Carta aberta de um empreendedor brasileiro

Da falência ao faturamento de R$ 40 milhões e mais de 250 unidades em todo o Brasil.

Dezembro de 2007, eu estava totalmente falido e sem perspectivas. Acabara de acontecer a minha segunda falência como empresário, o que me levou a morar por seis meses num apartamento abandonado, sem água, luz e banheiro.

Incentivado por minha namorada, tomei uma decisão que mudaria completamente o meu destino. Resolvi abandonar o estado do Rio de Janeiro e voltar para a minha origem profissional.

Parti para São José dos Campos e fui recomeçar minha vida de maneira idêntica ao passado, vendedor de cursos profissionalizantes e idiomas só por comissão. Para isso foi preciso que ela me emprestasse todo seu dinheiro, R$ 600.

Passei a mão no telefone e liguei para o meu primeiro sócio (veja a importância de deixar sempre as portas abertas). Ele, sem entender muito bem a minha situação, limitou-se a dizer "vem embora". Por dias dormi na sala da casa que ele dividia com outros dois amigos, que gentilmente me acolheram na dificuldade.

Mas eu não me acomodei, fui atrás de uma pensão para morar. Achei um local precário que tinha apenas um banheiro para todos e as condições de higiene eram um caos. Contudo, eu já estava acostumado com adversidades.

O início foi extremamente difícil. Passei um aperto danado com moradia, alimentação e saudades, visto que havia largado minha namorada para trás.

Mas bastaram alguns dias para que pudesse arrumar uma empresa que quisesse me contratar, afinal eu era o colaborador ideal: só ganho comissões por produtividade. No primeiro mês não tive bons resultados (o que era muito preocupante, afinal, já havia pago R$ 300 de pensão e comprado quase todo o restante em pacotes de biscoitos e fichas para o restaurante popular).

Eu precisava fazer alguma coisa. Me tranquei numa sala com centenas de materiais de publicidade para campanhas de captação de alunos, e juntando um pedaço de cada, desenvolvi um material que não era totalmente inédito, mas que não circulava há anos. Basicamente pegava o valor que o cliente pagaria e dividia pela quantidade de cursos para evidenciar o quanto o nosso produto era vantajoso financeiramente. E como num passe de mágica os clientes, antes escassos, agora eram abundantes. No meu segundo mês já recebi quase R$ 8.000 de comissões, estava feito, pensei!

É, mas quem disse que a vida é fácil? Logo após me entregar o dinheiro, meu antigo empregador ficou com um péssimo sentimento, achando que eu estava ganhando muito, algo que era incompreensível, visto que ganhava apenas por produção, sem salário fixo, sem ajuda de custos, sem vale transporte ou qualquer outro benefício trabalhista. Assim que recebi pelo segundo mês um valor alto pela enorme quantidade de vendas, ele me chamou em seguida (terceiro mês) e “cortou minhas asas”. E cortou mesmo, porque eu não tinha mais nenhuma motivação em trabalhar ali.

Novamente sem saber qual seria o meu destino, fui conhecer a escola de um amigo que foi o primeiro vendedor que contratei na vida, em 1999. Alexandre havia inaugurado uma escola em Taubaté e me convidado para ser sócio dele no mês anterior. Mas sequer passava pela minha cabeça a hipótese de empreender novamente sem dinheiro. Porém, quem é empreendedor sabe que uma vez experimentada a emoção empreendedora, jamais consegue se afastar-se por muito tempo. E assim fui conhecer a escola do meu amigo.

Chegando ao local, duas coisas ficaram bem claras. Que o negócio era muito pobre e que havia sido feito com muito carinho.

Sempre me achei um cara corajoso, mas nesse dia em especial, vi que Alexandre era muito mais. O negócio começou com R$ 3.000 emprestados de sua mãe, móveis velhos (também emprestados) e seis computadores velhos e alugados por R$ 1 o dia. Para piorar a situação, o rapaz era casado! Tinha uma filha de seis meses e moravam todos na escola.

Assim que aceitei a sociedade, me mudei para o quarto ao lado no andar superior da pequena escola e começamos a trabalhar. O som do choro de sua filha ecoava pelos corredores e a criança era obrigada a ficar dia e noite no quarto com sua mãe.

No primeiro dia de sociedade fiquei louco. Fomos almoçar às seis horas da tarde e apenas meio miojo para cada um, o que para um gordo era inaceitável. Fui bisbilhotar a geladeira e descobri que tinha apenas água gelada e um pote de manteiga. Tomei um baita choque de realidade. Não tinha outro caminho, era arregaçar as mangas e trabalhar.

E assim fizemos. Alexandre colocou sua família hospedada na casa do sogro até que pudesse alugar um local para morarem e focamos no trabalho. Trabalhamos como dois loucos obcecados. Finais de semana, chuva, problemas, nada era capaz de nos parar. Durante o início fraquejamos algumas vezes e pensamos em desistir, mas como num conto milagroso, sempre acontecia algo que nos mantinha no foco. Entre uma dificuldade e outra, fomos galgando nosso espaço e ganhando mercado, na cidade, no estado, na país.

O que começou precariamente, hoje é uma empresa detentoras das redes Evolute Profissionalizantes e Idiomas, ContabExpress, Doutor Lubrifica, The Vocuher e Dr NaMedida, possuindo ao todo 15 unidades próprias e mais de 200 franqueadas. Temos centenas de colaboradores e milhares de clientes que foram impactados por uma ideia que nasceu pequena no tamanho e grande nos sonhos. Se você gostou dessa história e quer conhecer os detalhes, dificuldades e caminhos que escolhemos para sairmos do zero para mais de 200 unidades em apenas nove anos, baixe o livro Sinônimo de Sucesso e conheça os bastidores do GRUPO VA FRANCHISING.

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