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Teoria Econômica Básica, aplicada ao estudo da Administração.

Leonardo Rodrigues,
Teoria Econômica Básica, aplicada ao estudo da Administração. LEONARDO RODRIGUES FERREIRA Administrador, Especialista em Administração Financeira – UPE, Vice-Coordenador do Curso de Administração da SOPECE. RESUMO Este artigo irá avaliar a importância da teoria econômica, aplicada ao estudo da administração, como elemento que fornece a base sustentável e informações para o conhecimento da gestão empresarial. Portanto, o objetivo é evidenciar alguns dos mais recentes métodos propostos pela economia para entender o comportamento do mercado e do consumidor, enfatizando a importância da disciplina aplicada a administração. Definições de Economia: Economia é a ciência social que se ocupa da administração dos recursos (escassos) para atender as necessidades humanas (ilimitadas). Apartir destas definições surgem dois princípios básicos da Teoria Econômica:  Principio da escassez: Os recursos são sempre escassos.  Princípio das necessidades ilimitadas: As necessidades sociais e humanas são ilimitadas. Segundo James R. Mcguigan (Economia das Empresas, 2002, p.4) A economia das empresas lida com a aplicação do raciocínio microeconômico a problemas de tomada de decisões do mundo real enfrentados por instituições públicas, privadas e sem fins lucrativos. O campo da economia de empresas tem experimentado um crescimento que reflete uma constatação de que analistas, membros do conselho de administração e gerentes graduados podem valer-se da teoria econômica para tomar decisões coerentes com as metas da organização. A economia de empresas aproveita, da teoria microeconômica, aqueles conceitos e técnicas que permitem ao decisor selecionar a direção estratégica, alocar eficientemente os recursos da organização e reagir eficazmente aos problemas táticos. As ferramentas da economia de empresas podem ser aplicadas por gerentes de empresas com finalidade lucrativa e nos setores público e sem fins lucrativos da economia, porque gerentes em todos os tipos de entidades enfrentam um conjunto de problemas comuns. Metodologia da Economia: A ciência econômica parte de uma análise do problema com o objetivo de propor soluções (políticas) de forma a maximizar o bem estar da sociedade e de seus agentes econômicos. Análise Econômica: Explica o que deve ser feita, correção de rumo para a economia. A metodologia utilizada (exemplos): * Simplificação: (coeteris paribus) – como a realidade é muito complexa e envolve milhares de variáveis, a economia procura se concentrar apenas nas variáveis mais importantes e freqüentemente utiliza a hipótese de (coeteris paribus), isto é, de análise parcial, considerando “paradas as demais variáveis”. Microeconomia e Macroeconomia Segundo James R. Mcguigan (Economia das Empresas, 2002, p.4) Tradicionalmente, a economia se divide em microeconomia e macroeconomia. A microeconômica se preocupa com o estudo das unidades econômicas (agentes econômicos) tomadas isoladamente (um consumidor, uma firma, etc.), bem como o resultado das ações individuais para configuração dos mercados (oferta individual e de mercado, demanda individual e de mercado, tipos e estruturas de mercado, falhas de mercado, etc). A macroeconomia se preocupa com variáveis agregadas (por exemplo, qual o produto interno bruto, a Renda nacional, a Demanda Efetiva, o nível de emprego, o problema da inflação, etc.) Os economistas de empresas apóiam-se em ambos os ramos da economia durante o processo de tomada de decisão. Embora os dirigentes de uma empresa possam fazer pouco para modificar a economia agregada, suas decisões devem ser coerentes com a perspectiva econômica do momento. Os tipos de decisões tomadas por gerentes normalmente envolvem questões de alocação de recursos no âmbito da organização a curto e em longo prazo. Um gerente pode estar interessado, a curto prazo, na estimativa da demanda e nos relacionamentos de custo a fim de tomar decisões sobre que preço cobrar por um produto e a quantidade a ser produzida. As áreas da microeconomia que lidam com a teoria da demanda e a teoria do custo e da produção obviamente são úteis para a tomada de decisão que envolve tais assuntos. A teoria macroeconômica também participa da tomada de decisão quando um gerente tenta prever a demanda futura baseando-se em forças que influenciam toda a economia. Conceitos Introdutórios Segundo RIBENBOIM, em sua Apostila aplicada a disciplina Desenvolvimento Sustentável do Curso de Mestrado em Administração e Desenvolvimento Rural – UFRPE, 2005. Bens Econômicos e Bens Livres: Objetos