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Sociedade civil: uma nova meta política internacional

As antigas políticas, prioridades e critérios não têm sentido agora, quando não mais existe um inimigo público. Mas há uma nova política, uma nova prioridade, uma nova necessidade: a promoção da sociedade civil como meta política internacional

A sociedade civil pode ser exportada? A única figura pública nas democracias que até agora formulou esta pergunta respondeu com um “sim”. Quando Jimmy Carter, então Presidente dos Estados Unidos, fez do estabelecimento dos direitos humanos uma meta da política americana e um pré-requisito para a concessão de ajuda, na verdade proclamou a promoção da sociedade civil, como meta da política externa, à paridade com a meta militar e política de contenção do comunismo. Carter foi ridicularizado como sonhador. Vinte anos mais tarde pode-se considerá-lo o realista; sonhadores eram aqueles que acreditavam na eficácia do livre mercado. Mas Carter não conseguiu fazer com que um só país aceitasse os direitos humanos, nem convencer o público nos países democráticos da sabedoria das suas prioridades. Mas vivia-se então no auge da guerra fria – e, em qualquer guerra, a vitória sempre vem primeiro; pensar na paz é perigoso e subversivo. Hoje, as democracias têm de reconsiderar suas posições: para conquistar a paz no mundo de hoje, elas precisam estabelecer a sociedade civil como uma meta política delas próprias. Caso contrário, a incapacidade do livre mercado para cumprir suas promessas econômicas, em especial nos antigos países comunistas, poderá destruir a credibilidade da liberdade e colocar novamente em risco a paz mundial.


No mínimo, os governos terão de aprender que é inútil, insensato e, previsivelmente, um desperdício de dinheiro, investir num país – seja atrave´s de um empréstimo do Banco Mundial (Bird), ou de um crédito de estabilização - , a não ser que este esabeleça um sistema legal realmente independente e eficaz. Caso contrário, o dinheiro somente tronará ricas as pessoas erradas: chefes políticos, generais e exploradores, empobrecendo o país ao invés de enriquecê-lo. A mesma lição precisa se aprendida pelas empresas: investir num país como a Rússia ou a China de hoje – as quais nem começaram a construir sues sistemas legais – significa, quese que certamente, perder dinheiro e depressa. A experiência das últimas décadas é cristalina: o livre mercado não prosuzirá uma economia atuante e em crescimento, a mesno que seja implantado numa sociedade civil atuante, com os direitos humanos sendo um requisito mínimo.


É comum dizerem hoje que as democracias se desorientam com o colapso do comunismo soviético. Elas não têm mais uma política, prioridades nem critérios a respeito do que fazer ou não. As antigas políticas, prioridades e critérios não têm sentido agora, quando não mais existe um inimigo público. Mas há uma nova política, uma nova prioridade, uma nova necessidade: a promoção da sociedade civil como meta política internacional. Ela não é uma panaceia, nem o fim da história, tampouco garante a democracia e nem mesmo a paz. Porém, é um pré-requisito para ambas e também para o desenvolvimento econômico. Somente fazendo da sociedade civil sua meta mundial é que as democracias conquistarão a paz. Outras informações sobre o tema podem ser obtidas no livro Administrando em tempos de grandes mundanças de autoria de Peter F. Drucker.

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Tags: civil comunismo drucker gama inimigo internacional meta política público sociedade

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