VANTAGENS E BENEFÍCIOS DA TERCEIRIZAÇÃO

Franco Kaolu,
A terceirização (outsourcing em inglês) não é uma idéia nova. O conceito de
transferir para fora da empresa parte de seu processo produtivo se consolidou
durante a Segunda Guerra Mundial, quando as indústrias de armamento passaram a
buscar parceiros externos para aumentar sua capacidade de produção. Até então, as
empresas viam como uma grande virtude a verticalização do sistema de produção,
ou seja, a incorporação de outras etapas de um mesmo processo de fabricação.

A maioria das organizações fazia praticamente tudo dentro de casa. Quanto menos
dependesse de terceiros, melhor. De certa maneira, não era um posicionamento
errado já queas comunicações eram complicadas. Além disso, não havia muitas
garantias contratuais no relacionamento com terceiros.

Os tempos mudaram e a idéia de dividir entre vários fornecedores a responsabilidade
pelas diferentes fases de uma operação acabou se tornando uma realidade para
muitas empresas, que passaram a terceirizar diferentes áreas da companhia.

No entanto, é preciso lembrar que a terceirização não é meramente uma
subcontratação. Tem características diferentes: métricas de aferição contratual,
exigências de qualidade e parâmetros de preços. Com isso, as empresas passaram a
perceber que, mesmo na área de tecnologia, havia funções mais longe do coração do
seu negócio (o chamado core business) que também podiam ser terceirizadas.

São funções periféricas ao centro da atividade principal da empresa, por exemplo, a
operação da infra-estrutura de tecnologia, a parte de suporte técnico, a manutenção
dos computadores, etc. Diante das transformações no mundo da tecnologia, foi o
pulo do gato: ter um prestador de serviços que entende e vive como ninguém as
mudanças do cenário da informática e das telecomunicações pode significar,
certamente, alguma vantagem em termos de competitividade
No Brasil, a terceirização, entendida como a tendência de transferir para terceiros as
atividades que não fazem parte do negócio principal da empresa, começou a ganhar
corpo há mais de 30 anos. Na área de Tecnologia da Informação (TI), na verdade,
está presente desde os tempos do reinado do mainframe (grandes computadores) e
da “reserva de mercado” para o setor de informática, estabelecida durante o regime
militar, instaurado em 1964. A idéia dos governantes da época era limitar
drasticamente a competição estrangeira no setor como forma de promover o
desenvolvimento econômico e tecnológico da nascente indústria de TI nacional
Nos anos 60 e 70, o acesso aos mainframes, portanto, era extremamente contido.
Os fabricantes brasileiros não tinham escala para fabricação e os custos de produção
eram elevadíssimos. Para adquirir os grandes equipamentos para processamento de
dados, as empresas instaladas no país precisavam da aprovação do governo para
importar. Resultado: dificuldades de acesso à tecnologia avançada e automação
interna de atividades administrativas longe do alcance de muitas empresas.

Esse cenário propiciou a primeira grande onda de terceirização no Brasil. Surgiram
os chamados “birôs de informática”, que passaram a fornecer serviços terceirizados
de TI. Foi o que deu escala e justificou a importação dos computadores de grande
porte fabricados pela IBM, a então Burroughs (hoje Unisys), Hitachi e Fujitsu, entre
outras.

Os birôs de serviços eram empresas que tinham infra-estrutura capaz de importar e
oferecer tecnologia para processamento de dados. Nas décadas de 70 e 80, eles
foram importantes para reduzir os elevados custos que as empresas tinham para
construir centros de processamento de dados próprios.

Um dos primeiros serviços de terceirização criado no país aconteceu na área de
recursos humanos, com o processamento da folha de pagamentos e benefícios.
Milhões de trabalhadores passaram a receber seus demonstrativos de pagamentos
processados pelos birôs, com qualidade e no prazo.

Vantagens e Benefícios da Terceirização

O que as empresas mais procuram é redução de custos, certamente, mas a maioria
pretende também diminuir os investimentos exigidos para acompanhar a evolução
tecnológica.

O ROI – retorno sobre o investimento –, ou seja, a renda que um investimento
proporciona em determinado período de tempo, é a principal vantagem apontada
pelas empresas que adotam os serviços de terceirização. É a maneira mais fácil de
mostrar a verdadeira transformação que ocorre num processo de terceirização – a
mudança de custos fixos elevados para custos variáveis baixos.

Os provedores de serviços sabem fazer isso. Eles dispõem de ferramentas de prova,
propostas de valor, formas de levantar dados da situação do cliente com base em
informações fornecidas por eles mesmos, – que levam os usuários dos serviços a se
sentirem mais seguros e confortáveis nos projetos que adotam.