materiais e serviços têm a propriedade de satisfazer desejos humanos (utilidade) são chamados de bens. (ou bens e serviços). Se houver em abundância tal que seu preço seja zero, estes bens são chamados de bens livres. “Se houver escassez, são chamados de bens econômicos”. Alguns bens possuem desutilidade para o homem e são chamados de males (Ex: lixo, poluição). Tipos de Bens:  Quanto à destinação: bens de consumo e bens de produção (estes se dividindo em bens intermediários e bens de capital);  Quanto à durabilidade: bens de consumo imediato, bens semiduráveis e duráveis;  Quanto à elasticidade: renda da demanda: Bens normais, superiores ou inferiores;  Quanto à necessidade: Bens necessários e bens de luxo ou supérfluos. Bens: Bens Normais: São aqueles cuja demanda (procura) aumenta se a renda aumentar. Ex: filé, quando as pessoas passam a ganhar mais é comum que desejem comer mais filé. Os bens normais podem ser do tipo bem de primeira necessidade ou bens supérfluos. A definição formal destes tipos de bens requer o conceito de elasticidade, mas podemos adiantar que: Bens supérfluos ou de luxo: São, em geral, bens com elasticidade renda da demanda bastante alta. Isto quer dizer que quando a renda do individuo aumenta, a demanda por estes bens aumenta de forma ainda maior. Bens de primeira necessidade: tem elasticidade –renda da demanda muito baixa, mas não negativa. Isto quer dizer que quando a renda do individuo aumenta, a demanda por estes bens aumenta, mas de forma mais atenuada. Bens Inferiores: São aqueles cuja demanda diminui quando a renda aumenta. Ex: carne de pescoço. Bens Substitutos: Dois bens são ditos substitutos, quando o consumo de um pode ser substituído, até certo ponto, pelo consumo do outro. Bens Complementares: São consumidos em proporções mais ou menos fixas. Por exemplo café e açúcar. Computador e impressora. Neste caso se o preço de um subir é provável quer a demanda pelo outro caia. Bens de Guiffen: Constituem a única exceção a lei da demanda (que afirma que quando o preço de uma mercadoria sobe a demanda por ela cai). Trata-se de um bem hipotético. Fatores de Produção São necessários para que se possa produzir alguma coisa. Os fatores de produção clássicos são T, K, L: Terra, Capital e Trabalho. De forma mais abrangente podem haver outros fatores de produção: recursos naturais, minérios, meio ambiente, mão-de-obra especializada e não-especializada, capital físico e humano, tecnologia, técnica administrativa, ambiente institucional, estabilidade civil e monetária etc. Sistema Econômico Conjunto de instituições e mercados onde se desenvolve a economia e onde os governos (setor público), os agentes econômicos (firmas e consumidores) e o setor externo interagem entre si. Elementos Básicos: Estoque de fatores, tecnologia, agentes econômicos (indivíduos e organizações/firmas, governo) etc. Os sistemas econômicos do mundo real sempre combinam, em maior ou menor grau, características típicas de economias de mercado (capitalistas) e de planificação centralizada (socialistas e comunistas). Hoje o debate político-econômico centra-se na necessidade ou não de uma maior ou menor presença (intervenção) do Estado na economia. Mercado Em uma economia de mercado, supõe-se a existência de agentes (firmas, indivíduos, governo e setor externo) dispostos a demandar e a ofertar bens e serviços. Entende-se por mercado, o espaço físico ou abstrato por onde transitam os produtos (mercadorias). Costuma-se dizer que o mercado tem dois “lados”: o lado da oferta e o lado da demanda. Os demandantes querem adquirir o produto dando alguma coisa em troca (geralmente, moeda) e os ofertantes querem entregar o produto recebendo alguma coisa em troca (geralmente, moeda). Dois princípios Básicos: O principio da otimização: indivíduos maximizam utilidade e firmas maximizam lucros (ou minimizam prejuízos). O principio do equilíbrio de mercado: Os preços se ajustam até que a demanda iguale a oferta (no longo prazo, despreza-se a formação de estoques). Estrutura de Mercados Competição Perfeita: Ocorre quando existem inúmeras firmas e consumidores ofertando e demandando o produto. Nenhum deles tem poder de alterar preços ou quantidades e não existem barreiras à entrada. As firmas são “prince takers”, isto é, conhecem o preço de mercado e decidem o quanto irão produzir. Os consumidores, por sua vez, conhecem os preços de mercado e decidem o quanto irão adquirir. Não há barreiras à entrada porque a tecnologia é relativamente simples, disponível e barata. A lucratividade no mercado de concorrência perfeita é relativamente baixa quando comparada a outros tipos de mercado. Monopólio