Soluções que pioram os problemas: governos são especialistas nessa arte

Governo quer acabar com parcelamento sem juros no cartão

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Se eu for enumerar aqui as medidas adotados por governos para resolver problemas e acabaram piorando a situação vão ser necessárias mais páginas que a Wikipedia para dar conta de tudo. Governos são especialistas na arte de criar “mirabolâncias” e apresentá-las como fórmulas mágicas para problemas que, obviamente, não conseguem resolver e, na maioria dos casos, os agravam. Isso vai de casos “mais simples”, como foi o plano de Fernando Collor de Melo para tirar nossa economia da lama (como confiscar poupanças), passando por algumas políticas de austeridade da Europa (que mantiveram as economias moribundas e pioraram a situação financeira dos cidadãos) até o holocausto nazista (Hitler achava que exterminar os judeus do mapa resolveria todos os problemas da Alemanha).

Pois eis que no Brasil o governo Temer (e é importante dizer que o de Dilma também previa algumas ações semelhantes) resolveu entrar na onda há um tempo. As medidas previstas na reforça da Previdência, por exemplo, podem gerar um efeito inversos ao esperado, criando problemas para o próprio governo. Veja bem: contribuir para o INSS ficará ainda menos interessante do que é. Hoje já é um péssimo negócio, mas a falta de educação financeira da população encobre esse engodo. As mudanças, além de criarem um cenário mais assustador para quem contribui, chamaram atenção para os problemas do modelo. O resultado inevitável será muita gente preferindo a informalidade, principalmente quem está mais perto da idade de se aposentar, não tem emprego formal e contribui voluntariamente para a Previdência com o objetivo de se retirar em breve. Ao verem que o prazo para conseguirem retorno ficará ainda mais distante, desistirão.

Esse tema acima, no entanto, é complexo e muito provavelmente alguns de vocês chegaram aqui com argumentos que refutam o que digo. Reconheço que não sou especialista em finanças e peço que sintam-se à vontade para comentar. Até porque esse foi apenas um passo para o ponto ao qual quero chegar, que – na minhã visão – não há o que se questionar: é uma mancada tenebrosa.

Há tempos o governo vem tentando mexer na forma como funciona o sistema de cartões de crédito no Brasil. Há poucos meses, chegou até a anunciar uma medida que poderia tirar do mercado o atual queridinho do setor, o Nubank, reduzindo drasticamente o prazo de repasse de valores para os lojistas. A novidade agora é ainda pior: o presidente do Banco Central declarou (ou pelo menos não refutou) em Davos que acabar com o parcelamento sem juros no cartão é uma possibilidade.

Para nós, consumidores, será terrível. E aí você pode pensar: o lobby do mercado tem força. Deve ser bom para os lojistas e nós consumidores que soframos as consequências. Mas, meus amigos, isso não é bom para ninguém. Nós temos hoje um modelo consolidado, que funciona, está dando certo. É graças à possibilidade de parcelar sem juros que muita gente compra. Sem isso, as pessoas vão comprar menos. Sem contar que cada estabelecimento define sua capacidade de crédito e estipula em quanto pode parcelar um produto. O governo não tem que meter o bedelho nisso.

A justificativa é tentar reduzir os juros pagos pelos inadimplentes e por quem usa crédito rotativo do cartão. Ou seja: em vez de criar mecanismos de educação financeira, para as pessoas não precisarem usar esse crédito selvagem (que cobra juros de até 500% ao ano), vai colocar mais juros na conta. Confesso que ainda não entendi como cobrar mais juros poderá fazer os juros caírem.

Fiquem atentos.

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