesar de muitos acharem que a internet é uma rede de computadores, ela é uma rede de pessoas.

Um administrador do século XXI é um eterno estudioso. A ciência do Management está mudando em função de tendências como gestão de conhecimento em larga escala, possibilidades de co-criação de produtos, iniciativas de construção de inteligência social, ações de inovação aberta e gamificação de processos. Palavras que há apenas poucos anos não pertenciam aos vocabulários de executivos, seja de que segmento fosse.

O gestor hoje em dia deve ter em mente que a governança não é um diferencial ou uma opção. É uma exigência da tecnologia que deixa tudo forçosamente às claras. É o fim das negociatas ou falta de transparência com o mercado.

Há um movimento crescente de mudança nas práticas de consumo acompanhado de preocupações cada vez maiores com a melhora da qualidade de vida da sociedade e do indivíduo. Nesse campo temos alguns movimentos como consumo compartilhado e principalmente sustentabilidade comunitária. É lógico que ainda estamos bem longe do ideal de sociedade justa e responsável, porém, estamos caminhando a passos largos, uma vez que estamos tomando consciência de que estamos nos aproximando do ponto sem volta.

A inversão do eixo econômico, antes EUA-Europa, agora China, Brasil, Índia, Russia é algo que deve ser profundamente conhecido dos gestores. A política implementada pelo líder chinês Deng Xiaoping no final da década de 70 fez surgir um gigante global do que poucos ainda dúvidam de sua força. O eixo EUA-Europa reina, mas já não governa. Entender essas mudanças na economia mundial é essencial para tomar decisões acertadas baseadas no presente, não no passado.

Podemos tirar como conclusão desse breve artigo que as mudanças pelas quais o mundo está passando são algumas das mais significativas dos últimos séculos, só suplantada, talvez, pela revolução industrial. Em um mundo em mudanças, alguns se agarram aos velhos conceitos e naufragam diante da inovação, outros se arriscam em um mundo desconhecido, mas cheios de oportunidades. Cabe a você decidir em que time você estará.

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