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Você é educado financeiramente?

Apenas 35% dos brasileiros têm educação financeira, de acordo com pesquisa da Standard & Poor’s

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Responda rápido: qual o custo efetivo total do financiamento do seu carro? E da sua casa? A maioria das pessoas não sabem ou pensam que sabem responder a estas perguntas. Preocupamo-nos apenas com o tamanho da parcela mensal e nos esquecemos do quanto estamos pagando de juros ao adquirir aquele determinado bem, tão sonhado. Isso acontece porque está no nosso instinto sermos hedonistas e imediatistas, e, infelizmente, não contamos com um acompanhamento acadêmico formatado para atenuar a ansiedade e ajudar-nos a tomarmos a melhor decisão na hora de gastar o dinheiro.

Na escola aprendemos sobre anatomia humana, preservativos e DSTs, mas não obtemos instrução alguma de como investir, guardar dinheiro ou usar com sabedoria o cartão de crédito. Costumamos replicar os hábitos financeiros dos nossos pais e pedir conselhos a amigos sobre aplicações, que quase sempre estão fazendo péssimas escolhas financeiras, e qual o resultado desse processo? Inflação, economia fraca e famílias endividadas. Para ilustrar o problema, uma pesquisa da Fecomercio-SP constatou que, para uma dívida total de R$ 800 bilhões dos brasileiros em 2015, os juros bateram R$320 bilhões, o equivalente a 40%.

Portanto, não nos surpreende o resultado de uma outra pesquisa, esta da Standard & Poor’s, que apurou que 65% dos Brasileiros não são educados financeiramente. A pesquisa envolveu mais de 150.000 pessoas adultas em cerca de 40 países, entrevistados ao longo de 2014, na qual foram testados seus conhecimentos em quatro básicos conceitos financeiros: capacidade de perceber e usar números, capitalização de juros, inflação e diversificação do risco.

Os entrevistados foram convidados a responder 5 perguntas simples sobre finanças:

  • Suponha que você tenha algum dinheiro. É mais seguro colocar seu dinheiro em um negócio ou investimento, ou colocar seu dinheiro em vários negócios ou investimentos diferentes? Resposta correta: vários negócios ou investimentos diferentes;
  • Suponha que ao longo dos próximos 10 anos os preços das coisas que você compra habitualmente dobrem. Se o seu rendimento também dobrar, você será capaz de comprar menos do que você pode comprar hoje, o mesmo que você pode comprar hoje, ou mais do que você pode comprar hoje? Resposta correta: o mesmo que você pode comprar hoje;
  • Suponha que você precisa tomar emprestado R$100,00. Qual é o montante mais baixo para pagar: R$ 105,00 ou R$ 100,00 mais 3%? Resposta correta: R$ 100,00 mais 3%;
  • Suponha que você vai colocar dinheiro no banco para dois anos e o banco concorda em adicionar 15% ao ano para a sua conta. O banco adicionará mais dinheiro para a sua conta no segundo ano em relação ao montante que adicionou no primeiro ano? Ou vai adicionar a mesma quantidade de dinheiro em ambos os anos? Resposta correta: O banco adicionará mais dinheiro para a sua conta no segundo ano em relação ao montante que adicionou no primeiro ano;
  • Suponha que você tinha R$100,00 em uma conta poupança e o banco acrescenta 10% ao ano para a conta. Quanto dinheiro você tem na conta depois de cinco anos, se você não removeu qualquer dinheiro da conta? Mais que R$ 150,00; exatamente R$ 150,00; menos que R$ 150? Resposta correta: Mais que R$150,00.

Foram considerados financeiramente educadas aquelas pessoas que conseguiram responder corretamente 3 das 5 perguntas acima. No Brasil, o índice alcançado foi de 35% dos entrevistados, abaixo da média mundial de 36%, amargando o 67º lugar no Ranking, abaixo de países como Tanzânia, Azerbaijão, Camarões e Senegal. O resultado da pesquisa aponta que temos uma boa parcela de culpa na crise pela qual estamos atravessando.

Você faz pesquisa de preço quando tem interesse em adquirir algum bem? Sabe o conceito de juros compostos? Faz algum controle de gasto familiar? Compra coisas que realmente precisa, ou consome por impulso? Quanto você poupa da sua remuneração mensal? Conhece outros tipos de investimentos senão poupança?

Aliás, poupar num cenário de crise é ainda mais importante, não só o ajudará a superar imprevistos, como também lhe permitirá aproveitar oportunidades. Não se deixe levar por pessoas que desvirtuam o conceito de poupança e economia. Certamente você já ouviu alguém dizer: por que vou poupar se posso morrer amanhã mesmo? Ora, tudo na vida tem um fim. Se pensarmos dessa forma não faremos absolutamente nada. Poupança não implica privação, sacrifício, vida simplória ou miséria. É abdicar de satisfações imediatas e efêmeras em prol de conquistas maiores, mais edificantes e duradouras num determinado prazo.

Educação financeira sozinha não vai resolver todos os problemas que os brasileiros enfrentam. Mas considerar que desde que as escolas investiram em educação sexual, dentre 1980 e 1990, o índice de gravidez entre adolescentes caiu consideravelmente, imagine o que poderia acontecer se as pessoas aprendessem o básico sobre dinheiro.

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Tags: educação financeira importância da educação financeira Matheus Campos pesquisa sobre educação financeira

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