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O novo perfil do administrador frente a Responsabilidade Social das empresas.

Marcos Sovinski,
A Responsabilidade Social das empresas. Argumentar contra a responsabilidade social das empresas é ir de encontro a uma nova tendência mundial nas relações entre empresas e consumidores de produtos e/ou serviços. A nova ordem econômica mundial exige dos administradores o conhecimento desta realidade e o mercado consumidor, principalmente dos países desenvolvidos, têm se tornado cada vez mais exigente quanto à responsabilidade das empresas se posicionarem eticamente no mercado. Empresas que massacram seus funcionários, que desrespeitam a opinião pública, ou que agridem o meio ambiente, apresentam em sua estrutura organizacional a obsessão pelo crescimento econômico, o qual ainda que seja o princípio norteador das atividades executivas, carece de sustentabilidade a longo prazo na medida em que não se busca o interesse do consumidor e sim apenas unilateralmente o interesse da organização. Os argumentos contra estão praticamente sendo extintos pelo fortalecimento da tendência mundial pela preservação do meio ambiente e pela responsabilidade social das empresas para com seus funcionários e sua comunidade. Argumentam alguns que tudo não passa de um movimento passageiro de preocupação com o meio ambiente e com direitos humanos, e que os custos para se adequar a este novo cenário, podem ser elevados demais, reduzindo drasticamente a margem de lucro do capital investido, em algo que pode se transformar apenas em um movimento passageiro. No estabelecimento de cenários altamente competitivos para planejamentos de longo prazo, é imprescindível abordar os aspectos ambientais no processo decisório, pois o mercado consumidor internacional tem se mostrado consciente de que as empresas que agridem o meio ambiente direta ou indiretamente violam legislações, princípios éticos e morais, pois além de contribuírem para a degradação ambiental, prejudicam o futuro do planeta, e de suas próprias fontes de recursos. Ainda que o administrador não tenha esta preocupação de promover desenvolvimento social e sim, puramente crescimento econômico, deve-o pautar-se para a sua reserva de recursos naturais, recursos hídricos, enfim, seus recursos ambientais, pois o futuro de sua empresa depende diretamente da qualidade de vida do mercado consumidor. Empresas que possuem um posicionamento bem definido com relação à sua responsabilidade social, tem obtido resultados animadores, pela melhoria na imagem de seus produtos com responsabilidade ambiental. Vários argumentos em prol da gestão ambiental podem ser propostos: - A gestão ambiental e responsabilidade social das empresas contribuem para a melhoria da qualidade dos produtos, na medida em que seus produtos estarão indo de encontro às expectativas da nova tendência do mercado consumidor; e para tanto se faz necessário que o gestor compreenda o novo perfil do consumidor ecologicamente correto; - Em se tratando de economias abertas e mercado globalizado, cresce a necessidade da gestão ambiental e responsabilidade social nas empresas, como diferencial para o aumento da competitividade das exportações; empresas sejam elas pequenas, médias ou grandes, precisam estar atentas ao mercado internacional, pois se ainda não o conquistaram, certamente já estão pensando no assunto; - Novos segmentos de mercado afloram atualmente, os quais têm demonstrado uma preocupação maior com a preservação do meio ambiente e com as práticas sociais das empresas para com seus funcionários; além é claro de exigências legais que atuam como elementos de pressão sobre as empresas, para que respeitem os direitos legais de seus funcionários, bem como tenham participação mais efetiva e responsável na questão ambiental; - A comunidade internacional tem exercido papel importante enquanto organismo de pressão sobre os empresários e nações que não tem preocupação ambiental, e tal pressão se manifesta de maneira mais aberta com a crescente atuação dos organismos não governamentais que militam na área do meio ambiente; esses movimentos têm crescido em todos os países, e no caso do Brasil, essa tendência não é diferente; - Indiscutível a participação da gestão ambiental na melhoria da imagem institucional da empresa, pois seria um desastre econômico a associação do nome da empresa a um desastre ambiental. Para consumidores ecologicamente esclarecidos, os novos administradores precisam estar preparados para este novo mercado consumidor. O novo perfil do Administrador. Jean Bartoli, teólogo e economista, professor da FGV nos expõe uma visão crítica a respeito dos modelos corporativos, os quais, em sua avaliação, tolhem e inibem a consciência crítica dos administradores e executivos, pois se desinteressam pelo ato de pensar na medida em que se valem de modelos prontos. Ainda que, sejam comentários advindos de renomado consultor e ex-padre, o qual associa gestão e religião, é preciso compreender que as empresas são organismos vivos, que tem em seu ambiente a necessidade de sobrevivência configurada pela competitividade, de tal forma que, em não sendo competitiva a empresa, esta estaria caminhando para sua mortalidade, pois optou por um modelo de mercado extremamente competitivo, a saber, o mercado globalizado. O administrador responsável pelo direcionamento dos objetivos empresariais no mundo globalizado precisa antes de