2018: mais conexão e menos compulsão

Como desenvolver FOCO em suas metas em 2018

Sempre que mudamos o ano surge o frenesi do ano novo e a divertida crença de que a simples mudança do calendário irá proporcionar os milagres que tanto almejamos!

Naturalmente, essa “onda” que invade os mais diversos ambientes e pessoas, mesmo os que possuem um calendário diferente acabam sendo seduzidos pela ideia, pode ser um bom começo para uma pausa. Afinal, o calendário pressupõe esse momento!

Pausar para refletir é algo raro nos dias de hoje!

Considerando que o “fazer” vem com a roupa da eficiência, quanto mais estamos nos “fazeres”, menos tempo nos sobra para viver o fazer!

Então, partindo da consciência coletiva voltada para elaborar um novo ano, gostaria de convidá-lo a avaliar sua conexão.

Talvez você pense, de imediato, que ela é excepcional... Com o advento da fibra e dos 5 Gs…. O meu convite, porém, é um pouco diferente e talvez mais arcaico é aproveitar este momento para pensar na sua conexão com seu SELF!!

Parte das situações que vivemos hoje no Brasil e no Mundo refletem a ausência de conexão.
Essa frase pode soar como subjetiva, quase “mística” de uma visão coletiva. Mas vamos trazer para concretude da vida. Não estou considerando a conexão com as outras pessoas, simplesmente porque inexiste conexão com o outro, com o sistema ou com o planeta quando não estamos conectados, antes, à nossa própria identidade.

Pensando de forma simples, todos nós independentemente da cultura, formação ou classe social, temos uma condição que nos aproxima que é a nossa condição humana. Há algo de divino e humano em nossa condição.

Outro fato muito simples é que buscamos por estados semelhantes.


O que seria isso?

Temos o anseio de acessar, em nossa vida, itens que são universais: Paz, Saúde, Plenitude, Segurança, Equilíbrio, Bem Estar… Enfim, uma lista vasta de condições ou estados internos que compartilhamos pela condição natural que temos a de sermos seres humanos.

Então sabemos quais estados fazem bem à natureza humana.

O grande ponto que traz a desconexão é acreditar que todos têm como conquistar esses estados da mesma forma!

Essa busca é milenar e espontânea. Naturalmente merecemos acessar todos os estados que tragam o nosso melhor à tona o maior numero de vezes. Para que isso aconteça é importante vivermos mais a conexão com nós mesmos.
Considerando que a conexão é nosso estado de graça, é importante abrir-se, libertar-se dos operadores “modais” de necessidade: “eu tenho que”… “eu devo”… “eu preciso!”

Outro grande sedutor que alimenta a atitude compulsiva e nos impede de realizarmos a conexão é a “necessidade” de estar disponível, o que pode ser muito diferente de estar disponível de fato!

A forma conectada de estar presente é estar genuinamente disponível. É muito diferente de mostrar-se disponível.

O que é genuíno nos faz conectados e transparentes, o que atualmente em grande parte das relações tem sido pouco frequente.


É mais fácil estar disponível nas mídias sociais do que conectar-se presencialmente a alguém e acessar por 10 minutos genuinamente uma pessoa!

Eu gosto das facilidades que as mídias sociais podem ofertar. Sinto, porém, que elas retratam muito a nossa escassez em estarmos conectados à vida e aos outros.

Ontem participei de um encontro para executivos que desejam “viver o presente utilizando a meditação”.

Com grande curiosidade para aprender a ativar meu cérebro com o método, me desloquei para Vila Madalena em busca de alcançar o Nirvana.

Mantive a consciência que talvez minhas chances fossem mínimas, diante das minhas praticas atuais… Sou carnívora, adoro café, minha prática meditativa é a dança, bike e a leitura... Enfim, uma alma com poucas chances de acessar o Nirvana, mas como o encontro era para mortais corporativos, lá fui eu!

Depois de me descabelar para estacionar o carro, cheguei ao local lindamente adornado com plantas, um lindo jardim, e pensei que o paraíso estava ali!
Fiquei alguns minutos maravilhada com as plantas e o som da água de uma fonte. Esse cenário rapidamente me levou para um estado de graça e relaxamento.

Ao entrar na sala e ouvir várias explicações do condutor de nome indiano, apesar de ser altamente ocidental, acreditei que estava prestes a conhecer um pouco do estado de conexão com o cosmo – apesar de uma leve sensação de que, talvez, o “guru” estivesse falando demais, e que sua fala estivesse mais voltada para ele e menos para a pratica zen!

Depois de toda a explicação, me joguei com gosto no colchonete.
E entrei num estado de relaxamento e conforto que certamente poderia ter se prolongado até o dia de hoje, não fosse a falta de conexão do “guru” meio ocidental meio oriental, pelo menos no nome, que ao final de 20 minutos eu acho (ou quem sabe mais, pelo meu estado de relaxamento), começou a fazer um som que percebi e, ao abrir meus olhos, me deparei com a cena da invasão da modernidade, ou talvez da incongruência!

No meio da sala, nosso “guru” checava seu celular enquanto ouvíamos um mantra que soava ao fundo.

Aquele que deveria conduzir nossa conexão estava visivelmente desconectado de todos nós. A expressão dele naquele momento revelava um homem mais interessado nas últimas mensagens do que no grupo de executivos em busca do Nirvana!

Naquele momento pensei em escrever sobre conexão. Aquela que vivi ao deixar meu carro e sentar no jardim daquele paraíso na Vila Madalena, com tempo para tomar um copo de água olhando cada orquídea, samambaia (confesso que sempre achei samambaia um horror), porém naquele instante, o todo era suficientemente silencioso para que eu reconhecesse aquele momento como de profunda conexão.

Existíamos eu e o meu desejo em fazer algo diferente. Enquanto aguardava a experiência mágica, fiz a mágica da conexão sem entrar no tempo, simplesmente aproveitando o tempo presente.

E depois de viver a experiência quase infantil da frustração, ao ver o possível “guru" compulsivamente grudado ao seu celular na penumbra de uma prática que pretendia salvar executivos da tecnologia, do trabalho e do foco na matéria, descobri que a conexão pode ser mais simples e próxima de todos nós.

Num jardim ou no escritório, no café da manhã ou no jejum, na conversa ou no silêncio. A conexão poderá acontecer se formos verdadeiros com nossos sentimentos, objetivos e opiniões.
Que verdadeiramente o celular, as mídias sociais, as cobranças sociais, as expectativas serão apenas fatos ou situações, sem significar o grande vilão da atitude compulsiva.

Talvez, o que nos aproxime da conexão seja descobrir que a vida pode ser mais verdadeiramente simples e prazeirosa se respondermos aos nossos “quereres”!

Talvez o “guru” que conheci na prática para executivos de fato desejasse estar em outro local. Talvez quisesse ver o Instagram, ou falar com a esposa pelo celular... Tudo bem, se isso era permitido internamente para ele.

Afinal, como adulto que é, ele pode e deve fazer o que deseja!

Naturalmente, fazer o que se deseja significa assumir um posicionamento e suas responsabilidades. Talvez o segredo para atingir o Nirvana seja efetivamente assumir o que desejamos e nos mantermos conectados ao nosso querer e saudavelmente aos nossos objetivos!!!

Essa foi a maior riqueza que vivi , nos jardins mágicos da Vila Madalena: conexão sem compulsão de parecer conectado ou desconectado, simplesmente vivendo o presente!
Editado por: www.editorexpress.com.br

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