Breves reflexões sobre planejamento estratégico de cidades e desenvolvimento

Estruturar o futuro das cidades implementando a gestão estratégica, considerando as decisões presentes quanto ao futuro a partir de acordos compartilhados e comprometidos com qualidade de vida e desenvolvimento da sociedade.

A evolução do planejamento estratégico tem sido proporcional às permanentes e velozes mudanças ocorridas no ambiente das organizações, principalmente nas empresas à medida que passam a enfrentar mercados complexos e competitivos. As grandes transformações no ambiente de negócios provocados a partir das novas tecnologias obrigam as empresas adotar uma postura preventiva em relação a um futuro possível num determinado espaço de tempo a partir de um estudo de cenários prospectivos.
O processo estratégico de uma organização pode ser considerado como um estudo planejado e sistemático quanto a adaptação da mesma ao seu ambiente externo e interno, com o propósito de criar instrumentos para melhor prevenir, qualificar-se e orientar-se em relação ao futuro, definindo objetivos de acordo com uma visão integrada em todas etapas dos processos de decisão.

O Planejamento Estratégico de Cidades e Desenvolvimento objetiva elaborar um modelo desejado da cidade a partir da participação dos diversos atores destas sociedades, contribuindo de forma compartilhada na construção de acordos comprometidos com uma perspectiva de futuro, tanto no que diz respeito ao desenvolvimento econômico, quanto ao desenvolvimento sócio espacial, associando questões que contemplem transformações relacionadas com a inovação e redução das desigualdades.
Importantes observações são fundamentadas a partir de ampla análise das vocações locais, considerando cultura construída ao longo dos anos e competências essenciais, remetidas em projetos que estejam na direção dos padrões inovadores de desenvolvimento globais.

Outro aspecto que deve ser considerado diz respeito a integração regional e setorial, onde os projetos podem ser complementares, considerando o fator local, regional e a própria internacionalização.

Para o autor do livro “Mudar a cidade: uma introdução crítica ao planejamento e à gestão urbanos”, Marcelo Lopes de Souza , surge um questionamento quanto ao entendimento do desenvolvimento humano de forma alternativa e crítica, fazendo referência o autor a que, “Para sistematizar, pode-se assumir que o desenvolvimento urbano, o qual é o objetivo fundamental do planejamento e da gestão urbanos, deixa-se definir com a ajuda de dois objetivos derivados: a melhoria da qualidade de vida e o aumento da justiça social”.
Do ponto de vista sócio espacial, busca-se fugir do conceito comumente usado e voltado para o planejamento físico-territorial, no qual a preocupação está focada no tratamento urbanístico, limitando-se na maioria dos casos ao atendimento das normas legais, desta forma, nesta perspectiva e neste contexto, a atenção torna-se profundamente reflexiva quanto a identificação de necessidades fundamentais, como também para contribuições consistentes e qualitativas em relação às perspectivas de futuro das pessoas, através de uma efetiva participação dos atores sociais da comunidade a partir de recortes espaciais, com a utilização da pesquisa como instrumento da ciência social aplicada.

Nossa preocupação no desenvolvimento do planejamento foge radicalmente aos princípios de controlar ou submeter-se tecnicamente a realidade dos interesses específicos de grupos de influência ou dominantes, e objetiva, acima de tudo, identificar a vontade humana relacionada aos seus valores culturais históricos e de superação, bem como questões relacionadas com fatores de humanização, convivência com a realidade e integração a uma sociedade em profunda transformação, associando questões que contemplem transformações relacionadas com a inovação e redução das desigualdades, tendo como complementaridade uma visão interdisciplinar. As oportunidades e benefícios de uma sociedade representam direitos dos seus munícipes, respeitados os princípios da autonomia individual e coletiva.

 

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Tags: Cidades, Planejamento, Sócio Espacial