qualquer coisa, ter a consciência do poder de influência do mercado consumidor, nas decisões empresariais. Este mesmo mercado tem se mostrado vigilante quanto a postura ética e responsável das empresas. Pesquisas do setor da indústria apontam para uma maior tolerância do consumidor, em adquirir produtos mais caros que tenham em sua cadeia de produção, preocupação com questões ambientais. Na visão de especialistas em recrutamento, os executivos brasileiros têm apresentado melhor desempenho no mercado em relação a expatriados das multinacionais, principalmente pela sua capacidade de apresentar bons resultados no gerenciamento de pessoas e sua flexibilidade e criatividade em momentos de crise. O administrador voltado para estas questões, terá maior facilidade de colocação no mercado, pois à medida que o mercado de trabalho brasileiro vem se tornando mais competitivo, cresce a importância de trabalhos de gestão que favoreçam a boa relação do capital x trabalho. Segundo Renato Cantarelli, brasileiro, CEO, presidente da Unileiver no Chile, os executivos brasileiros dificilmente perdem o controle da situação, e o mercado exige uma rápida capacidade de adaptação, com tomada de decisões e entrega de resultados em momentos de turbulência na economia. Destaca ainda a necessidade do administrador estar se aperfeiçoando e se especializando constantemente. As qualidades inerentes ao administrador do futuro, além daquelas ditas tradicionais (competência, liderança, organização, flexibilidade, etc) na visão do Professor Antonio Cesar Galhardi da UNICID, passam pela necessidade do gestor estar conquistando a confiança e o carisma da comunidade onde atua, principalmente em questões de cunho ambiental e social; compete ainda ao futurista, a sabedoria em potencializar a criatividade de uma equipe, donde discordamos do consultor Jean Bartoli, pois os modelos de gestão de pessoas podem facilitar em muito a atuação dos profissionais da administração; destacamos a facilidade de comunicação em idiomas globalizados (inglês e espanhol) e o bom relacionamento com executivos de outras empresas e até mesmo concorrentes, como características marcantes ao administrador do futuro, pois seu comportamento ético leva ao compartilhamento de seus conhecimentos dentro e fora da empresa. Para o Professor Galhardi, a visão futurista do administrador deve focar a postura ética da empresa. Outro ponto que gostaríamos de acrescentar ao perfil do administrador do futuro, é a capacidade do mesmo em ser ambicioso sem ser ganancioso, pois o liame entre estes dois estados é tênue, e em não havendo limites pessoais ou empresariais, a ambição tende para a ganância a qualquer custo, neste caso, a falta de ética e responsabilidade social. Eugênio Mussak, consultor da Sapiens Sapiens de São Paulo, alerta que "a ambição mantém a energia necessária para que a pessoas toquem seus projetos" e que a ambição sem controle conduz à falta de ética. Temos acompanho pela imprensa o imenso mar de lama que se tornou o plano político do país, em que a ganância levou boa parte de nossos políticos a se envolverem em inúmeras falcatruas. Nas empresas isto ocorre da mesma forma, pois nos principais casos de fraudes financeiras vemos administradores gananciosos operando recursos da empresa para benefício próprio, lesando terceiros e a própria empresa. Para Mário Sérgio Cortella, filósofo e consultor paulistano, o problema da ambição é quando ela dá lugar à ganância, e sempre haverá um infrator ganancioso envolvido em fraudes. Segundo o próprio Cortella, um profissional ambicioso faz o conjunto crescer, já o ganancioso restringe a evolução dos demais, pois quer tudo para si. Na visão de Takeshy Tashisawa, em sua obra Gestão Ambiental e Responsabilidade Social Corporativa, a responsabilidade social está se transformando num parâmetro, e referencial de excelência, para o mundo dos negócios e para todo o Brasil corporativo. Compreendemos que o administrador do futuro precisa ter uma boa leitura das modificações que estão ocorrendo nas organizações e nos padrões de consumo de produtos e serviços. Takeshy esclarece ainda que as barreiras estão sendo desmanteladas na realidade política e econômica, transformando as organizações do futuro em sistemas cada vez mais abertos, exigindo desta forma um reposicionamento dos profissionais, pela flexibilidade dos processos, do mercado de trabalho e do mercado consumidor. O perfil do consumidor do futuro irá nortear o perfil do administrador do futuro, pois aquele passará a privilegiar não apenas preço e qualidade dos produtos, mas, principalmente, como Takeshy nos ensina, o comportamento social das empresas fabricantes destes produtos e/ou serviços. Na medida que as empresas estão ficando cada vez mais abertas, o administrador do futuro que quiser sobreviver neste cenário deve acima de todos os requisitos e características inerentes ao gestor e líder, deve se posicionar de forma ética e responsável, não apenas para seu consumidor em potencial, mas perante toda a comunidade nacional e internacional. Palavras-chave: responsabilidade social, gestão ambiental, ética, administrador do futuro. Referências TASHIZAWA, Takeshy. Gestão ambiental e responsabilidade social corporativa: estratégias de negócios focadas na realidade brasileira. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2005. VOCÊ S/A. São Paulo: Abril, ed.93, 2006.
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