A inovação e a gestão de pessoas

O artigo propõe uma discussão sobre a inovação e a forma como as empresas fazem a gestão de seus recursos humanos.

As empresas se querem ser inovadoras precisam contar com profissionais inovadores, pessoas capazes de soluções totalmente novas para velhos problemas. As empresas inovadoras são também aprendizes, ou seja, estão sempre disponíveis para assimilar novas informações, conceitos e soluções. Esse tipo de empresa que os norte-americanos chamam de “learning organization” não tem medo de errar e de certa forma estimula o erro na medida em que valoriza aqueles que arriscam fazer as coisas de forma diferente. As organizações que não gostam de errar e punem o erro não inovam, pois as pessoas preferem não se arriscar a perder uma promoção, um aumento salarial ou um bônus por ter cometido um erro.
Um grande CEO de banco brasileiro, já falecido, disse em uma entrevista que os seus funcionários podiam errar dentro das normas, mas nunca fora delas. Ora se alguém resolvesse tomar uma decisão que não estivesse dentro das normas, mas que fosse mais interessante para a organização correria o risco de perder o emprego ou ser advertido por fazer a opção correta do ponto de vista da eficiência, mas incorreta do ponto de vista da empresa. Nesse banco, em última análise, era proibido pensar ou sonhar soluções diferentes e inovadoras. Espero que essa concepção tenha mudado ao longo do tempo e a organização tenha assimilado as mudanças ambientais e tecnológicas.
A velha expressão bastante carcomida de que time que está ganhando não se mexe é profundamente equivocada, pois gera acomodação na equipe de trabalho, pois é muito mais confortável fazer sempre do mesmo do que se arriscar a melhorar processos, produtos ou serviços. Essa metáfora futebolística não funciona nem no futebol, pois o time que está ganhando pode se acomodar nas suas estratégias de jogo e ser superado pelos adversários que não se conformam com as constantes derrotas. Outra expressão muito utilizada no meio corporativo é a máxima: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Essa expressão utilizada por um chefe ou gerente para com um novato numa organização, recém-saído da universidade é um balde de água fria. Em geral, depois de passar longos anos nos bancos escolares o jovem está ansioso por testar as teorias que aprendeu e descobre na prática que a teoria é outra, ou seja, é preciso fazer do jeito que o chefe quer e nada de inventar.
Bastante interessante sobre esse tema, foi uma entrevista do Dely Matsuo, CEO da Appus, quando ele afirma que o pior erro que uma empresa pode cometer é estabelecer metas quantitativas de desempenho. Como regra geral as empresas que trabalham com metas bonificam seus empregados por tê-las atingido totalmente ou parcialmente, ninguém pensaria em inovar, pois isso significa arriscar (CBN, 2017). Uma inovação pode ser bem sucedida ou não. Diante disso as pessoas optam por fazer o que já deu certo. Dessa forma, uma empresa focada na inovação deve estabelecer objetivos quase impossíveis e não metas. Os objetivos criam a possibilidade de que as pessoas pensem em novas alternativas e soluções, pois ninguém inova sem pensar, sem exercitar a imaginação.
Enfim, para ser inovadora uma organização precisa estar disposta a correr riscos, estimular as pessoas a tentarem fazer as coisas de forma diferente, encorajando mentes criativas a pensar alto, sem limites estreitos. Ao invés de estabelecer metas quantitativas para premiar seus talentos humanos, melhor seria premiar aqueles que conseguirem atingir as metas de forma mais inovadora, mesmo que não tenham alcançado o resultado no primeiro momento.

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Tags: gestão inovação Recursos humanos

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