A importância do capitalismo natural para o empreendedorismo e as mudanças nas práticas de gestão

Estratégias emergentes são necessárias neste novo cenário que se vive no século XXI. Para empreender, neste contexto, é preciso soluções inovadoras e duradouras. Assim utilizar práticas de gestão que levem em consideração os conceitos do capitalismo natural é o caminho para empreendimentos mais duradouros e sustentáveis.

Para alguns pensadores uma nova revolução industrial se aproxima. Nos últimos anos muitas empresas começaram a descobrir excelentes oportunidades de economizar dinheiro e recursos mediante a utilização de novas práticas de gestão empresarial levando em consideração o capitalismo natural. Novos materiais e novas tecnologias que diminuam o uso de insumos e de recursos naturais na confecção de produtos é um desafio a ser perseguido por novos e já antigos empreendedores.

O capitalismo natural, definido pelo autor norte americano Paul Hawken, dá importância aos sistemas vivos e a possibilidade de um novo sistema industrial, alicerçado em uma mentalidade e uma escala de valores onde o meio ambiente não é mais um simples fator de produção, mas sim um invólucro que contém, abastece e sustenta o conjunto da economia. Além disso, diz Paul Hawken, o progresso econômico futuro tem melhores condições de ocorrer nos sistemas de produção e distribuição democráticos baseados no mercado, nos quais todas as seguintes formas de capital sejam plenamente valorizadas: capital humano; capital industrial; capital financeiro e capital natural.

Diante deste contexto, onde estratégias emergentes são necessárias para novos empreendimentos e também para empreendimentos já existentes, se fazem necessárias mudanças nas práticas de gestão contemplando uma visão de futuro, de desenvolvimento sustentável e de utilização adequada do capitalismo natural. Por isso a importância do entendimento do empreendedor de que apoiado numa lógica econômica sadia, o capitalismo natural apresenta uma estratégia que ao mesmo tempo em que é necessária pode ser muito lucrativa.

Um erro comum cometido por muitos empreendedores e empresas é de ignorar a importância dos ecossistemas para o seu negócio. Os ecossistemas fornecem componentes e recursos essenciais para os sistemas produtivos e por isso fazer mais com menos é imperativo para toda sociedade.

O capitalismo natural está baseado em algumas estratégias centrais. Dentre elas são destacadas, a seguir, cinco estratégias que empreendedores não podem mais negligenciar sob o risco de verem seus negócios não prosperarem e não terem perpetuidade:

1. Aumento radical da produtividade no uso de recursos naturais - estratégias de melhor utilização dos recursos com consequente aumento da produtividade podem deter a degradação do meio ambiente e assim desacelerar o esgotamento de recursos. Aumentar a produtividade significa produzir a mesma quantidade de bens e/ou serviços usando menos recursos naturais e energias melhorando assim, não só financeiramente o empreendimento, mas preservando os sistemas vivos com uma gestão responsável evitando as perturbações ambientais e sociais.

2. Sistemas de produção fechados para eliminar resíduos e poluentes - A eliminação de desperdícios seja de materiais, energia e de capital humano é uma medida de melhoria contínua que deve estar na mente de todo empresário. Sistemas industriais redesenhados e otimizados com objetivo do não desperdício é um imperativo nas organizações modernas. A redução e/ou eliminação de resíduos e de materiais tóxicos oriundos dos sistemas produtivos se constitui num gigantesco desafio para engenheiros e profissionais que tenham os conceitos do capitalismo natural presentes em suas formações. Paralelamente a isso, desenvolvedores de produtos devem utilizar os conceitos da logística reversa desde a concepção do projeto, prevendo assim a destinação final daquele bem, após seu uso.

