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O Brasil, nossa sensibilidade econômica e a rasteira dada pela China - A perda da sofisticação produtiva brasileira.

A China passou a rasteira no Brasil. Graças ao avanço chinês, houve a regressão da economia brasileira. Com seus produtos de custos baixíssimos e produção em escalas até então jamais vistas, nossas indústrias perderam o próprio mercado interno, perderam competitividade e sofisticação industrial. Deixamos de produzir valor em nossas indústrias para sermos meros especialistas em produção de commodities com pouca ou nenhuma complexidade industrial.Nos tornamos meros especialistas em produção primária.

     A China passou a rasteira no Brasil. Graças ao avanço chinês, houve a regressão econômica brasileira. Não que isso tenha sido premeditado, mas a história econômica de cada um desses dois países, conseguirá dar as devidas explicações do porquê isso ocorreu.

     O Brasil, nos anos 70, 80, e até meados dos anos 90, caminhava num caminho de sofisticação produtiva, ou seja, a economia brasileira iniciava um processo de identificação com o desenvolvimento industrial. A indústria nacional dominava o mercado doméstico, bem como mantinha e escalava com eficiência na competitividade mundial. 

     Do período seguinte, até os dias atuais, a curva do gráfico que demonstra o crescimento da complexidade industrial brasileira entrou em queda, e encontra-se em declínio desde então, apresentando hoje, índices comparados à 1965, período inicial do marco de desenvolvimento destas mesmas indústrias e do advento destas ao mercado internacional.

     A partir deste ocorrido histórico, não dá para falar de perda da sofisticação produtiva sem falar da China. De fato, a China suplantou as indústrias brasileiras, tanto no mercado interno, vindo para o ocidente com seus produtos com custos excepcionalmente baixos e escalas de produção até então nunca vistas; quanto na exportação, onde nossas indústrias tiveram suas maiores perdas de competitividade.

     De meados dos anos 90 para cá, a competitividade brasileira perdeu força, e fomos, facilmente, engolidos pelos produtos made in China.

  Praticamente tudo o que produzíamos com eficiência nos anos 90 e era comercializado no mercado interno, passou a ser produzido com mais eficiência pelos chineses.

    Consumimos de plásticos a itens de alta complexidade industrial, tudo, importado da China. À economia brasileira, sobrou tornar-se seus maiores fornecedores de ferro e grãos, com pouca ou nenhuma complexidade industrial.

     Nossas indústrias foram desmontadas pelos chineses, passando a rasteira de forma tão astuta, que nem percebemos que em pouco mais de 20 anos, deixamos todo nosso complexo industrial que começava a se fundamentar e nos tornamos meros especialistas em produção e exportação de commodities, especialmente minério de ferro e soja. Tudo isso aguçado pelo bomm de preços destas commodities provocadas pela própria China, onde o ferro saiu de $20 dólares a tonelada, ultrapassando os $200 dólares. A justificativa: em apenas 3 anos (de 2011 a 2013), a China utilizou mais concreto do que os EUA nos útimos 100 anos.

     Enquanto o Brasil caia sob os joelhos, a China surgia onipotente, estimulada, por sua larga escala na construção civil, e por todos os processos de produção industriais que este complexo demandava, passou de indústrias relativamente simples para processos industriais cada vez mais sofisticados e complexos. Da arte da engenharia aos equipamentos e máquinas utilizadas na construção civil, tudo desenvolvido e fabricado por eles.

     Perdemos a complexidade de nossas indústrias ludibriados pelo apelo chinês de que poderíamos desenvolver nossa economia baseados no complexo produtivo da extração de recursos naturais e do agronegócio. Demandas estas, altamente requeridas pelos chineses.

     Nas duas últimas décadas, de fato, as commodities brasileiras, são o que regem o mercado exportador brasileiro, que movimenta, incentiva e se torna essencial à nossa economia.

     No entanto, uma nação rica e próspera é marcada por desenvolver-se nos mais variados complexos produtivos, especialmente sofisticando sua indústria, num processo contínuo de criação de valor.

     O vasto complexo do minério de ferro e do agronegócio são importantíssimos para a economia brasileira, são as engrenagens mais firmes, mas que pertencem à uma carruagem que perde velocidade. O Brasil estagnou-se em desenvolvimento e criação de riquezas. Reduzimo-nos a meros especialistas na produção de commodities.

    Alguém pode pensar nesse momento, que outros países, considerados ricos, possuem também fortes complexos de produção nestas mesmas commodities, como EUA, Alemanha e até a França. A diferença, é que estes possuem também outros complexos produtivos industriais que auxiliam na aceleração do desenvolvimento, a chamada sofisticação industrial, geralmente agregada ao complexo de produção primária.

     Não podemos afirmar o mesmo do Brasil, justo ao contrário, nas duas últimas décadas, sofremos com a regressão de nossa indústria. Desenvolvemos sim, e muito, o complexo do minério de ferro e do agronegócio. Produzimos praticamente 1/3 da soja consumida no mundo, mas ainda importamos insumos, máquinas, equipamentos e tecnologia para tal. Não temos agroindústrias pujantes o suficiente que consigam agregar a complexidade industrial necessária para deixarmos de ser exportadores de produtos primários. Ou seja, não cercamos este importante complexo produtivo com outros complexos industrias de criação de valor.

     Não sofisticamos o que exportamos e não possuímos encadeamento suficiente para a sofisticação industrial necessária ao desenvolvimento econômico observados pelas nações consideradas ricas.

     A solução? Observar os que sabem fazer e fazer igual. Se perdemos competitividade nos últimos 20 anos, não será de imediato a reconquista deste espaço. Pagaremos um preço alto por essa perda, que ainda gerará muitos lucros à economia chinesa.

*Texto baseado nas aulas do Prof Paulo Gala.

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