O TCO – Total Cost of Ownership – desenvolvido pelo Instituto Gartner, é uma das
metodologias mais conhecidas no mundo. Praticamente se tornou sinônimo de
medição. O termo inclusive chega a ser usado indevidamente em algumas ocasiões.
Com muita freqüência, as pessoas dizem que o TCO de determinado ativo foi de tal
valor, quando na verdade utilizaram a metodologia do Instituto Gartner para a
referida medição. Inicialmente a metodologia foi desenvolvida para medir apenas os
custos relativos aos PCs. Depois, o conceito amadureceu, sendo expandido para
abarcar todo o resto da computação distribuída, como redes LAN (Local Area
Network), bridges, hubs, roteadores, periféricos, etc. O Instituto Gartner publica o
TCO de diversas plataformas, como de mainframe, data center, contact center, help
desk, rede WAN (Wide Área Network), entre outras.

No começo, a idéia que se procurava passar era de que o custo de um ativo de TI
não se restringia ao valor de aquisição. A quantia paga na compra da solução ou
equipamento representava apenas uma pequena parte de uma equação muito mais
complexa, que incluía também os custos relativos à manutenção e uso desse ativo ao
longo do tempo. , manutenção, suporte (por um período determinado como 3 anos,
5 anos, etc.) e inclusive a “aposentadoria” do ativo. Computavam-se também custos
relativos ao abandono de certas ferramentas e soluções.

O Instituto Gartner apresentou uma abordagem diferente. Mostrou a TI do ponto de
vista holístico. Concretizou o conceito num plano de contas, que, na verdade, passou
a representar o coração de cada modelo de TCO. Similar a um plano de contas
contábil, o plano de contas do TCO inclui todos os custos para uma solução de TI –
tanto os diretos e orçados (como aquisição de hardware, software, operação e
administração), como os indiretos e não orçados ( tempo de inatividade dos sistemas
e operações dos usuários finais, por exemplo). Ou seja, não se deve apenas analisar
os custos aparentes, mas também os que costumam ser ignorados pelas empresas
A terceirização também traz vantagem competitiva para as empresas usuárias. Na
era do comércio eletrônico, tempo vale ouro. A dinâmica da economia exige que os
projetos de negócio sejam colocados no mercado o mais rápido possível, quase da
noite para o dia. As empresas estão vulneráveis à concorrência globalizada. Há uma
busca frenética por eficiência operacional. Existe uma busca incessante por redução
de custos, é certo, mas também por diferenciais competitivos

A procura por maior competitividade é que leva as empresas aos serviços de
terceirização. Empresas bem-estruturadas sabem o que podem usufruir.
Os provedores de serviços terceirizados não devem ter a pretensão de entrar no
campo da inteligência do negócio. Normalmente, já existe na empresa um grupo de
pessoas que faz a ponte entre o negócio e a área de TI. Por exemplo, o
desenvolvimento de aplicações é terceirizado, mas a empresa normalmente mantém
sob seu controle o analista de negócio que define o que deve ser feito, com poder de
decisão sobre o que deve ser comprado.

A regra básica é: a inteligência de TI e a inteligência do negócio ficam com o cliente.
Uma boa estratégia recomenda que a empresa defina claramente as regras, o que
exatamente vai terceirizar e onde vai usar o seu pessoal interno. Segundo o Instituto
Gartner, não se pode simplesmente terceirizar tudo, pois há o risco de a empresa
perder o conhecimento gerado dentro da organização. Ou seja, a empresa terceiriza
os serviços, mas acaba não investindo no seu pessoal para gerenciar a forma como
esses serviços são prestados, prejudicando a qualidade.

Sem um planejamento específico que estabeleça como meta a manutenção e o
controle interno da inteligência do negócio, será muito difícil a empresa manter a
inovação dentro do ambiente de TI. Veja o que fez a Dupont América do Sul, uma
das maiores indústrias do setor químico. Seu sistema de administração corporativa,
o ERP (Enterprise Resource Planning) SAP R/3, é executado no datacenter nos
Estados Unidos, que atende a todas as unidades do grupo. A parte de suporte,
aplicação e operação foram terceirizadas, mas não o conhecimento. A gestão do
negócio é feita internamente, tanto no que se refere à parte de aplicação, quanto à
parte de operação. Em todas as áreas há um líder responsável pelo conhecimento.
Essa função é da própria Dupont, enquanto o complemento é feito terceiros.

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