Reduzir reciclar e reutilizar, como princípios da sustentabilidade, devem ser perseguidos por todos empreendedores.As tecnologias do futuro e algumas já no presente permitirão abastecer as indústrias com ciclo fechado de produção, por exemplo, com matérias-primas oriundas de reciclagem, com madeiras de reflorestamento, com materiais biodegradáveis, entre outros. O uso de estratégias bioclimáticas como a ventilação natural, uso de energia solar, por exemplo, melhora a eficiência energética da edificação reduzindo o consumo de energia tradicional. A captação e armazenamento da água da chuva para utilização em serviços que não necessitam de água potável é uma medida simples, porém extremamente importante para a preservação ambiental

3. Modelo de negócio deve sofrer adaptação para: em vez de vender produtos, prestar serviços - Trata-se de uma alteração fundamental na relação entre produtor e consumidor. O consagrado autor Paul Hawken, diz que isso é uma transformação da economia de bens e aquisições para uma economia de serviço e de fluxo. Em tese essa economia de fluxo protege mais o ecossistema uma vez que podem ser colocados em prática os conceitos da eliminação de desperdícios e os conceitos de reduzir, reutilizar e reciclar.

Com isso, tanto a produtividade dos recursos quanto os ciclos fechados de emprego de materiais são incentivados pelo uso adequado dessas estratégias emergentes. Todo produto deve vir acompanhado de um serviço e esse ser percebido pelo cliente. Desta forma os ciclos de reciclagem e reutilização podem ser melhores entendidos e praticados.

4. Treinamento constante para funcionários e colaboradores sobre as diretrizes do capitalismo natural - Estratégias de gestão de pessoas existem muitas nas organizações. Porém, focar nestas estratégias emergentes vai se transformar em um diferencial competitivo para as empresas. Um funcionário treinado, sabedor da importância da produtividade radical dos recursos não só ajuda economicamente a empresa, o que é necessário para a existência da mesma, ainda contribui significativamente com a perpetuidade da empresa ajudando a disseminar o conceito de fazer mais com menos.

É necessário treinar o capital humano para que essas novas práticas de gestão não só sejam incorporadas, mas disseminadas nas organizações. É preciso disseminar que os fatores limitativos do ecossistema precisam ser preservados para que a relação entre o capital humano e o capital natural mude rapidamente. Os funcionários não podem mais ser meros executores de tarefas burocráticas, rotineiras e repetitivas que não exijam nenhuma ação que possa buscar soluções alternativas e sustentáveis. Se as pessoas se sentirem respeitadas e valorizadas elas assumirão a responsabilidade de ajudar a resolver problemas com a utilização dos conceitos do capitalismo natural.

5. Reinvestir parte dos lucros empresariais no capital natural para restaurar, sustentar e expandir o ecossistema - Todas as quatro estratégias anteriores não são fáceis de serem aplicadas e precisam de determinação do empreendedor e das empresas. Porém reinvestir lucros no ecossistema ainda é um paradigma que precisa ser quebrado mundialmente. A destruição dos ecossistemas pode ser desacelerada através de investimentos na sustentação, na restauração e na expansão dos estoques de capital natural.

Não será inútil estabelecer políticas sensíveis de investimentos no meio ambiente buscando cada vez mais a preservação e a sustentação dos diversos ecossistemas. Quem sabe, historiadores no futuro, poderão escrever que empreendedores da nossa época tiveram papel decisivo no uso de estratégias e de práticas sustentáveis no sistema econômico que privilegiaram os investimentos ambientalmente adequados e com isso o crescimento e o desenvolvimento sustentável proporcionando o bem-estar das pessoas e da sociedade.

Por fim, os empreendedores modernos precisam incorporar em seus objetivos o capitalismo natural. Um grande número de consumidores já percebe esse comportamento nas empresas e começa selecionar seus fornecedores de acordo com essas premissas.

O capitalismo natural precisa ser valorizado. Embora não exista uma maneira exata de avaliar um rio, uma floresta, um ecossistema, o errado é não lhes atribuir valor algum. Se as empresas começarem a assumir e comprometerem-se com as questões que envolvem o capitalismo natural, significará uma reavaliação fundamental dos papéis e das responsabilidades dos empreendedores. Por isso, a importância das mudanças nas práticas de gestão privilegiando as diretrizes do capitalismo natural.

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Tags: Capitalismo Natural Empreendedorismo Práticas de gestão

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