Quanto há uma única firma (ou individuo) ofertando o produto e inúmeros demandantes. Neste caso, as firmas são “prince makers”, isto é, podem decidir o preço que será cobrado, visando a maximização de seus lucros. Lembre-se que se a firma aumenta o preço, diminui a quantidade vendida e vice-versa, se diminui o preço, aumenta a quantidade vendida. PS: Quando há um único demandante e vários ofertantes o mercado é chamado de monopsônio. PS: Monopolista discriminador de preços ocorre quando é possível diferenciar os diversos compradores, conhecendo-lhes os preços de reserva (o quanto estariam dispostos a pagar). Em empresas aéreas é freqüente diferenciar os preços das passagens para idosos, turistas, viajantes de negócio, crianças, jovens etc. Oligopólio Quando há umas poucas empresas ofertando o produto. No caso de apenas duas chama-se duopólio. As firmas, neste caso, podem ter um poder de mercado relativamente alto, modificando os preços e quantidades de equilíbrio e fazendo acordos com outras firmas ou formando cartéis. É uma estrutura de mercado comum em nossos dias. Concorrência Monopolista È um mercado onde a concorrência se dá por meio de marcas ou griffes. O produto é semelhante, porém diferenciado por meio de uma marca (por exemplo: Gillete, refrigerantes-Cola, roupas de grife). É como se cada empresa detivesse o monopólio de sua própria marca e a partir daí, competissem entre si. Atualmente é um tipo de mercado muito encontrado na rotina de compras dos indivíduos da classe média. O mercado de Trabalho, Salários e Emprego. O Mercado de Trabalho: No mercado de trabalho, as pessoas ofertam força de trabalho e as firma (e patrões) demandam força de trabalho. O equilíbrio se daria onde oferta e a demanda se igualam. Isto acontece para uma determinada taxa de salário. Excesso de Oferta e Excesso de Demanda Se os salários estiverem muitos altos (por algum motivo), isto é, acima do salário de equilíbrio, então haverá muita gente ofertando seu trabalho e pouca firma querendo contratar (haverá excesso de oferta e, conseqüentemente, desemprego involuntário). Se, por outro lado, os salários estiverem muito baixos, isto é, abaixo do salário de equilíbrio, as firmas vão querer contratar muita gente, mas poucos estarão ofertando sua força de trabalho, o que implicará em vagas não preenchidas. No salário de equilíbrio, a oferta e a demanda são iguais, isto é: o número de pessoas dispostas a trabalhar é igual ao número de vagas que as firmas abrem. Segmentação do mercado de Trabalho No mundo real não existe um único mercado de trabalho, mas uma infinidade deles. Por exemplo: Mercados de Trabalhos especializados,m mercados pra trabalhadores em qualificação formal, mercados de trabalho para professores, etc. O modelo de tomada de decisão Segundo James R. Mcguigan (Economia das Empresas, 2002, p.4) A capacidade para tomar boas decisões é a chave para um desempenho gerencial bem-sucedido. Os dirigentes de empresas com fins lucrativos se defrontam com uma ampla gama de decisões importantes nas áreas de precificação, escolha do produto, controle de custos, propaganda, investimentos de capital e política de dividendos, para mencionar apenas algumas. Os gerentes que atuam nos setores público e de entidades sem fins lucrativos se defrontam com uma gama similarmente ampla de decisões. Conclusão “O novo rumo da economia encontra-se fundamentado em idéias. Profundas modificações na estrutura e na administração das empresas serão essenciais para sobrevivência”.(ANTUNES, 2000). O conceito de teoria econômica apresentado neste relatório, busca levar ao conhecimento dos estudantes de administração a importância da economia para o entendimento do comportamento do mercado e do consumidor os quais irão produzir benefícios a médio e a logo prazo para as organizações. Em suma, as informações contidas neste relatório serão relevantes para os estudantes de administração, pois poderão identificar e orientar de forma cientifica diversos problemas rotineiros das organizações. Bibliografia MCGUIGAN, James R., MOYER, R. Chalés, HARRIS, Frederick H. de B.. Economia das Empresas: Aplicações, Estratégia e Táticas. Tradução da 9º edição norte americana. Thomson, 2002. ANTUNES, Maria Thereza Pompa. Capital Intelectual. São Paulo: Atlas, 2000. RIBENBOIM, Jaques. Apostila aplicada a disciplina Desenvolvimento Sustentável do Curso de Mestrado em Administração e Desenvolvimento Rural – UFRPE. 2005. COSTA, Marcos Roberto Nunes. Manual para Elaboração e Apresentação de Trabalhos Acadêmicos: Monografias, Dissertações e Teses. 4 ed. Rev. Recife: INSAF, 2004.
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